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Eduardo Mahon
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Quinta, 17 de dezembro de 2015, 21h06

Carta ao presidente eleito da OAB

Essa carta aberta será publicada para firmar algumas verdades. A primeira delas é que a eleição da Ordem dos Advogados interessa à sociedade por ser a nossa instituição um dos refúgios para a defesa da democracia. Lamentavelmente, porém, a ordem democrática foi turbada por doações ilegais e imorais que, embora desimportantes em termos de impacto eleitoral, mancharam a imagem institucional, assim como declarações sobre boca de urna de apoiadores desesperados que pareciam não respeitar decisões judiciais. Na verdade, Senhor Presidente, todos esses episódios tristes protagonizados por Vossa Excelência e pelos demais competidores fizeram com que metade dos advogados sequer exercessem o direito ao voto. E, dos eleitores, ninguém obteve margem próxima de metade, ou seja, a legitimidade de Vossa Excelência não é majoritária, em que pese o meu respeito pelo resultado do escrutínio das urnas. Agora, já é hora de superarmos as deselegâncias eleitorais que deixaram a nossa comunidade perplexa com tão baixo nível.


Senhor Presidente, durante a campanha de Vossa Excelência, a plataforma de transparência foi uma tônica constante. No entanto, as contas da Caixa de Assistência deixam muito a desejar e, portanto, os advogados deram um voto de confiança para que a sua equipe faça completamente diferente do que Vossa Excelência fez como gestor até o presente momento. A Ordem dos Advogados é uma instituição que deve pautar a sociedade com o exemplo. Sendo assim, as contas da entidade que foram palco de disputa judicial para que advogados tivessem acesso, deverão estar detalhadas no sítio virtual, inclusive com o demonstrativo de notas fiscais. É preciso instituirmos critérios objetivos de contratação de serviços e aquisição de material, assim como um sistema de acompanhamento em tempo real. E, por falar em transparência, é primordial que a escolha para o quinto constitucional parta de uma consulta direta a todos os advogados regulares, considerando sobremodo a pouca legitimidade de Vossa Excelência e do Conselho Estadual recentemente, eleito por margem que daria oportunidade a segundo turno em qualquer regime mais democrático do que o nosso.


Assim sendo, Senhor Presidente, rogamos sucesso em sua gestão. Quem torcer pelo fracasso da administração de Vossa Excelência certamente estará torcendo pelo insucesso dos advogados mato-grossenses. E isso não é aceitável, ainda que haja fortes questionamentos legais e morais quanto ao comportamento eleitoral do presidente e dos apoiadores e contratados. Lembre-se que o poder é vão. Lembre-se que o atual gestor amargou uma derrota histórica, podendo ocorrer o mesmo com Vossa Excelência e seus apoiadores. Quero acreditar que, na condição de líder, Vossa Excelência sublimará essas falhas passadas de ordem legal e moral para dar o exemplo que todos nós merecemos. Independência, honestidade e transparência, são os pilares nos quais a legitimidade virá nos próximos três anos. Quanto aos demais candidatos, a hora é de desarmar as escaramuças para somarem-se com sugestões, fiscalização e até mesmo críticas. De nada adianta a omissão no período administrativo para criar uma plataforma eleitoral pouco consistente de última hora. Somos todos advogados e queremos que nossa profissão seja valorizada e do novo Presidente esperamos equilíbrio, nível e atenção especial ao que disseram as urnas, ou melhor, o que deixaram de dizer a Vossa Excelência.

Eduardo Mahon é advogado em Mato Grosso.
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