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Maurício Munhoz
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Quinta, 01 de março de 2018, 20h31

Refugiados

A crise na Venezuela tem provocado um fenômeno social grave: o dos refugiados. O mundo sempre conviveu com eventos assim, porém, segundo a ONU, atualmente temos a maior das crises após a segunda guerra mundial. Mas como, aqui no Mato Grosso, poderíamos ajudar?

 

A grande maioria dos municípios de Mato Grosso está cada vez mais se urbanizando em decorrência do enfraquecimento do modelo de agricultura familiar. Em uma terra em que “se plantando, tudo dá” a densidade demográfica no Estado é uma das menores do país, por volta de 3,57 habitantes por km².

 

Por outro lado, países como a Alemanha, por maior que seja o esforço do seu governo para receber as pessoas vindas da Síria, Sudão do Sul ou qualquer outro país, têm limites que a economia e o espaço impõem.

 

Tive a oportunidade de apresentar na reunião do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), em Brasília, um plano para criar uma estrutura multidisciplinar, visando ao recebimento de refugiados, com a intermediação da ONU, o envolvimento dos três níveis de governo, das entidades que discutem a agricultura familiar no Brasil e das organizações internacionais de apoio aos refugiados, além dos governos estrangeiros.

O plano tem como base os conceitos da agroecologia, que é uma nova forma de se estruturar o modo de produção na agricultura, pensado sob o prisma social, político e econômico,
Como Mato Grosso tem matriz econômica primário exportadora, a intenção é que refugiados agricultores sejam selecionados pela ONU para receberem a concessão de uma área rural do Estado. Para cada família estrangeira beneficiada, uma família de agricultores brasileiros será designada como hospedeira para assisti-los e ajudá-los no processo de ambientação cultural.

 

O plano tem como base os conceitos da agroecologia, que é uma nova forma de se estruturar o modo de produção na agricultura, pensado sob o prisma social, político e econômico, utilizando novas tecnologias, não usando veneno e realizando o manejo sustentável com sementes tradicionais, cultivando alimentos em harmonia com a natureza e a cultura local.

 

O apoio aos produtores rurais brasileiros poderá ser de natureza financeira, em terras, insumos ou equipamentos, mas principalmente com sua inserção no modelo de sustentação da agricultura familiar que o projeto apresenta. A família beneficiada participará da organização cooperativa.

 

Cada município terá uma estrutura autônoma, preferencialmente sob a forma de cooperativa. O plano é orientado para instituir a produção primária de alimentos, através de pequenas unidades de agroindústria local. A cooperativa terá orientação de técnicos para assistência ao campo, crédito e comercialização.

 

Para contribuir com este plano, o gabinete da Deputada Estadual Janaína Riva desenvolveu um estudo especial sobre a economia e a sociedade mato-grossense e criou o ICSM, índice de crescimento sustentável dos municípios, um instrumento que busca compreender quanto o crescimento econômico se converte em qualidade de vida para as pessoas e como o modo de produção influencia na distribuição da renda gerada em determinada localidade.

 

Além dos indicadores socioeconômicos, identifica o avanço do desmatamento no Estado e subsidia o debate sobre o alto consumo de agrotóxicos e da água doce no modelo de produção da agricultura em grande escala. Investigando as ameaças ao futuro sustentável para a vida das pessoas e da biodiversidade, o ICSM acompanha a produção econômica nos municípios e apura a expansão de culturas em grande escala de produção e latifúndios, como a soja e a pecuária.

 

A produção da agricultura familiar é modesta, mas resiste, mesmo sem o apoio efetivo do poder público, e pode ser estimulada. A produção, que pode começar abastecendo o mercado local, poderá seguir para o regional e se expandir para tornar-se complementação ao atual modelo de agricultura exportadora, abastecendo o mercado brasileiro.

 

 

Todo esforço é valido para criar soluções para este, que é um dos maiores dramas humanitários que o mundo tem produzido.

Maurício Munhoz Ferraz, Sociólogo
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