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Kleber Lima
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Quinta, 22 de julho de 2010, 19h14

Moisés e a Travessia

Uma das passagens bíblicas mais conhecidas no mundo ocidental é saga de Moisés na condução do Povo de Israel à Canaã - a Terra Prometida. Encurralado entre as montanhas e o Mar Vermelho pelo exército do Faraó, Moisés obtém um milagre e, com seu cetro erguido sobre a cabeça, cria ventos de mais de 150 km por hora que abrem os mais de 1900 km de extensão do golfo que separa o Oceano Índico da África e Ásia. Com isso, permite que seu povo atravesse o mar por terra seca. Quando o exército do Faraó tenta imitá-los, sem a mesma fé, os soldados morrem tragados pelas ondas que se fecham, e submergem nos mais de 500 metros de profundidade do Mar Vermelho.

Não entendo muita coisa de Bíblia, e me socorri na Wikipédia para refrescar uma memória já distante dos tempos de Ensino Religioso na Escola Filinto Müller, em Barra do Garças. Aqui, contudo, a Travessia do Mar Vermelho me veio como metáfora da saída de Moisés Sachetti do PR. Erguendo seu cetro acima da cabeça enterrada em um pescoço curto, o nosso Moisés está provocando a Travessia de boa parte do partido que ajudou a construir. Dessa vez, contudo, não visa à Terra Prometida, mas sim ao embarque na canoa de Mauro Mendes. Mal comparando os Moisés – um movido pela fé e outro pela impetuosidade -, não se sabe se o destino desse povo será uma embarcação segura e confiável ao final do caminho, ou se, sem a mesma fé, acabará ele próprio morrendo afogado no mar do ressentimento. Não demoraremos, contudo, 40 anos vagueando pelo deserto, como ocorreu com o Povo de Moisés, o Profeta, até chegar a Canaã. Os seguidores de Moisés, o Impetuoso, saberão o valor de sua fé daqui a cerca de 90 dias.

Durante a Travessia, Moisés – o Profeta -, recebeu as Tábuas Sagradas com os 10 Mandamentos. Já o nosso Moisés me revelou ontem as suas três leis para as eleições deste ano. Sujeito inteligente e ator destacado da cena política de Mato Grosso dos últimos sete anos, Moisés Sachetti, ao justificar sua adesão a Mauro Mendes, me revelou como vê os três principais candidatos ao Governo.

Silval Barbosa, ao chamar para vice Chico Daltro, representa, na sua visão, uma chapa “muito legislativa”, dado que ambos foram deputados estaduais. Acha que isso criará um conflito entre os poderes, dando ao Legislativo uma predominância sobre o Executivo. Não falou nem eu lhe perguntei como ficaria o Judiciário nesse contexto. Falha minha.

Já a chapa Mauro Mendes e Otaviano Pivetta o atraiu porque a considera a chapa do “empreendedorismo”, conceito com o qual se identifica mais. Perguntado se Pivetta pode mesmo ser considerado um grande empreendedor, tendo em vista os rumores do mercado de que sua empresa estaria quebrada ou à beira da bancarrota, respondeu que “falo no domínio público da coisa”. Ah, bom. Não perguntei sobre o empreendedorismo do Mauro relacionado aos incentivos fiscais. Outra falha minha.

Quanto a Wilson Santos ele resumiu como um projeto “temerário”. Pintou uma dúvida na hora sobre o significado da palavra. Recorri ao dicionário: “Arriscado, imprudente, perigoso, infundado”. Ele concordou que era isso mesmo. Na opinião do nosso Profeta, o projeto tucano vive todo esse perigo em função da instabilidade jurídica de Wilson Santos, ainda não considerado oficialmente candidato por pendências jurídicas da campanha de 2008.

Perguntei também ao Moisés se ele teve o consentimento ou o beneplácito de Blairo Maggi para ir com Mauro Mendes. Disse que não precisa do consentimento de ninguém e que tomou a decisão de forma madura e pessoal. Perguntei se vota em Blairo Maggi. Disse que ainda não se decidiu. Garantiu que um voto dará a Pedro Taques. Perguntei se vai puxar as pessoas que levou ao PR para a Travessia do Mar Vermelho. Disse que é coordenador do Mauro Mendes, que vai trabalhar para vencer as eleições, e que a maioria dos membros do PR com os quais se relaciona se identifica mais com o espírito empreendedor de Mauro e Pivetta. Disse-lhe que discordo da maioria dos seus conceitos, e que não acredito que ele não vá votar e nem pedir votos a Blairo. Despedimos-nos e encerramos o telefonema. Grande sujeito, o nosso Moisés.
 

(*) Kleber Lima é jornalista pós-graduado, pesquisador e consultor de comunicação e marketing político-eleitoral, exercendo atualmente a função de Secretário de Estado de Cultura do Governo de Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br
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