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Kleber Lima
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Sexta, 01 de outubro de 2010, 12h43

O enterro do Galo

As eleições deste ano em Mato Grosso ficarão indelevelmente marcadas por alguns episódios, entre os quais destaco três.


O primeiro é a sordidez embutida na estratégia eleitoral baseada no terror, na mentira e no ódio, armas usadas pelo candidato Antero Paes de Barros – conhecido fundador do Comitê da Maldade – contra o candidato Carlos Abicalil. A acusação envolvendo o tema do aborto foi um triste espetáculo dessa mistura explosiva da mentira com o ódio e o fanatismo, que feriu gravemente não apenas o desempenho eleitoral de Abicalil, mas principalmente reputação do Antero, que apequenou-se diante do fato, afetado pelo ódio e contaminado pelo vale-tudo eleitoral.

A atitude desesperada do Antero foi horrorosa, doentia e burra. É fato que tirou votos do Abicalil, porque a ingenuidade do eleitor diante de certos temas é perturbadora. Entretanto, Antero não se beneficiou em nada disso, porque cada voto perdido pelo Abicalil, segundo indica a maioria das pesquisas que se sucederam ao caso, migrou para Pedro Taques e até para o Procurador Mauro. Sinal de que o eleitor - e nesse caso sabiamente - já tinha excluído, a priori, o Antero das suas opções de voto. E de mais a mais, sua postura de neo-fervoroso defensor das causas humanitárias, francamente, não combinou nem um pouco com seu histórico de político ressentido e ardiloso.

O segundo caso destacável é a insustentabilidade do ser artificial criado pelos que acreditam que marketing é magia e brincadeira. Mauro Mendes é político de proveta, criado em laboratório por um ato falho de Blairo Maggi, que deve estar muito arrependido de ter brincado de Deus ao tentar criar um sucessor à sua imagem e semelhança, e depois desiludiu-se com a revolta da criatura. Mauro é um arremedo, uma imagem refletida, nem longe é o que tenta parecer ser, e já envelheceu mais rápido do que nasceu. Grande lição para quem deseja entrar na política: ser mais autêntico à sua essência é fundamental para não cair na desmoralização e no descrédito.

Finalmente o caso mais retumbante das eleições de 2010 em Mato Grosso é a tragédia de Wilson Santos. Escrevi aqui neste espaço, em dezembro do ano passado, que Wilson tinha duas opções: renunciar ao projeto eleitoral, restabelecer sua base social e política de sustentação para salvar sua administração na prefeitura de Cuiabá e sua carreira, ou aventurar-se numa eleição para a qual não tinha nenhuma chance. Ele optou pelo caminho mais fácil de livrar-se do abacaxi que era a sua administração, acreditando num badalado milagre que ir-se-ia acontecer para levá-lo ao Palácio Paiaguás.

Wilson não errou na escolha, simplesmente. Ele fez muito mais que isso: revelou-nos que não tem grandeza tampouco estatura suficientes para assumir a condição de líder político. No melhor dos casos, era um bom suboficial. Jamais foi nem jamais será um comandante!

Mas, ele quis caprichar no seu desnudamento, para que nós nunca mais nos iludíssemos com sua retórica já manjada: ao que tudo indica, fez um escandaloso acordo político com Mauro Mendes, virando seu "laranja" na reta final das eleições deste ano, traindo toda a sua militância, traindo o Antero, traindo seus candidatos proporcionais, traindo a memória de Dante, e, o que é mais lamentável e aterrador: senão sepultou definitivamente sua carreira, é insofismável que destruiu sua reputação. Realmente uma pena, porque Wilson era uma das grandes promessas de toda uma geração. Na sua tumba política, certamente estará este o epitáfio: “Jaz aqui o político Wilson Santos, a prova irrefutável que a política ama a traição, mas abomina os traidores. Que a terra lhe seja leve!”.

(*) Kleber Lima é jornalista pós-graduado, pesquisador e consultor de comunicação e marketing político-eleitoral, exercendo atualmente a função de Secretário de Estado de Cultura do Governo de Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br
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