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Romildo Gonçalves
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Segunda, 30 de dezembro de 2013, 10h49

Tragédia anunciada

Todo ano é a mesma coisa chegou o período das chuvas, lá vem os gestores públicos distribuir o tradicional kit básico de salvação momentânea à grande massa humana, gente humilde que habitam locais insalubres sem as mínimas condições de habitabilidade.

É exatamente nesses ambientes abarrotados de gente sofrida abandonadas, esquecidas pela sorte que vivaldinos e oportunistas, aparecem como salvadores. Nesses trágicos momentos de plena infelicidade eles chegam com as tradicionais cestas básicas, cobertores, colchões, hipoclorito de sódio...

Reuniões e mais reuniões com gestores locais, regionais, estaduais, federais... Visando resolver o problema momentaneamente, essa é a realidade, nua e crua. Passou este período, tudo volta à completa normalidade, normalidades? Lembra-se de Petrópolis? Teresópolis? Vale do Itajaí? Angra dos Reis? Marcelândia? Caxambú...

De acordo com a Pesquisa de Informações Básicas Municipais= MUNIC, divulgada em 2011, apenas 6,2% das cidades brasileiras têm algum plano para prevenir o problema. O numero equivale a 344 municípios de um total de 5.565 que compõe o território brasileiro.

Vale ressaltar que no Brasil não existe desastres naturais. Toda a “Tragédia-Catástrofe” em curso no país são de fundos antropogênicos, ou seja, são causadas por atividade humana e pressão antrópicas sobre ambientes naturais.
Os desastres de origens naturais são aqueles em que os seres humanos não conseguem evitar, podem-se prever e tentar amenizá-los, porém jamais serão capazes de evita-los, exemplos: tsunamis, terremotos, maremotos, furacões, vulcões, tornados...

“Já as tragédias-catástrofes” de origens antropogênicas são causadas pela ação humana, sob algum tipo de atividade em ambientes naturais ou antropizados, são previsíveis e evitáveis, estas são as que ocorrem no Brasil, exemplo: Incêndios Florestais, Desmatamentos, deslizamentos de encostas no perímetro urbano, assoreamento de rios...

Como se vê o que ocorre no país não são desastres, são literalmente tragédias-catástrofes, por falta de planejamento e gestão de uso e manejo do solo. Falta ao país politicas públicas sustentáveis. Prova cabal de tal assertiva é que até hoje não existe no país ou para o país um plano nacional de prevenção e controle de desastres-tragédias...

Na década de 90 foram elaborados e posto em execução dois grandes planos que previam ações de planejamentos estratégicos para o país e por regiões, tipificando atividades e traçando metas a serem executadas.

Foram os “Programas Avança Brasil e Programa Proarco” o primeiro tinha como objetivo uma visão macro, holística para o desenvolvimento do país. O segundo “Proarco” delineava a prevenção e controle do fogo florestal e do desmatamento na Amazônia Legal Brasileira, entraram em execução e evoluíram até que.

No primeiro mandato do governo lula, os dois programas foram extintos e até o momento nada de novo e inteligente foram criados para substituí-los e evitar desastres-tragédias-catástrofes... Em curso assustando o país inteiro.

Estamos em dezembro e com ele o início do período chuvoso no país, e como se vê todo momento pipoca na mídia são vidas sendo destroçadas, soterradas, ceifadas, em catástrofes recorrentes... Sem que se mirem uma luz no fim do túnel desse lamaçal que se encontra o país.

Terminada o período das chuvas começa o período da estiagem, e com ele fogo, fumaça... Uma coisa é certa, não vamos resolver a questão distribuindo todo ano dinheiro público de forma aleatória, para tentar justificar o injustificável, não é mesmo?

Romildo Gonçalves é Biólogo é Mestre em Educação e Meio Ambiente, Perito ambiental em fogo florestal. romildogoncalves@hotmail.com
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