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Cuiabá&VG
Quarta, 12 de junho de 2019, 19h48

Fotógrafo cuiabano é um dos selecionados de exposição internacional que chega ao MISC nesta quinta


Vital. Do dicionário: que é necessário para a manutenção da vida, ou que a afeta de maneira essencial. Assim se caracteriza o campo, nas fotos que estarão expostas no Museu da Imagem e do Som Lázaro Papazian Chau (Misc), a partir desta quinta-feira (13), às 17h, as múltiplas perspectivas do campo poderão ser apreciadas pelo público. Dentre elas, o campo andino de Lucas Ninno, fotógrafo cuiabano que teve um de seus retratos selecionados para compor esta mostra internacional da 13ª edição do Prêmio News Holland. A entrada é gratuita.

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Foram 3.040 imagens inscritas nesta edição do prêmio, que reuniu as melhores fotografias do campo da América do Sul. Os vencedores são Rafael Sampaio Martins (Brasil) e Jorge Gastón Gándara (Argentina), na categoria “Profissional”, e Elias Rodrigues de Oliveira e Gustavo Pereira Castro, ambos brasileiros, na categoria Aficionado (Amador). A exposição é uma curadoria de 30 fotografias selecionadas, dentre elas a do fotógrafo cuiabano.

“Tem uma coisa, a pureza de um modo de vida, antigo, ancestral que vai ficando pelo caminho. É um contraste bastante grande com o que a gente é acostumado a ver em Mato Grosso”, explica Lucas Ninno sobre a história de sua foto selecionada para a exposição.

Um broto. Um sopro da vida. Uma garotinha caminha no campo que há muito foi e ainda é ocupado por seus ancestrais. Do povoado indígena Pecataya, na Bolívia para o mundo digital e agora, para as paredes do MISC em Cuiabá, a fotografia de Lucas Ninno remete ao contraste de dois impérios: um, retratado na foto, de um manejo do solo quase milenar; o outro, a contemporaneidade da terra do agronegócio, que recebe a exposição.

“É interessante ter esses dois lados do campo: o maquinário, as grandes produções, essa coisa mais suntuosa do campo de Mato Grosso, que é a produção de commodities; e esse da agricultura familiar e toda a cultura que gira em torno das pessoas do campo. É interessante ver os dois lados pra ter uma visão mais ampla e tirar nossas conclusões e críticas também”, exemplifica Ninno.

A foto foi registrada em 2014 durante a viagem de Ninno pela Bolívia. Ele conta que chegou ao povoado a convite de um amigo que conheceu na viagem. Durante dois dias ele ficou hospedado na casa da matriarca Juana Villegas capturando histórias que a lente conta.

“Eu fui a convite de um amigo que eu fiz viajando, o Julio e foi bem interessante, fiquei com a família dele esses dois dias. A mãe dele é quéchua, não fala nada de espanhol e a menininha da foto é a neta desta senhora. E os netos dela já não falam o quéchua então é curioso a forma de comunicar com a avó. Então nem tudo que a avó fala eles entendem e nem tudo que eles falam a avó entende”, comenta Ninno.

O fotógrafo frequentemente manifesta apreço pelo início de sua trajetória na profissão mencionando o fotógrafo José Medeiros, que teve seu trabalho selecionado na 12ª edição do Prêmio e é um dos jurados da edição de 2019. Talvez Medeiros tenha transmitido a Ninno a paixão pelo retrato da gente da lida, da terra. E então temos duas das muitas Américas: andina e pantaneira. Dois contextos histórico-sociais capturados pelas lentes de dois brasileiros

“O desafio é mais de encontrar uma boa história pra contar, algo que seja específico de uma região, mas que sirva pra gente levantar assuntos e questionamentos sobre os temas macros né, então a gente parte às vezes pra uma região especifica, pra encontrar histórias que simbolizem uma discussão maior, mais global, eu acho que esse é o desafio, de fazer isso de uma maneira que faça sentido, que consiga de alguma maneira impactar as pessoas e lançar questionamentos”, finaliza o fotógrafo.

 

O Prêmio

O Prêmio New Holland de Fotojornalismo é um dos mais tradicionais concursos do segmento da América do Sul. Em 13 anos de história, cerca de 25 mil imagens foram inscritas. A organização do prêmio já realizou 60 workshops e 200 exposições em 115 cidades de cinco países para um público total de 510 mil pessoas.

Além de Cuiabá, a exposição acontece simultaneamente em Curitiba (PR) e, depois, em Petrolina (PE), Córdoba (Argentina) e Bogotá (Colômbia). Na capital mato-grossense, Sérgio Ranalli e José Medeiros, um dos jurados do Prêmio, ministram uma oficina de fotografia durante a programação.

O prêmio é um projeto cultural realizado pela Mano a Mano Projetos, apoiado pela Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e patrocinado pela New Holland e Banco CNH Industrial. A exposição conta ainda com o apoio da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, e da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo e do Museu da Imagem e do Som Lázaro Papazian Chau, em Cuiabá. 


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