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Gustavo Garcia
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Quinta, 29 de março de 2018, 17h23

Combate a violência contra mulher é dever de todos

As mulheres são fundamentais no sistema de Segurança Pública. Nossas escrivãs, investigadoras, delegadas, militares de praças a coronéis na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros, peritas, médicas legistas, técnicas de necropsia e servidoras do Detran despejam sensibilidade, profissionalismo e acolhimento em nossas atividades, humanizando nossas instituições, tornando-as mais cidadãs.
Graças ao esforço pessoal e vencendo barreiras de preconceito, os desafios de conciliar a criação dos filhos com trabalho, elas foram ocupando cargos estratégicos, chefiando delegacias, comandando batalhões, gerenciando unidades da Politec e a diretoria do Detran.

Mas temos, tanto homens quanto mulheres, um desafio muito grande na segurança: combater a violência contra a mulher. Como resolver situações de homens que não aceitam a separação? Como vamos fazer com que os homens não intimidem suas companheiras, filhas, namoradas ou mães? Como fazer com que os homens não assediem suas funcionárias? Acredito que esse desafio não seja apenas da Segurança.

O problema da violência doméstica nasce no lar, nas paredes de uma propriedade privada, onde não é possível fazer ronda policial. Acredito que a mudança seja cultural, seja no comportamento, na criação dos homens e das mulheres. Na igualdade dos direitos e dos deveres; desde a limpeza da casa e responsabilidade na criação dos filhos até a igualdade salarial no mercado de trabalho.

O que cabe a segurança temos nos esforçado para combater. Dos seis casos de feminicídios em Cuiabá e Várzea Grande todos os autores foram identificados pela Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa. Contudo, não teremos, infelizmente, essas vidas de volta. Indubitavelmente existe um esforço das unidades da Polícia Judiciária Civil em concluir os inquéritos que tratam sobre a violência contra a mulher com celeridade e eficiência.

A Polícia Militar, também atenta em enfrentar a violência doméstica, conta, em algumas cidades de Mato Grosso, com o programa de Patrulha Maria da Penha. Em Rondonópolis, por exemplo, as vítimas de agressão recebem visita dos policiais, mostrando que a PM é proativa e se preocupa em proteger as mulheres que estão em situação de vulnerabilidade.

Em Barra do Garças temos um projeto modelo de Rede de Enfrentamento a Violência Doméstica, envolvendo a PM, PJC, Politec, Defensoria Pública, Ministério Público, Judiciário e a prefeitura, que foi premiado nacionalmente. O objetivo é reduzir os índices de violência contra a mulher e a implementação da política de proteção às vítimas, visando à promoção da justiça e da equidade social.

Precisamos replicar esse modelo, que busca uma atuação multidisciplinar em prol da mulher. Registra-se que há cerca de 4 anos não houve mortes de mulheres por crimes passionais em Barra do Garças.

A Segurança Pública é a última fronteira antes da barbárie. Precisamos, todos nós, escolas, saúde pública, famílias, sociedade civil organizada, polícias, Ministério Público, Defensoria Pública, Executivo, Legislativo e Poder Judiciário, trabalhar juntos para combater a violência contra a mulher.

Gustavo Garcia é Secretário de Estado de Segurança Pública em Mato Grosso.

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