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Pedro Cardoso da Costa
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Domingo, 06 de maio de 2012, 11h40

A limpeza virá, virá...

Como a sujeira é tamanha nos meandros políticos, a corrupção é o primeiro pensamento que vem com este título, mas a sujeira aqui tratada é mesmo a literal das cidades brasileiras. Trata-se de um problema crônico, decorrente e ligado à cultura do povo brasileiro.
Nas grandes cidades existem bairros com um nível de limpeza muito bom. Há outros que são verdadeiros focos de sujeira absoluta. O centro de todas as cidades são bastante sujos, tornando-se verdadeiros banheiros a céu aberto dos moradores de rua, que não sofrem nenhum tipo de punição, até pelas próprias condições em que vivem. Todos os locais de comércio mais intenso são muito sujos. Em São Paulo, são mais degradados os Largos Treze de Maio, de Pinheiros, a rua 25 de Março e adjacências; as proximidades dos terminais de ônibus e entrada de estações de metrô. Nesses locais a prefeitura destacar fiscais para orientarem imediatamente os pedestres que jogassem papéis e ponta de cigarro no chão. Alguns dias após, a mesma fiscalização deveria retornar aos locais para multar os sujões. Somente com medidas drásticas e bem visíveis se poderia chegar a um resultado bem positivo.
Algumas pessoas poderiam ter um engajamento maior em busca da solução. Pelo número de frequentadores diários nos estabelecimentos, os comerciantes deveriam ter por hábito limpar a calçada e a rua na extensão dos seus comércios permanentemente. Muitos empurram a sujeira das calçadas para a rua. Calçadas de pedra portuguesa têm as frestas entupidas por ponta de cigarro. Canteiros de jardins se tornam verdadeiros cinzeiros. Aliás, bituca transformou-se a principal sujeira em todas as cidades. Poucos têm conhecimento dos cinzeiros portáteis e nenhum fumante o utiliza.
Nos últimos anos, no rádio e na televisão, foram veiculadas várias campanhas oficiais com o objetivo de conscientizar a população. Elas trouxeram alguma melhoria, mas ainda estão longe de resolver o problema. Alguns comerciantes, bem poucos, colocam lixeiras e bituqueiras na frente dos estabelecimentos, mas quase não são utilizadas. As prefeituras poderiam fazer concessão ou convênio com empresas privadas para reciclarem o lixo. Deveria ter uma política nacional de reciclagem. Também existem iniciativas individuais que trariam grandes resultados. Cada cidadão deveria separar o material orgânico do inorgânico; poderia retirar cartazes dos postes de iluminação localizados na frente do imóvel para desestimular esse tipo de propaganda.
Qualquer mudança sempre provoca resistência, em maior ou menor grau. No hábito brasileiro de não conservar, de destruir e maltratar as cidades, a relutância é bem forte. Pichações estão por toda parte. Não existe um prédio público que não seja pichado, numa demonstração clara de rendição, à molecagem, dos órgãos de estados, das prefeituras e da União.
Imprescindível o apoio dos comerciantes para as cidades brasileiras alcançarem um nível de limpeza absoluto. Sem papéis voando pelas calçadas. Os cidadãos precisam ser alertados para não jogarem ponta de cigarro, papéis de bala nem borracha de chicletes nas ruas. Esse gesto só terá um fim quando for tão recriminado quanto alguém fazer cocô nas vias públicas. Um dia as cidades brasileiras se tonarão limpas, com base no que diz o jornalista Janio de Freitas num texto que dá título a este: a limpeza virá, virá, não porque seja assim sempre e fatalmente, mas porque a fossa alcançou o nível de transbordamento. A cultura brasileira da sujeira ainda há de ser vencida pela educação e civilidade. 

Pedro Cardoso da Costa é Bacharel em Direito - Interlagos, São Paulo
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