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Kleber Lima
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Quinta, 19 de setembro de 2013, 17h12

Edson Miranda

"Sujeito de cultura rica, era apenas despojado.
Era direita declarada e convicta, mas lúcido."

Eu era vestibulando aprovado, mas ainda não matriculado, para o curso de Comunicação Social da UFMT no início da década de 1990 quando tive a oportunidade de conhecer o então candidato a reitor Edson Miranda, professor da Faculdade de Administração, Economia e Ciências Contáveis (FAECC).

De tão simples e coloquial, com trajes absolutamente casuais, aquele sujeito moreno e miúdo não combinava com o arquétipo de membro da “Academia”, quanto mais de candidato ao cargo de Magnífico Reitor.

Edson Miranda era, na verdade, um anti-candidato, e salvo engano disputava com Luzia Guimarães e Fernando Nogueira.

Edson Miranda, todavia, era muito mais do que aparentava. Sujeito de cultura rica, era apenas despojado. Era direita declarada e convicta, mas lúcido. De humor fino, adorava provocar a esquerda com piadas e pegadinhas, tal como citar um capítulo inexistente de O Capital (Karl Marx) fundamentar suas teses de direita – e ao mesmo tempo testar o conhecimento de seu antípoda eventual. Como diz Paulo Leite, Miranda era um provocador nato.

Na política serviu a governos e projetos diferentes, mas na condição de quadro intelectual.

Desde que se aposentou da UFMT, contudo, este quadro da política mato-grossense caiu no ostracismo. Não era visto com tanta frequência nas rodas do poder, mas tive a felicidade de me encontrar com ele diversas vezes em restaurantes, bares, e trocar sempre meia hora de conversa muito agradável.

Sim, nos tornamos bons amigos e sempre que dava gostávamos de compartilhar nossos pontos de vista sobre política, atualidade, etc.

Edson Miranda não se elegeu reitor da UFMT e caiu no esquecimento nos últimos anos, e seu nome não faz diz muita coisa às gerações mais jovens.

Mas, com certeza, aqueles que o conheceram e privaram de sua amizade e sabedoria – como eu quando ainda garoto – sentirão que Mato Grosso perdeu um naco de sua inteligência, bom humor e perspicácia. Rogo para que, contrariando a lenda urbana, Edson Miranda não morra para sempre por ter morrido em Cuiabá e que sua história e suas contribuições possam ser conhecidas por longo tempo.

(*) Kleber Lima é jornalista pós-graduado, pesquisador e consultor de comunicação e marketing político-eleitoral, exercendo atualmente a função de Secretário de Estado de Cultura do Governo de Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br
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