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Economia
Sábado, 23 de junho de 2018, 11h47

Energia solar da ANEEL será inaugurada na próxima terça-feira (26/6)


Aquele ditado popular de que o exemplo tem que partir de dentro de casa se aplica ao projeto de eficiência energética que vem sendo implementado na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) desde 2014. A partir de uma demanda da Diretoria, as áreas técnicas iniciaram um trabalho de melhoria da eficiência energética nas instalações da Agência. A primeira etapa desse projeto, a da usina fotovoltaica, será inaugurada na próxima terça-feira (26/6), às 11h, no prédio da ANEEL. Trata-se da usina fotovoltaica de microgeração distribuída, que terá geração anual entre 650 MWh e 800 MWh, numa média de 710 MWh/ano. O objetivo é atender entre 18% e 20% do consumo anual da autarquia. O investimento desta etapa é da ordem de R$ 1,8 milhão. As outras etapas do projeto, a de iluminação e a de climatização, ainda estão nas fases de implementação e licitação respectivamente.

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A usina fotovoltaica conta com 1.760 painéis de 1,65m2, com potência instalada de 510,40 quilowatts-pico (kWp), que foram dispostos de forma a otimizar o aproveitamento do sol e evitar áreas sombreadas das edificações. A área total ocupada pelos módulos e pelos seus acessos será de 3.580 m2. Cada conjunto de 96 módulos foi conectado em um inversor, e todos os inversores serão monitorados numa central de operação, com dados unificados. A energia gerada compensará o consumo do prédio da Agência pelo mecanismo do Sistema de Compensação de Energia¹ , no qual até a geração nos fins de semana poderá ser injetada na rede e depois devolvida para a Agência.

A realização do projeto de eficiência energética com a instalação da usina foi possível graças a elaboração de um contrato de desempenho, desenvolvido de forma pioneira dentro do setor público. O contrato permitiu a inclusão da obra dentro do Projeto de Eficiência Energética (PEE)² da Companhia Energética de Brasília (CEB). O contrato adota o seguinte ciclo: a CEB aplica o dinheiro do PEE na usina solar da ANEEL e, à medida que a usina gera energia, a fatura de energia da autarquia diminui. A Agência continuará pagando o restante da fatura até amortizar todo o investimento e quando o dinheiro voltar para a CEB ele será aplicado em outros projetos de eficiência energética, com retorno para todos os consumidores atendidos pela distribuidora.

O Superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética, Ailson de Souza Barbosa, disse que a ANEEL deu um grande exemplo para o setor elétrico e o setor público com a instalação da usina. “A Agência mostrou que é possível implementar uma iniciativa que gera lucratividade e benefícios por várias décadas mesmo após a amortização do investimento. Além disso, existe o fator de inserção da eficiência energética na cultura das instituições públicas. Precisamos considerar esse elemento no nosso dia-a-dia, aplicar os recursos de forma objetiva e garantir uma economia real de energia”, ressaltou.

O prédio, construído em 1984, é composto por três blocos (H, I e J). No bloco H, funciona a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e nos blocos I e J, a ANEEL. A energia da usina solar já está sendo produzida no bloco H e a previsão é que os blocos I e J também produzam até o final de julho. A Especialista em Regulação, Sheyla Maria das Neves, disse que, apesar de antigo, o prédio foi pensado de forma eficiente. “ A disposição dos blocos permite que um faça sombra no outro e assim haja diminuição de carga térmica, além disso, a instalação de brises proporcionou uma diminuição da incidência solar. Tudo isso causou uma surpresa positiva e ajudará bastante na etiquetagem das instalações”, afirmou. A edificação concorrerá à etiquetagem pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem - PBE. O objetivo é obter a Etiqueta A de Eficiência Energética, o que coloca o prédio e seus respectivos blocos como um exemplo de eficiência energética para prédios públicos.

Acordo de cooperação com a GIZ

Toda a concepção do projeto contou a cooperação da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeite GmbH – GIZ. A Consultoria da GIZ também apresentou projetos básicos para as instalações abaixo.


1 - Projeto de Iluminação

Abrange tanto a iluminação interna quanto a externa;

Será focado na eficiência energética e no conforto visual dos servidores, por meio da melhoria do nível de iluminamento dos ambientes, em conformidade com norma ABNT específica;

Serão utilizadas lâmpadas LED em todos os ambientes;

Serão adotados dispositivos de automação onde for possível (sensores de movimento, fotocélulas, temporizadores, etc.);

Haverá aproveitamento máximo da luz natural em corredores e janelas, desligando-se lâmpadas automaticamente;

Resultados esperados: redução de 152 kW para 84 kW de potência instalada e redução de 460 MWh/ano para 244 MWh/ano de consumo de energia;

Considerando a necessidade de aumentar o número de pontos em alguns ambientes, a previsão é uma redução de demanda de 44% na iluminação e economia de energia de 46% na iluminação;

Investimento previsto: R$ 1,3 milhões.

2 - Projeto de Ar Condicionado

Será feito retrofiting de todo o sistema de ar condicionado;

Será focado na eficiência energética e no conforto térmico dos servidores;

Recuperação de todo o sistema de ar condicionado central e de dutos, com insuflamento pelo teto e retorno pelas paredes (gradeados);

Controle digital de temperatura colocado nos corredores;

Redução da potência instalada de 795,86 kW para 617,10 kW, ou seja cerca de 22% da potência instalada do ar condicionado. No consumo de energia a previsão de redução é de 1.015 MWh para cerca de 648 MWh anualmente, ou seja, entre 35 e 38%;

O sistema possuirá automação embarcada em todas as suas etapas, assim, mesmo sendo central irá utilizar somente o necessário, conforme a carga térmica das salas;

A previsão do valor a ser investido é em torno de R$ 3,5 milhões.


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