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Pedro Cardoso da Costa
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Segunda, 01 de junho de 2015, 00h42

Uma cidade quase ideal

Todo cidadão quer viver numa cidade onde os serviços sejam eficientes. Embora o desejo seja generalizado, são poucos que agem ou cobram do poder público essa prestação adequada.

Alguns fatores são determinantes para isso. Primeiro, é uma preguiça em se informar com precisão sobre o que seria uma cidade com serviços de qualidade satisfatória.

Em qualquer grande cidade, os moradores conhecem o posto de saúde de um bairro, mas a grande maioria não sabe – nem procura saber - quais são as especialidades médicas cobertas por aquele posto, nem o dia de plantão de cada médico, nem a carga horária. Caso se desentenda com algum funcionário ou fique insatisfeito de alguma forma, ninguém conhece os superiores a quem reclamar, muito menos os meios para se manifestar.

São os próprios órgãos públicos que dificultam esse conhecimento para não serem devidamente cobrados.

Bastaria que uma prefeitura distribuísse panfletos aos moradores do bairro com o quadro de funcionários do posto, da escola, da creche, com carga horária completa e nomes e contatos dos superiores, das ouvidorias e de outros órgãos de controle.

Caso pretenda evitar essa despesa, poderia disponibilizar nos sites oficiais. Aos poucos as pessoas se habituariam a saber quais são os profissionais responsáveis pelo atendimento em cada área.

Os gestores públicos não se preocupam em aprimorar as condições de atendimento de serviços oferecidos. Sempre rebatem por meio de "notas de esclarecimento" com menção a dados estatísticos fornecidos pelos próprios servidores.

Há um divórcio total entre a realidade vivida no cotidiano das pessoas e as citações dos gestores. É como se os munícipes estivessem mentindo, quando câmeras comprovam que o caos é maior do que as queixas cotidianas.

Para chegar a uma qualidade plenamente satisfatória que defina o que seria uma cidade ideal, os cidadãos precisariam mudar alguns comportamentos, e forçar que os administradores lhe forneçam serviços eficazes de fato, encarando naturalmente como dever, e sem nenhuma benevolência a quem negligenciar.

Depois, controlar a frequência dos servidores para que cumpram suas cargas horárias, sem as tão comuns saídas do expediente.

Exigir qualificação dos prestadores de serviços terceirizados. Não é porque terceiriza ou faz concessão que os prestadores podem entregar como bem entender. E um exemplo comum são os maus motoristas de ônibus, que saem sacolejando pessoas como se fossem objetos pelas cidades brasileiras.

Seria ainda mais importante se os órgãos de fiscalização tivessem suas atividades acompanhadas bem de perto, pois se houvesse o devido acompanhamento, com medidas preventivas e punições aos desobedientes, as cidades poderiam até não ser ideais, mas, com certeza, seriam bem melhores para todos.


Fumante, não jogue bituca no chão. A rua é de todos.

Pedro Cardoso da Costa é Bacharel em Direito - Interlagos, São Paulo
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