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Rodrigo Rodrigues
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Domingo, 01 de dezembro de 2013, 20h42

Julier e Taques

“Primeiro, eles vêm à noite, com passo furtivo, arrancam uma flor e não dizemos nada.
No dia seguinte, já não tomam precauções: entram em nosso jardim, pisam nossas flores,
matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia o mais débil dentre eles entra
sozinho em nossa casa, rouba nossa luz, arranca a voz de nossa garganta e já não
podemos dizer nada.” (Poema de Maiakóvski)

O maior beneficiado com a "presepada" contra o juiz é o senador do PDT

Os desdobramentos da Operação Ararath chegou ao juiz federal Julier Sebastião da Silva, que teve sua casa e gabinete alvos de um mandado de busca e apreensão.

Tudo muito estranho, sem detalhes, subjetivo. Algumas informações diziam que havia suspeita de favorecimento a uma determinada empresa, nada concreto, nada que justificasse de fato uma ação desta magnitude neste momento.

Houve até uma notícia de que durante as escutas o juiz federal dizia que precisava acertar o valor do telescópio, sinceramente, isso é até uma piada. Como dizia Freud, às vezes um charuto é apenas um charuto.

Há algum tempo venho protestando, de maneira solitária, contra o uso político de instituições públicas, como o Ministério Público. Nada é mais danoso a uma democracia e, por consequência, à população em geral, que o aparelhamento político de órgãos que têm por ofício a defesa dos interesses coletivos e a promoção da justiça, com imparcialidade e ética.

Já critiquei o critério duvidoso que o Ministério Público adota para determinados processos, usando de dois pesos e de duas medidas diferentes.

Questionei se é Ministério Público ou Privado, devido à aproximação de grupos políticos e empresariais, como também coloquei em dúvida se era justo pagarmos os gordos salários dos senhores
promotores e procuradores para advogarem as causas de empresários e de determinados políticos. Como disse, preguei no deserto. Em minha opinião nada é mais imundo, imoral e indecente do que isso, talvez só não seja pior que a pedofilia.

Estas ações midiáticas que sempre não resultam em nada viraram moda. Ávidos por holofotes, a nova geração de promotores, estaduais e federais, deixaram-se morder pela mosca azul, extrapolaram o bom senso e a razão, causando perdas e danos a centenas de pessoas.

De fato concreto que podemos afirmar é que Julier incomoda e já incomodou muita gente. Ele hoje está pagando o preço de não se render à hipocrisia e ao jogo de cena. É uma pessoa acessível e simples, conversa com todos, frequenta bares e restaurantes populares, não discrimina ninguém. Quando manifestou vontade de concorrer a um cargo se abriu ao debate, sem preconceito, fiel aos seus pensamentos e as suas origens.

Fugiu da raia miúda da demagogia, do discurso artificial pautado em pesquisas, não se deixou levar pelo atraente mundo da “fantasia”, onde o que vale mais é o poder pelo poder, nem que para isso tenha que trair, mentir e, se preciso for, pisar no pescoço da própria mãe.

Enquanto magistrado sua conduta sempre foi corajosa e imparcial, devido a esta conduta seu nome é sempre cogitado para um cargo eletivo, ganhando força nos últimos meses como candidato ao governo de Mato Grosso.

Do outro lado está um velho “amigo” seu, o senador Pedro Taques, que desde que subiu no palanque em 2010 não desceu ainda. Sempre com o discurso evasivo de combate à corrupção, acorda e dorme pensando no poder, querendo a todo custo ser governador de Mato Grosso, nem que para isso tenha que se aliar ao que há de mais reacionário e ultrapassado na política.

Se não bastassem suas esdrúxulas alianças, há ainda o fato de se cercar de pessoas com extensas “capivaras”, envolvidos em cabulosos casos de crimes e corrupções.

O presidente de seu partido em Mato Grosso se chama Zeca Viana, entrou no partido pelas mãos de Otaviano Pivetta. Seu homem de confiança e caixa de campanha é Fernando Mendonça. O PDT foi entregue, nas grandes cidades, a empresários do ramo de combustível. Um de seus fiéis escudeiros é o empresário Aldo Locatelli.

Teve entre seus doadores da campanha a turma dos frigoríficos, que dispensa apresentações, aliás, pelos nomes citados acima não precisa dizer mais nada.

Taques é elitizado, frequenta o andar de cima, jamais foi visto em lugares populares, gosta das coberturas luxuosas e dos porches cheyeene. Alimenta nas rodas sua influência junto ao Ministério Público Federal, se delicia pelo medo que impõe, vende a ideia que a instituição está a seu serviço. Com isso vai pavimentando seu caminho e agregando apoio. Suas incoerências vão passando batido, como a pseudo-oposição que diz fazer, mas não faz.

Chamou Blairo Maggi de corrupto, em razão do caso dos maquinários, dois anos depois estava de mãos dadas em cima do palanque com ele.

Foi radicalmente contra os “políticos trampolins”, chegando até mesmo a apresentar um projeto no senado que exigia a renúncia dos candidatos que estivessem na metade de seus mandatos para poder concorrer a outro cargo. Agora ele faz exatamente o que dizia ser contra, pois nem completou metade de seu mandato.

Não conheço muito bem Julier, mas conheço bem Pedro Taques, portanto posso afirmar com todas as letras, sem a menor preocupação de errar, que o senhor José Pedro Gonçalves Taques não chega aos pés do senhor Julier Sebastião da Silva em termos de caráter e honestidade.

Ninguém me tira da cabeça que toda essa presepada tem cunho político. Obviamente o maior beneficiado é Taques. O que me preocupa agora é se assistiremos isso passivamente, sendo indiretamente cúmplices, pela omissão e pelo silêncio deste ato kafkaniano, ou reagiremos à altura?
 

Rodrigo Rodrigues é secretário de Comunicação da Câmara de Cuiabá
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