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Pesquisa/Tecnologia
Terça, 12 de junho de 2018, 07h01

Pesquisadores discutem governança ambiental na macrometrópole paulista


Muitos dos problemas das cidades não têm relação com as mudanças climáticas. Porém, as mudanças climáticas funcionam como um agravante desses problemas. Isso porque a urbanização gerou milhões de brasileiros vulneráveis, que habitam áreas de risco ou periferias.

Tendo esse fato em vista, um grupo de quase 40 pesquisadores de instituições paulistas decidiu estudar a questão da governança ambiental no contexto da macrometrópole paulista – área que abrange 170 cidades das regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Sorocaba, Baixada Santista e entorno do Vale do Paraíba.

A pesquisa “Governança ambiental da macrometrópole paulista face à variabilidade climática”, apoiada pela Fapesp, foi tema de seminário realizado no auditório da Fundação nos dias 28 e 29 de maio. O projeto tratará de cinco eixos principais e interdisciplinares: análise de vulnerabilidades, serviços ecossistêmicos, energia, mudanças climáticas e inovação.

“O problema ambiental não vai ser resolvido enquanto não organizarmos a vida nas cidades. Portanto, um seminário como esse é oportuno para a criação de políticas públicas”, disse José Goldemberg, presidente da Fapesp.

O impacto das mudanças climáticas como um agravante à urbanização desenfreada foi notado em São Paulo, por exemplo, no período de escassez hídrica, em 2015. Houve um período de seca fora do que se considerava esperado, porém a densidade populacional e a consequente necessidade de maior distribuição de água agravaram o problema.

De acordo com os pesquisadores do projeto, a questão, inclusive, transcendeu a área da Região Metropolitana de São Paulo, avançando para regiões das bacias do Piracicaba-Capivari-Jundiaí, médio Tiete, Paraíba do Sul e Vale do Ribeira.

Não por acaso, o Projeto Temático trabalha com um recorte geográfico inovador: o da macrometrópole, ambiente que perpassa regiões metropolitanas que se inter-relacionam.

“A macrometrópole é um excelente laboratório para o estudo de governança ambiental. São Paulo já vive uma megamudança climática por conta da urbanização e é importante saber como ela está respondendo aos desafios das mudanças climáticas”, disse Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, durante o evento.

De acordo com Pedro Jacobi, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e coordenador do Projeto Temático, a importância do projeto sobre governança ambiental está na possibilidade de trazer para um público mais amplo uma compreensão sobre a dimensão macrometropolitana.

“A ideia é fortalecer um conjunto de iniciativas que permitam ampliar o diálogo com a sociedade, com aqueles que estão envolvidos em políticas públicas, com as organizações não governamentais que têm sido importantes no seu diálogo com a gestão de políticas públicas”, disse.

Água

O projeto tem o desafio de pensar governança ambiental, tendo a água como questão central, mas também sua interdependência de território, serviços ecossistêmicos e entre cadeias de elementos essenciais à inclusão social e à qualidade de vida – como energia, água e alimento.

“Não é simples reduzir a vulnerabilidade nesse contexto de iniquidades, de populações excluídas e de injustiças socioambientais. O desafio começa por aí, em termos dessa escassez, dessa interdependência água-energia-alimentos e de território”, disse Leandro Giatti, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Há ainda outra inovação no Temático, a aprendizagem social. “Ao mesmo tempo em que o projeto demanda interdisciplinaridade, ele requer um processo de produção de conhecimento que não fique restrito a um núcleo de especialistas”, disse Renata Ferraz de Toledo, professora do Centro Universitário Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).

De acordo com Toledo, é importante no projeto trabalhar com o processo de aprendizagem colaborativa. “De que forma o conhecimento que vamos produzir, por meio de pesquisas científicas, vai chegar para os técnicos, para contribuir com as políticas e para os pares acadêmicos? Há diversas formas de dialogar com a sociedade e precisamos encontrar meios de comunicar com a participação das pessoas que estão nos territórios, nos contextos específicos das pesquisas, criando uma associação entre ciência política e sociedade”, disse.  

Agência Fapesp


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