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Jairo Pitolé Sant'Ana
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Quarta, 21 de fevereiro de 2018, 08h43

Público e privado

No Brasil tudo é previsível, especialmente na aceitação dos privilégios dos que se consideram casta e na condenação, quando algum benefício tem como destino o andar de baixo, os despossuídos.

Um exemplo é o Bolsa Família. Embora destinado a quem tem uma renda (chamam isso de renda) pessoal de até R$ 185 e repasse entre R$ 39 e R$ 372, dependendo do número de filhos, é execrado por boa parte da população. Seus beneficiados chegam a ser chamados de vagabundos (como os aposentados já foram um dia), parasitas e preguiçosos, e as migalhas, transformadas em “fatores de desequilíbrio da economia brasileira”.

Aproveitando a deixa, parece não existir políticas públicas neste país. Inexplicável nada ter sido feito para evitar a contínua violência no trânsito e seus custos. Segundo o site Autoescola Online, por causa disso gastou-se R$ 40 bilhões em 2014, entre despesas hospitalares, perda de produção (do acidentado) e danos ao veículo.

Ah! Este valor é superior aos investimentos em melhoria da infraestrutura rodoviária e em campanhas educativas.

Doenças já erradicadas, como febre amarela e tuberculoses, estão de volta, pelo total desprezo à saúde pública. Como gasolina ou energia elétrica, a vacina é racionada e ministrada a conta-gotas.

Mas, ao contrário da inexistência de políticas públicas, proliferam-se as políticas privadas, desde que subsidiadas, óbvio, pelo dinheiro público (isto é, pertencente a um povo, à coletividade).

Por exemplo, nas duas últimas semanas antes da votação de uma denúncia contra ele pela Procuradoria Geral da República, Temer liberou R$ 15,3 bilhões em programas e emendas a estados e municípios, parcelou dívidas sem juros e a perder de vista e banca publicidade na tentativa de aprovação da reforma da Previdência.

Outro exemplo, é o tal auxílio-moradia, pagos pela União a servidores dos três poderes, mesmo pra quem tem moradia, há até um casal de juízes recebendo. Foram R$ 817 milhões em 2017, beneficiando quase 31 mil felizardos, entre, em ordem decrescente, juízes, promotores, desembargadores, conselheiros de tribunais de contas de estados e municípios, ministros de cortes superiores e nove ministros do TCU. O levantamento é do Senado Federal.

A grana é “legal” (chega a R$ 4.377,73), mas há quem a julgue imoral. Como há muitos a defendê-la, além dos beneficiados.

Jairo Pitolé Sant'Ana é jornalista em Cuiabá (MT) e foi assessor de imprensa do Centro Sebrae de Sustentabilidade ? coxipoassessoria@gmail.com
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