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Caiubi Kuhn
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Domingo, 08 de julho de 2018, 20h44

Essa obra não é minha, o legado!

Ter um cemitério de obras inacabadas é a pior forma de sepultar o dinheiro suado do povo mato-grossense.

Em 2014, escrevi um artigo abordando sobre a obra do Hospital Central que começou a ser construído em 1985 e até hoje não foi concluída. Se já não bastasse esse símbolo de inoperância do poder público, nestes últimos 4 anos a população do estado tem acompanhado um verdadeiro abandono de várias outras obras, algumas com valor elevado como o novo Hospital Júlio Muller, o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e os Centros de Treinamento da Copa (COTs), UFMT e Barra do Pari. A justificativa para o abandono não pode ser só o custo, pois obras com valor muito baixo como a guarita do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães que foi prometida para a copa até hoje também não foi entregue. Ao analisar os discursos do governo, fica a impressão que algumas obras são deixadas de lado por que não foram iniciadas pela administração atual. Fica então a pergunta, de quem são as obras públicas, de um governo ou do estado?

A saúde é uma das principais reivindicações da população, sempre quando vemos manifestações ou discursos políticos entre as falas aparece com destaque as preocupações com essa área. Hoje, em Cuiabá, temos três obras de hospitais públicos, uma do novo pronto socorro que está em andamento, outras duas são a do hospital central e do novo hospital Júlio Muller, esse segundo, apesar de ser federal, teve a obra paralisada devido ao fato de o governo do estado não ter cumprido sua parte para viabilizar a construção. É triste dizer, mas temos um cemitério de hospitais inacabados, e enquanto isso sobram filas nas unidades que estão abertas.

Os Centros Oficiais de Treinamentos (COTs) são outro exemplo, um pedaço do legado da copa que nem chegou a ser terminado, se a obra estivesse pronta poderia ser usada por atletas de diversas modalidades, além de possibilitar a realização de campeonatos regionais.

Mas o caso mais complexo é o VLT. Já foram gastos mais de um bilhão e com certeza parte deste dinheiro literalmente já foi levado por água abaixo, visto que parte da obra já foi deteriorada pela chuva, em alguns outros trechos árvores e palmeiras foram plantadas no canteiro "de obra". As 40 composições e os 280 vagões comprados estão abandonados e a cada dia perdem valor também, visto que além de serem deteriorados pelo tempo, também vão ficando pouco a pouco tecnologicamente defasados. Será que o estado desistiu da obra? E se desistiu o que será feito? Será que faltou coragem para tomar as atitudes necessárias? Os vagões serão vendidos na OLX?

Por fim, abordo sobre a guarita do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, uma obra com custo tão baixo, por que não foi concluída? Será que a principal unidade de conservação do estado não merece ter uma guarita adequada para recepcionar os turistas do mundo todo que nos visitam?

Ao analisar todo esse cenário de abandono, acredito que deve passar pela cabeça de alguns gestores do nosso estado, a ideia de que essas obras não são deles, mas se não são, de quem são essas obras? Quem paga a conta deste abandono é toda a população do estado de Mato Grosso. Ter um cemitério de obras inacabadas é a pior forma de sepultar o dinheiro suado do povo mato-grossense. Precisamos de um governo com coragem e atitude para mudar, basta de abandono e descaso com dinheiro público!

Caiubi Kuhn - Geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Docente do Instituto de Engenharia, Campus de Várzea Grande, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); Conselheiro-Titular do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA); Diretor de Benefícios e Relações Sindicais do Sindicato dos Geólogos do Estado de Mato Grosso (SINGEMAT); Presidente da Associação de Geólogos de Cuiabá (GEOCLUBE) E-mail: caiubigeologia@hotmail.com
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