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Kleber Lima
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Quinta, 27 de maio de 2010, 00h07

Quanto pior, pior!

é jornalista e consultor de marketing em Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br.

Os deputados José Riva e Pedro Henry vocalizaram a denúncia de que as recentes operações da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal em Mato Grosso guardam uma mal-disfarçada estratégia de “judicializar” as eleições deste ano no Estado - colocando, não pelo voto, mas pela belicosa ação do aparato jurídico-policial -, a classe política em geral no limbo perante a opinião pública e o público, e com isso criar o ambiente de ‘terra arrasada’ para o posterior surgimento dos salvadores da pátria, determinados a tirar o Estado do esgoto. Não estão sozinhos nessa tese quase unânime entre políticos, embora tenham sido os únicos, até o momento, com coragem de dizê-lo publicamente.

Os autores de tal estratégia seriam, basicamente, o juiz Julier Sebastião da Silva, o procurador da República Mário Lúcio Avelar e o ex-procurador da República Pedro Taques, que seria, de acordo com a denúncia, o beneficiário-mor direto do expurgo ético, uma vez que é (pré) candidato a senador este ano. Dos acusados, Pedro Taques e Julier reagiram. Este mais comedido, apenas tentando explicar suas decisões; já aquele, de forma mais contundente, acusando seus antípodas de criminosos, com os quais não se preocupa.

De fato, Mato Grosso está vivendo um momento único da sua história. Praticamente todas as instituições estaduais estão sob intensa exposição. Nos últimos meses Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Maçonaria, Igrejas, Entidades, Empresas, estiveram ou estão relacionadas a escândalos que invariavelmente envolvem corrupção e acabam nas páginas policiais.

Alguém que chegasse ao Estado nesse momento, ou que tivesse parado para observá-lo pela imprensa, mesmo estando fora, pensaria tratar-se de uma grande lavanderia ética e moral a que todos nós estaríamos submetidos.

A exposição no sentido do controle social, da transparência a que todas as instituições públicas devem estar submetidas, da fiscalização, da apuração de eventos suspeitos, etc, será sempre bem-vinda, visto que é benigna ao tecido social e democrático. No momento em que a exposição vira execração, contudo, o benigno vira maligno e o futuro passa a ser a incerteza.

As recentes operações da justiça e polícia federal em Mato Grosso com suas prisões no atacado - e as que estão por vir, segundo se especula em toda esquina –, e suas repercussões na vida social do Estado forçam à reflexão se estamos de fato vivendo uma grande e inevitável exposição das nossas feridas, ou, por outro lado, se muito desse triste espetáculo não é mera execração, se vivemos uma judicialização das eleições ou um justiciamento de políticos.

Se os argumentos de Riva e Henry não interessam a Pedro Taques e a Julier, deveriam interessar à sociedade, assim como os argumentos das nossas autoridades jurídicas. Afinal, se estamos mesmo no ‘merdatório’, se tudo e todos em Mato Grosso somos bandidos, perigosos criminosos, sem direito a defesa, vítimas de nossa própria cobiça, vaidade e maldade inata, por que, afinal, apenas algumas ilustres autoridades judiciais federais estariam limpos nessa fedentina toda e seriam as merecedoras do nosso crédito?!

Na turba que se armou no Estado, cujas conseqüências não estão todas determinadas, está reservado um papel fundamental à sociedade. O primeiro e é tomar consciência de que o “quanto pior, melhor” é inconseqüente e reacionário, e leva à barbárie em vez da esperança. O segundo é exigir que tudo aquilo que seja suspeito de ferir o interesse público seja, sim, firmemente apurado e posto à prova, levado aos tribunais e, sendo o caso, sentenciado da forma mais veemente permitida pela lei. E o terceiro é não tolerar que em nome de um senso de justiça faccioso, que foca personagens e não coletividade, direitos fundamentais sejam violados, que o devido processo legal seja pisoteado, que o Estado Democrático de Direito seja desrespeitado. Afinal, ninguém individualmente, a menos que pense ser Deus, pode decidir aquilo que só pode ser determinado pela vontade soberana do cidadão em uma democracia, que é o voto.

Esse debate sobre a judicialização ou não das eleições deste ano em Mato Grosso acaba precedendo outros temas, como desenvolvimento, sustentabilidade, etc, pois, sendo verdade que há magistrados tentando tomar o lugar do eleitor; sendo verdade que todos os nossos políticos são ladrões e criminosos, talvez seja melhor nem termos eleições e rogarmos por ajuda divina, porque toda sociedade que precisa de um salvador da pátria já está deteriorada e não o sabe.

(*) Kleber Lima é jornalista pós-graduado, pesquisador e consultor de comunicação e marketing político-eleitoral, exercendo atualmente a função de Secretário de Estado de Cultura do Governo de Mato Grosso. E-mail: kleberlima@terra.com.br
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