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João Carlos Spenthof
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Domingo, 08 de julho de 2018, 20h31

Impulso ao desenvolvimento local

Através da poupança e de outras aplicações, os associados geram o crédito que será usado por outros associados

 

 

Cooperativismo e desenvolvimento socioeconômico andam juntos. O primeiro fomenta o segundo, o que gera mais qualidade de vida para a comunidade onde a cooperativa está inserida. Um modelo diferente de organização de pessoas, o cooperativismo tem várias áreas de atuação, sendo uma delas a do crédito, que apesar de existir há mais de 100 anos no Brasil ainda tem uma taxa de penetração baixa, de apenas 3,4%, com amplo território para crescer. Em países desenvolvidos, a participação das pessoas nesse sistema passa da metade da população economicamente ativa, como nos Estados Unidos (52,6%) e na Irlanda (74,4%).

 

Nesse modelo de organização, as pessoas se unem por meio de cooperativas e se tornam sócias, tendo igual poder de voto nas decisões e compartilhando do mesmo ideal: de crescimento mútuo. É fácil entender o seu funcionamento. Através da poupança e de outras aplicações, os associados geram o crédito que será usado por outros associados, como produtores rurais e pequenos empreendedores, que vão investir nos seus negócios e gerar mais emprego e renda na comunidade.

 

É por isso que o cooperativismo de crédito é reconhecido por ser um fomentador do desenvolvimento local, já que os recursos administrados (captados e emprestados) pela cooperativa ficam na região onde ela atua, promovendo um ciclo virtuoso e constante de crescimento econômico e social. É evidente que o cooperativismo, através do crédito, tem o poder de mudar a realidade de muitas localidades, onde os bancos tradicionais não têm interesse de atuar. Também pode ser a solução para municípios carentes e aparentemente sem potencial econômico.

 

Uma comunidade desprovida de instituição financeira não tem perspectivas, mas se ela conta com uma cooperativa de crédito passa a ter chance de transformação. Isso porque a inclusão financeira desperta nas pessoas a vontade de sonhar, de fazer e de se reinventar. Daí surgem os pequenos empreendedores e agricultores, pois aqueles que já não tinham esperança de crescer passam a plantar mais, a vender mais e a ter mais dinheiro para reaplicar na produção e na cooperativa. Consequência real disso é a redução dos índices de pobreza e de desigualdade social.

 

Diferentemente dos bancos tradicionais, as cooperativas de crédito não trabalham em busca do lucro. Elas administram os recursos financeiros dos associados de forma que seja vantajoso para todos. Consequentemente, seus associados têm acesso a crédito com taxas e tarifas abaixo das praticadas no mercado e ainda compartilham dos resultados, ganhos financeiros registrados ao fim de cada exercício, e que são devolvidos aos associados conforme as operações feitas ao longo do ano. E é este um dos principais diferenciais entre o cooperativismo de crédito e o sistema bancário tradicional, pois a principal diferença é a causa.

 

Esse modelo de governança é o mesmo utilizado pelo Sicredi, instituição financeira cooperativa com mais de 100 anos de atuação no Brasil e que atualmente reúne 3,7 milhões de associados em 22 estados e no Distrito Federal. São pessoas que acreditam que o cooperativismo pode mudar a realidade das comunidades. Na região Centro Norte, que abrange os estados de Mato Grosso, Rondônia, Pará e Acre, o Sicredi tem mais de 388 mil associados, distribuídos em 10 cooperativas. E essas cooperativas têm um grande feito para comemorar, o atingimento da marca de R$ 10 bilhões em ativos. Desse montante, a carteira de crédito chega perto de R$ 8 bilhões, sendo que R$ 6 bilhões provêm do crédito rural e R$ 2 bilhões do crédito comercial. E o que isso significa? Significa que, juntas, essas cooperativas administram R$ 10 bilhões em recursos que circulam nas comunidades em forma de crédito para empresas, pessoas físicas e produtores rurais.

 

Na região Centro Norte, o Sicredi está presente em 134 municípios. Em 34 deles, sendo 33 em Mato Grosso, é a única instituição financeira disponível à população, o que comprova o interesse do cooperativismo pelas comunidades, mesmo aquelas distantes dos centros urbanos, mas que possuem potenciais, e acima de tudo, vontade de crescer, de se desenvolver e de ver suas realidades transformadas.

 

Outros números que merecem destaque são que 64,7% da nossa carteira de crédito estão em municípios com até 50 mil habitantes; 55,8% da nossa carteira de crédito Pessoa Jurídica estão em empresas com faturamento anual até R$ 3,6 milhões (pequenas e médias empresas); e do total de operações de crédito rural (25.255), 43% atenderam os agricultores familiares, responsáveis por 10.781 operações. A pulverização na concessão de crédito ajuda a tirar essas localidades da condição de estagnação levando-as a uma ascendente posição nos indicadores econômicos e sociais.

 

Ao fim de 2017 contabilizamos 165 agências na região Centro Norte, seis inauguradas no ano passado. Em Mato Grosso são 139. No país temos 1.587 agências em 1.212 cidades, com previsão de abertura de outras 142 ao longo do ano. O movimento expansionista do Sicredi vai na contramão dos bancos tradicionais, que ao invés de abrir novas agências registrou fechamento recorde em 2017. Segundo o Banco Central, no último ano 1.485 agências foram fechadas no país, processo protagonizado por grandes bancos. O ano terminou com 21.062 agências em funcionamento, contração de 6,5% se comparado a 2016.

 

A trajetória de crescimento do Sicredi é uma prova da solidez do negócio e da confiança depositada na instituição financeira cooperativa por seus associados. Demonstra a força que o cooperativismo de crédito tem e que, mesmo diante da crise econômica brasileira, se mantém firme, cresce e gera perspectivas de desenvolvimento, pois o cooperativismo de crédito não é um agente financeiro, é um agente indutor de transformação, que muda para melhor a vida das pessoas e seus efeitos repercutem na prosperidade da comunidade.

João Carlos Spenthof é presidente do Sicredi Centro Norte.
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