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Pesquisa/Tecnologia
Terça, 13 de março de 2018, 07h09

Escola de Ciência Avançada na USP reúne expoentes da biologia celular


Desvendar os mecanismos moleculares pelos quais as células se comunicam e organizam processos complexos como divisão, respiração ou defesa contra patógenos são alguns dos objetivos das pesquisas em biologia celular, que envolvem cientistas de áreas como química, física, medicina, matemática, bioquímica e biologia, entre outras.

Alguns dos principais nomes mundiais nesse campo de estudo estarão reunidos até 13 de março, na capital paulista, para participar da São Paulo School For Advanced Science In Cell Biology (SPCell), evento realizado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) com apoio da Fapesp.

O encontro foi organizado pela professora da FCF-USP Celia Garcia, em parceria com a American Society for Cell Biology (ASCB) e a European Molecular Biology Organization (EMBO).

“O programa está focado em dois aspectos importantes da biologia celular: interação entre célula hospedeira e patógeno e transdução de sinal – mecanismos bioquímicos pelos quais a célula converte um estímulo extracelular em um sinal intracelular que modifica algumas de suas funções”, disse Garcia.

A proposta, segundo a pesquisadora, é mostrar aos participantes diferentes abordagens para lidar com esses temas, entre elas genômica, microscopia, biologia estrutural e biologia de sistemas.

“Teremos palestrantes que abordarão questões como Zika e malária sob o ponto de vista da biologia estrutural e, outros, sob o ponto de vista da genômica, por exemplo. É importante mostrar aos estudantes que é possível integrar diferentes especialistas em torno de problemas relevantes”, disse Garcia.

Ao todo, participam 24 palestrantes de cinco países. Entre eles está o bioquímico Peter Walter, vencedor da mais recente edição do Breakthrough Prize in Life Sciences, conhecido como o “Oscar da Ciência”.

Em seu laboratório na University of California, San Francisco (USCF), Estados Unidos, Walter se dedica a estudar o enovelamento de proteínas – processo pelo qual a cadeia de aminoácidos que compõem a molécula se molda para atingir uma forma tridimensional específica, que permite a ela cumprir sua função dentro ou fora da célula.

“O processo de enovelamento tende a se tornar falho à medida que envelhecemos e isso tem fortes relações com doenças como diabetes, câncer e neurodegeneração. Estudamos os mecanismos pelos quais as células controlam a qualidade de suas proteínas”, disse Walter.

Durante o evento, o cientista apresentou estudos que buscam meios de interferir farmacologicamente nos mecanismos de controle de qualidade das vias de sinalização celular relacionadas ao processo de enovelamento. “Esse conhecimento pode levar ao desenvolvimento de fármacos para combater o câncer ou transtornos cognitivos, como perda de memória”, disse.

Outro destaque é o australiano Brendan Crabb, diretor do Instituto Burnet, cujos estudos focam no desenvolvimento de uma vacina contra a malária causada por protozoários da espécie Plasmodium falciparum.

“Apresentei resultados que mostram como avançou na última década, na era pós-genômica, nosso conhecimento sobre como ocorre a invasão das células vermelhas do sangue pelo parasita. Isso tem tornado possível formas antes impensáveis de se criar vacinas e medicamentos”, disse Crabb.

Na avaliação do pesquisador, eventos como a Escola São Paulo de Ciência Avançada são “particularmente inspiradores” por promoverem uma fertilização cruzada de ideias e colaborações duradouras entre os participantes.

“Ver tantas pessoas com alto nível de conhecimento reunidas é estimulante não apenas para os estudantes como também para mim. Alguns dos participantes me fizeram perguntas sobre temas que eu nunca havia pensado. Ou seja, estou aqui não apenas para transmitir conhecimento como também para aprender”, afirmou.

Ao fim de cada dia de palestras os doutorandos e pós-doutorandos têm a oportunidade de apresentar suas próprias pesquisas durante as sessões de pôsteres. A programação conta ainda com visitas à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), onde serão visitadas as obras do Sirius – um dos aceleradores de partículas mais avançados do planeta.

Processo competitivo

De acordo com Garcia, o processo de seleção dos estudantes que participam do evento foi altamente competitivo. Cerca de 150 candidatos se inscreveram e 80 foram selecionados – metade do Brasil e os demais de 16 países diferentes.

Entre os escolhidos está Stephen Vella, que durante seu doutorado na University of Georgia, nos Estados Unidos, estuda processos de sinalização por cálcio no Toxoplasma gondii, protozoário causador da toxoplasmose.

“Fiquei sabendo do evento por trabalhar em um campo similar ao da Celia Garcia, que estuda sinalização por cálcio em parasitas do gênero Plasmodium. Me interessei em conversar com ela e com outras pessoas de todo o mundo para conhecer como conduzem seus trabalhos e expandir meu conhecimento”, disse Vella à Agência Fapesp.

A italiana Chiara Currà tem trabalhado com pesquisadores brasileiros desde 2012, quando veio ao Brasil com o apoio de uma Bolsa de Pós-Doutorado da Fapesp.

Atualmente, Currà é pesquisadora da Foundation for Research and Technology-Hellas (FORTH), na Grécia, onde investiga processos do parasita causador da malária que ocorrem dentro do organismo do mosquito transmissor.

“Faço modificações genéticas no parasita, como silenciamento de genes, para entender a função de determinadas proteínas secretadas pelo patógeno. Infectamos camundongos com esses parasitas modificados, e eles, por sua vez, infectam mosquitos. Podemos então estudar o fenótipo do parasita dentro do vetor”, contou.

O objetivo, segundo a pesquisadora, é encontrar modificações genéticas que impeçam o mosquito de infectar humanos, interrompendo seu ciclo de vida.

Agência Fapesp


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