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Cuiabá&VG
Sexta, 24 de maio de 2019, 06h39

Regada a memória afetiva, Dia da Biodiversidade leva diversão e educação ambiental para alunos


Alunos da rede municipal de ensino ajudaram a plantar algumas das 300 mudas de árvores doadas para reflorestamento do Distrito.

“Era um domingo de manhão, na parte de bem cedo. Panhei meu estilingue, escolhi só biroquinha selecionada e falei: Hodje já viu! Tudo que é passarinho que eu atchá, tá no peloti!” Não era domingo, mas foi pela manhã de quarta-feira (22) que os alunos e educadores da EMEBC Profª Udeney Gonçalves de Amorim, localizada na comunidade do Distrito de Aguaçu iniciaram as comemorações do Dia Internacional da Biodiversidade. O trecho faz parte do causo de João Jiló, personagem que foi interpretado na ocasião pelo professor da rede pública de ensino de Cuiabá, Odilson da Silva.

 

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Enquanto 300 mudas de árvores eram distribuídas pelo terreno da escola para o futuro plantio, professores organizavam os alunos no pátio para a palestra do ambientalista Abel Nascimento. “A educação ambiental é a mola propulsora, é quem coordena esse processo de conscientização ambiental. E ela tem que ser trabalhada ao longo do tempo, até que a pessoa passa a aceitar a arborização como uma coisa boa pra ela. É por isso que hoje estamos dentro de uma escola para falar com as crianças sobre arborização, sobre os benefícios do sequestro do carbono, da formação de chuvas locais para não desertificar o local”, explicou o ambientalista.

 

“Quem sabe o que é biodiversidade?”, indagou Abel. Enquanto rostos curiosos o encaravam, ele explicava que a palavra significava uma variedade de vida, de seres vivos, seres estes que compartilham do planeta Terra com os seres humanos. “Agora, quem sabe que planta é essa?”, questionou o ambientalista com uma muda na mão. Desta vez, dezenas de nomes de árvores nasceram da plateia animada, nomes que ocupam espaço na memória afetiva e no quintal dos alunos da comunidade. Acerola, Caju, Goiaba, Ipê, Ingá e tantos outros nomes de plantas que seriam plantadas na escola e pelo Distrito do Aguaçu. Nomes que em instantes seriam plantados no terreno da escola.

Na programação também estava prevista a contação do causo de João Jiló, que foi realizada pelo professor educador Odilson da Silva, lotado na biblioteca Saber com Sabor, no bairro Santa Izabel, em Cuiabá. “E odje, de pelotador, de matador de passarinho que eu era, hoje eu sou defensor da natureza. E trabalho para que vocês no futuro, façam o mesmo que eu faço”, contava o professor personagem.

Um causo para divertir e educar. O linguajar cuiabano trouxe familiaridade às crianças, que reagiam a cada palavra que as lembrasse do dia a dia da vida na zona rural. Isso, combinado com a performance teatral do professor, tornou-se a fórmula perfeita para fisgar a atenção dos pequenos e de outros nem tanto, já que na ocasião estavam presentes alunos da Educação Infantil ao Ensino Fundamental e Médio.

A história de domínio popular, não tem registro escrito e é passada de geração em geração, perpetuando a ancestralidade local e a cultura da preservação do Meio Ambiente. “Foi meu bisavô, Silvino Nunes da Silva, quem me contou essa história pela primeira vez. Ele era um camponês de origem africana. Eu sou de uma comunidade rural chamada Sucuri e a história do João Jiló é passada por gerações nestes locais justamente com o objetivo de auxiliar no processo de conscientização ambiental. Porque nestas comunidades existe uma pratica muito popular, principalmente entre os meninos, que é a pratica de pelotear, de usar o estilingue, que eles chamam de funda e pelotear os passarinhos. Hoje já existem espécies raríssimas de se encontrar, o Canário Real é um exemplo. O que o João jiló faz, de uma maneira bem humorada, é levar conscientização ambiental para as crianças. E eu como professor educador comecei a trabalhar ela dentro do universo escolar”, explica o professor.

Além de conhecimento transmitido pela oralidade, a coordenadora Edvair Pereira Alves e a bibliotecária Cristina Lúcia Alencar, responsáveis pelo programa Biblioteca Saber com Sabor levaram também conhecimento registrado em livros, que se juntaram ao acervo de 2500 exemplares do ponto de leitura do projeto na comunidade, localizado na praça central de Aguaçu, que tem como horário de funcionamento das 8h às 18h, com intervalo para almoço.

Com seis bibliotecas espalhadas pela cidade de Cuiabá, uma em cada região e mais três pontos de leitura, o projeto da Biblioteca Saber com Sabor reúne um acervo de obras de escritores cuiabanos de dar inveja a muitas bibliotecas de Mato Grosso. “Nosso acervo da literatura mato-grossense é de mais de 8 mil exemplares. Temos livros de autores que nem a UFMT possui. Alguns tão antigos que são datilografados”, relata a coordenadora do projeto.

E é com a ajuda destes conhecimentos, orais e escritos que profissionais da educação e Meio Ambiente acreditam que é possível educar desde a infância para a preservação ambiental. “Eles tem uma capacidade muito grande de assimilar novos conceitos e paradigmas. Eles passam a ter uma consciência maior e a defender, crescem defensores da natureza. Além de levar o conhecimento para os familiares”, ressaltou Odilson.

A professora da Educação Infantil, Vandecleia Proschnow também compartilha do pensamento do colega educador e enxerga que seu papel em sala de aula agora é ampliar esse olhar crítico de seus alunos para todas as esferas da vida em sociedade.

“A comunidade precisava entender um pouco melhor o quanto nós dependemos da natureza. Falta nós termos consciência de que tudo que vem a mesa e até mesmo o que vestimos vem da natureza. Até esses dias eu vi uma pergunta no canal Futura: quanto que custa para o meio ambiente uma roupa nova? Então, a gente não para pra pensar nisso hoje. E a consequência já está aqui com o aquecimento global. Eu acho que temos que ampliar essa consciência para que ela esteja em todos os momentos: do levantar ao deitar”, reforçou a professora pedagoga.

O evento também foi realizado nesta quinta-feira (23) com contação de histórias, realizada mais uma vez pelo professor educador, Odilson da Silva e também da artista Alice de Oliveira, que foi convidada pelo Grupo Votorantim, parceiro do evento durante a tarde. Pela manhã, Alice irá ministrar uma oficina de contação de história para professores da instituição.

A comemoração pelo Dia Internacional da Biodiversidade é promovida pela Prefeitura de Cuiabá, por meio das Secretarias Municipais de Educação (SME) e de Serviços Urbanos, projeto Disque Cidade Verde e as Bibliotecas Comunitárias “Saber com Sabor”, com parceria do Grupo Votorantim. 


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