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Marcos Bidoia
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Sábado, 08 de fevereiro de 2014, 22h29

Preciso

Preciso de um cinzeiro mais que um cigarro. Me colocar em cinzas. Nem renascer quero.

Mais de um lenço do que a mão que o estende. Um lençol, deitar de bruços para não me afogar nelas.

Lágrimas.

E outro para me cobrir. Da vergonha do choro - que não me vejam chorar!

Preciso mais das letras que das melodias, só preciso lê-las. Ninguém precisa dizê-las, cantá-las, meus olhos entenderão as escritas e meu peito ouvirá a canção.

Preciso do copo mesmo vazio, a sede é tanta que o terá cheio. Já sei o sabor. Cheio ou vazio nunca sacia mesmo, já aprendi.

A sede é tanta!

Preciso de janelas e portas abertas, se fugir não será mais do que por poucas horas. A não ser que for melhor alimentado, e na boca.

Não sei me alimentar sozinho.

E preciso do ar das narinas mais do que o toque dos lábios, para me ressuscitar, como coisa de salva-vidas, me trazendo de volta em um filme anos 60 na sessão da tarde anos 80.

Só o ar... só o ar... aquele flutuar.

Preciso de sonhos mais do que dormir, quem dera sonhar as 6 da tarde.

Sem planos. Pousar nos sonhos dos outros como em campos num aeroplano.

E perguntar: e vc, do que precisa?

Marcos Bidoia é vendedor de parafusos e ferramentas em Primavera do Leste - Mato Grosso.... E filho de José Bidóia, o poeta das estradas.
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