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Rodrigo Rodrigues
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Segunda, 13 de novembro de 2017, 12h03

Cadê o Ministério Público que estava aqui?

Durante quase duas décadas (vinte anos), assistimos diariamente a uma batalha incansável e aguerrida do Ministério Público Estadual contra os desmandos e a corrupção na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o que culminou na condenação do ex-deputado sex-conselheiro, Humberto Bosaipo, e na prisão de José Geraldo Riva, que provavelmente também será condenado.

É notório que diante de todas as acusações que envolveram Riva e Bosaipo há diversos empresários, ex-deputados, ex-governadores e atuais deputados envolvidos. Humberto Bosaipo já saiu há muito tempo da Assembleia Legislativa, foi para o Tribunal de Contas e já se aposentou. José Geraldo Riva foi diversas vezes afastado da presidência, não é mais deputado nem exerce qualquer outro cargo desde 2014. Entretanto, todas as barbaridades, falcatruas, desvio de dinheiro, de gastos excessivos e de críticas aos valores dos duodécimos, que tanto barulho fez o Ministério Público nesse período, ficou pequeno e quase insignificante do que vem acontecendo nos últimos três anos. Olhe bem, estamos falando de três anos e não de vinte anos!

Durante toda essa batalha de quase duas décadas, que o Ministério Público travou contra a Assembleia, será ele conseguiu esgotar tudo? Perdeu a força? Resolveu tirar um descanso prolongado? Caiu em sono profundo? Ou a questão era pessoal e não institucional? A questão toda não era sobre o desvio de dinheiro público, mas sim a respeito das pessoas que ocupavam o comando do parlamento estadual? Pois nada, nadica de nada, mudou! Desculpa, minto. Em todos os sentidos piorou.

O caso Doia/DETRAN, que supostamente desviava milhões, foi mantido e teria a participação de um atual deputado, que repassou o “esquema” para outro deputado, que ocupa um cargo relevante na Assembleia Legislativa em troca de dívida. Havia também, supostamente, o envolvimento de um ex-secretário de governo, preso há pouco tempo. No caso SEDUC, foi citado o envolvimento de deputados também.

A Assembleia Legislativa tem um custo altíssimo para os contribuintes, se não for a mais cara, está entre as três mais caras do país por deputado. Os milhões que são repassados mensalmente para a Assembleia Legislativa, e a cada ano aumenta mais, parte deles vão para cobrir o gastos para manter a TV, a rádio e as mídias sociais da AL e que tem dezenas de profissionais competentes.
Agora me explica, uma instituição que tem uma estrutura de mídia completa, rádio, TV e internet, com funcionários competentes e que atinge todo o estado de Mato Grosso, por que gastar milhões com a mídia privada? Se o cidadão tiver interesse em acompanhar as atividades dos deputados, o que é quase uma obrigação de todo eleitor, basta utilizar esses canais que a própria AL disponibiliza. Aí eu garanto que o dinheiro que a AL gasta com a mídia privada daria para resolver o problema de pelo menos quatro hospitais regionais de Mato Grosso.

Não traria também prejuízo algum aos servidores, aos deputados e a sociedade se o duodécimo repassado mensalmente pelo governo do estado fosse reduzido pela metade, assim como as verbas de gabinete de cada deputado fosse cortada pela metade. Como eu disse, não traria prejuízo para ninguém, muito pelo contrário, o povo mato-grossense e os prefeitos ficariam agradecidos se esse dinheiro fosse destinado para os municípios, para a atenção básica e para os hospitais de referência.

Além da crítica que eu faço ao Ministério Público, de deixar correr frouxo o que acontece AL, quero fazer um alerta ao povo: durante três anos do atual governo, a saúde está um caos, já passaram por lá cinco secretários, mas os deputados da base, que são maioria absoluta, jamais se manifestaram, muito pelo contrário, usaram da tribuna para defender o governo e para ridicularizar um vídeo de um médico de Sorriso, que de forma emocionada, expôs a situação caótica que se encontra aquela unidade hospitalar. Isso, porque a cidade de Sorriso tem dois representantes na AL, o ex-prefeito, Zé Domingos, e o deputado Mauro Savi. De um tempinho para cá, após três anos, os deputados começaram a fazer críticas a gestão da saúde do atual governo. Será que só agora perceberam? Não. O motivo dessa gritaria toda é porque o governador botou a frente da saúde agora, uma pessoa que tem um profundo conhecimento do Sistema Único de Saúde, é honesto, defende com unhas dentes a saúde pública, não rouba e não deixa roubar.

Não era de se esperar nada dessa atual legislatura, com raras exceções, são extremamente submissos e obedientes ao executivo. E, para piorar, hoje é presidida pelo deputado Botelho, velho conhecido dos bastidores da política e, segundo quem trabalha no segmento, dono da construtora Nhambiquara, que trabalha única e exclusivamente com obras públicas e também seria dono da empresa de ônibus mais lucrativa do estado, que faz o intermunicipal entre Várzea Grande e Cuiabá. Ele foi também um dos maiores apoiadores da eleição do atual governador, juntamente com Aldo Locateli, que era presidente do sindicato dos revendedores de combustível de MT.

O VLT, que faria a rota Várzea Grande/CPA/Coxipó, tiraria mais de duzentos ônibus de circulação, que utilizam diesel, vendido pelos donos de postos de gasolina. Deu para entender por que o governo não mexeu e nem vai mexer uma palha no VLT, ou quer que eu desenhe?

Observação: Cuiabá tem a maior tarifa de transporte público e está entre as três cidades com o pior serviço do país!

Rodrigo Rodrigues é secretário de Comunicação da Câmara de Cuiabá
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