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Fellipe Corrêa
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Terça, 19 de junho de 2018, 11h25

Nossa democracia tem solução - e não é intervenção

Antes de 1500 o Brasil era território de muitos povos, de diferentes línguas e estruturas sociais, e sobre os quais pouco se sabe por conta do genocídio ao qual foram submetidos. Com a chegada dos portugueses por aqui, chegou também a monarquia que governou a Colônia, e depois o Império, até a proclamação da República em 1889; a escravidão havia sido abolida formalmente pouco mais de um ano antes.

Nos 100 anos seguintes, o Brasil intercalou governos oligárquicos com totalitarismo. Getúlio Vargas tomou o poder em 1930, outorgou uma Constituição 7 anos depois, fechou o parlamento, baniu os partidos, e fez censura, tortura e prisões sem processo legal até sua saída, em 1945. Menos de 20 anos depois, João Goulart é deposto e os militares fazem pior, conduzindo o país ao mais longo, obscuro e truculento período de totalitarismo do século.

Obedecendo à 3ª Lei de Newton, de que a toda ação corresponde a uma reação de igual intensidade, mas no sentido oposto, os atos indefensáveis da Ditadura contra a dignidade humana e as liberdades individuais levaram a sociedade brasileira à efervescência das Diretas Já e, quatro anos depois, à promulgação da Constituição Cidadã de 88. Nos 30 anos seguintes vivemos o maior período de estabilidade democrática desde o fim da monarquia.

Mas não foram anos de estabilidade política: Todos os nossos presidentes desde a redemocratização sofreram pedidos de impeachment, dois foram depostos pelo Congresso, um ex-presidente está preso e quase que a integralidade dos atuais agentes políticos estão em constante estado de alerta diante do risco de receberem uma visita das autoridades policiais, e cientes de que serão hostilizados em locais públicos - e, claro, na internet.

O que sobrou para nós, cidadãos, foram as consequências dessa montanha russa: Crises econômicas, inflação, desemprego, criminalidade crescente, destruição dos recursos naturais, desperdício de recursos públicos em obras abandonadas, sucessivos escândalos de corrupção, e muita desesperança. Impotência é o sentimento nacional, apropriado por aqueles que agora colocam cada brasileiro contra seu próximo, como se adversário fosse.

Não somos adversários. A crise em que vivemos é o resultado da falta de propósito do que queremos, como Nação. Os representantes que elegemos nas últimas três décadas, salvo raras exceções, se utilizaram de seus mandatos apenas para garantir reeleições sem fim e benesses, para si e seus comparsas. O que de fato confabulam a portas fechadas em Brasília passa longe de ser do conhecimento da sociedade brasileira.

A solução para a deturpação da nossa democracia está no mesmo lugar em que sempre esteve: Na educação. Não no português e matemática, pilares da educação básica pós-revolução industrial, mas na educação para o exercício da cidadania, para o controle social, que qualifique para participar, fiscalizar, votar e ser votado. A solução está em ensinar, de verdade, a todas as crianças brasileiras o que diz a Constituição que garante nossa democracia.

Se para cada cidadão se conta um voto, só a universalização desse conhecimento viabiliza uma democracia sadia, e a garantia da manutenção da própria democracia. Acima de todas as prioridades, esse é o papel da nossa geração: Educar as próximas gerações em todos os níveis sociais para o exercício da cidadania e do controle social, capacitando-as para que participem da definição e avaliação das políticas públicas e das prioridades estatais com a consciência de que somos todos ‘acionistas’ iguais em um Estado Democrático de Direito. 

Fellipe Correa é filiado à Rede Sustentabilidade e pré-candidato a deputado federal.
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