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Amadeu Roberto Garrido de Paula
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Sábado, 01 de junho de 2019, 19h51

Só há uma solução: nova Assembleia Nacional Constituinte

Inúmeros povos se estrangularam em encruzilhadas.

Apenas um exemplo. A grande - e mal sucedida - Revolução Ideológica de Esquerda do século passado, não logra esconder em brumas emocionais suas grandes tragédias. 

O radicalismo inicial dos bolcheviques, seguido de uma guinada de 180 graus com a NEP (Nova Política Econômica). 

Sangrentos confrontos internos - dos quais o assassinato de Trotsky no México, por ordem e maquinação de Stálin, é o maior símbolo.

Os suicídios de poetas promissores que vinham antes da Revolução de outubro - futuristas, dadaístas, construtivistas, socialistas, enfim libertários - Jessenin e Maiakovski - não obstante tivessem apostado no sucesso do proletariado e na felicidade prometida pelo Partido.

Lenin expressou seu desgosto pela poesia de Maiakovski, que não comovia a sensibilidade popular em torno dos interesses revolucionários, ou de seu Partido... O poeta mudou seu estilo, vergou-se à acusação de quem vê um só caminho - admitiu a crítica oficial - "um romântico desequilibrado".

Os suicidas foram solertes fatalistas, o que irritava profundamente os burocratas do Partido. O fatalismo da decadência só poderia ser empregue em relação ao capitalismo que inevitavelmente "levaria à crise". Do âmago misterioso dos poetas parecia exsurgir a Glasnost e a Perestroika e os líderes da revolução das massas eram apossados do "insigth" e pavor da derrota a longo prazo - por isso fuzilavam.

Era tão grande o ruído - ao final turvo - que Maiakovsky, depois de condenar o suicídio do burguês Jessenin - "neste mundo desesperado é mais fácil morrer o indivíduo do que construir a vida coletiva" - aplicou a si mesmo a objurgatória.

Embora nos limites democráticos, não vivemos um "mundo desesperado"? Não é assim que inúmeras idiossincrasias intestinais caracterizam o atual governo? Tudo sem perspectiva, os agrupamentos sociais que se odeiam rivalizam-se cada vez mais nas extremidades, até que coisas terríveis nos abalem. Ontem PIB decrescido e mais manifestações estudantis (hoje com os pais) nas ruas.

Talvez possamos evitar o apocalipse brasileiro, antes do sangue, mortes, homicídios, suicídios, guerra civil, o "mundo desesperado".

Não podemos enterrar os olhos sob a areia. O fenômeno político deve ser escancarado. O mal pode ser evitado se previsto. O fatalismo foi intolerado pelos bolcheviques. Entre nós, pode trazer esperanças, se positivo e não mais tardarmos as medidas sérias e emergenciais.

Nosso mal é produto direto das instituições políticas, o nefando e caricato "presidencialismo de coalizão". Não é imprescindível um só reforma, há cinco meses colada às inépcias e aos interesses. Impõe-se-nos um feixe de reformas. E não esperá-las para dar um lance de impulso imediato ao desenvolvimento econômico. A primeira e principal transformação é a da política, forte, antagonista da respectiva "classe", por mais que esperneiem. Haverá um político à imagem dos poetas russos?

É certo que temos um grande problema previdenciário, ao lado de outros. Porém, são problemas que nos escarnecem, enquanto nos perdemos num labirinto aparentemente inescapável. O sol a mostrar a saída seria motivo de profundo alívio.

Hoje, personagens de um trabalho de destruição. A reconstrução é factível, desde que recuperemos nosso eixo, a partir de um novo Poder Nacional Constituinte.

Amadeu Roberto Garrido de Paula, é Advogado, um renomado jurista brasileiro com uma visão bastante crítica sobre política, assunto internacionais, temas da atualidade em geral.
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