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Kleber Lima
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Sábado, 03 de abril de 2010, 11h34

Os novos líderes

Mato Grosso e Cuiabá são governados a partir de hoje por novos gestores. As posses de Silval Barbosa no Paiaguás e Chico Galindo no Alencastro se revestem de importância prática e também simbólica.

Do ponto de vista prático, embora ambos terem afirmado ontem durante suas posses que vão manter os programas propostos por seus antecessores, de quem eram suplentes, sempre há mudanças de forma e estilo, quando não de mérito mesmo. No caso de Silval, essas mudanças devem ocorrer com menos intensidade, pelo fato de seu tempo de governo ser de apenas noves meses, e também pelo fato de Blairo Maggi ter deixado o cargo, ontem, com uma aprovação de 92%, segundo pesquisa Vox Populi divulgada na semana passada (na verdade, a aprovação real, descontando a desaprovação da aprovação, é de 76%, mas nem por isso menos retumbante). Silval deu pistas fortes durante sua posse que mexerá o menos possível, inclusive com a manutenção da maioria dos secretários de Maggi no seu governo.

Já em Cuiabá a história é outra. Chico Galindo tem dois anos e nove meses para governar a cidade. Terá tempo para fazer seu próprio governo, com seu planejamento, sua cara. Além do que, Wilson Santos repassou-lhe a prefeitura com uma avaliação negativa muito alta, em torno de 50 a 60% de ruim e péssimo de acordo com várias pesquisas conhecidas, e a cidade vivendo um caos urbano, em especial com as vias públicas num estado de quase intrafegabilidade.

Neste contexto, as maiores expectativas de mudanças mais radicais situam-se no campo da administração municipal. O Governo Chico Galindo se diferenciará de que forma do Governo Wilson Santos? Conseguirá o Galindo dar uma resposta rápida para os problemas de infra-estrutura de Cuiabá? E a relação com os servidores, hoje tensa e intolerante, permitirá que ele consiga implementar seus projetos a curto prazo?

Essas respostas só virão com o tempo, claro. Mas, pode-se entender como elas ocorrerão. E aqui entramos no aspecto simbólico das mudanças. Um novo governo trás consigo, sempre, a renovação das expectativas da sociedade. A intolerância que possa haver recua. Todos acabam dando um voto de confiança ao novo líder. Isso vale para Galindo e também para Silval, mesmo com a ressalva de que último assume o Governo numa relação muito confortável com a opinião pública que aquele.

Contudo, o fator eleição altera o tempo cronológico. Numa eleição, o tempo é acelerado, os humores da opinião pública se alternam com mais facilidade, velocidade e intensidade. Por essa razão, as eleições exercem uma pressão muito forte nos governantes, porque eles sabem que precisam dar respostas rápidas para evitar maiores problemas com essa hipersensibilidade política da sociedade, que começa com os formadores de opinião, mas vai se ampliando até chegar ao cidadão comum, na medida em que vai-se aproximando do dia do sufrágio.

Neste aspecto Galindo leva uma ligeira vantagem sobre Silval, sem prejuízo do que já foi dito sobre a situação política de ambos no momento em que assumem os cargos em caráter definitivo: o prefeito de Cuiabá não é candidato, ao passo que o governador é. Mas, mesmo sem ser candidato ele apóia um candidato, e seu desempenho administrativo exercerá influência no desempenho eleitoral de seu candidato, Wilson Santos, no caso, diria, com razão, o leitor.

Essa é quase a mesma discussão sobre a transferência de votos. Essa conexão não é objetiva, pode ou não se realizar, mas com certeza ela é mais factível quando o candidato é gestor. Além do mais, ninguém garante que Galindo manterá o apoio a Wilson, tampouco que Wilson explorará seu apoio, especialmente na hipótese de seu sucessor não dar as respostas que a população ansia.

Tanto Galindo como Silval precisarão também fazer uma nova engenharia partidária para garantir sua governabilidade junto aos respectivos legislativos. Fora das casas legislativas, há outra engenharia para os palanques eleitorais. Os partidos são os mesmos. Num contexto desses, quem optar por um, provavelmente terá que excluir o outro. E ainda tem as demais candidaturas, que também entram na briga de governabilidade e palanques. Nisso Silval e Galindo possuem algumas semelhanças, e ambos são vistos com bons articuladores, pacientes, jeitosos, com um bom jogo de cintura. Que comecem, pois, seus governos para que as verdades sobre um e outro sejam finalmente postas a prova.

(*) Kleber Lima é jornalista pós-graduado, pesquisador e consultor de comunicação e marketing político-eleitoral, exercendo atualmente a função de Secretário de Estado de Cultura do Governo de Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br
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