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Pesquisa/Tecnologia
Quarta, 17 de outubro de 2018, 07h08

Instrumentos apoiam colaborações internacionais em pesquisa


A Fapesp Week Belgium, realizada nas cidades de Bruxelas, Liège e Leuven de 8 a 10 de outubro de 2018, demonstra a importância da colaboração internacional para o avanço do conhecimento científico e indica que as parcerias entre pesquisadores da Bélgica e do Brasil devem aumentar. Além do interesse, não faltam mecanismos para estimular e financiar os trabalhos conjuntos.

“Nos últimos 20 anos houve um grande aumento no número de artigos publicados por cientistas brasileiros e não é coincidência que, no mesmo período, as colaborações internacionais em pesquisa cresceram enormemente”, disse Euclides de Mesquita Neto, membro da coordenação Adjunta - Programas Especiais e Colaborações em Pesquisa da Fapesp, em sessão sobre “Perspectivas para Futuras Colaborações”.

Mesquita falou sobre o esforço da Fapesp em estimular a cooperação internacional e apresentou alguns dos instrumentos oferecidos pela Fundação que permitem a pesquisadores do Estado de São Paulo colaborar com colegas de outros países em trabalhos em todas as áreas do conhecimento.

“A Fapesp oferece vários mecanismos para isso, como as bolsas de pesquisa no exterior e os auxílios, seja para projetos de pesquisa, para apoiar a vinda de pesquisadores de outros países ou para apoiar a participação de pesquisadores de São Paulo em eventos no exterior”, disse o professor titular da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Em 2017, a Fapesp destinou R$ 147,8 milhões para estimular a colaboração científica entre pesquisadores de instituições paulistas e de outros países. Parte dessas parcerias ocorreu no âmbito de acordos de cooperação estabelecidos entre a Fapesp e outras agências de fomento, universidades, instituições de pesquisa, organizações multinacionais e empresas.

No mesmo ano, a Fapesp concedeu 904 novas Bolsas Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), o que possibilitou a ida de 480 bolsistas para a Europa, 357 para a América do Norte, 32 para a Oceania, 18 para a América do Sul, 14 para a Ásia e três na África. A Fapesp também concedeu a 224 doutores Bolsa de Pesquisa no Exterior (BPE), para que possam realizar pós-doutorado em outro país.

Também em 2017, a Fapesp financiou 525 participações de pesquisadores brasileiros em reuniões científicas no exterior e a vinda para o Brasil de 167 pesquisadores de outros países. Uma parte expressiva desses participou de Escolas São Paulo de Ciência Avançada.

“Outro exemplo de apoio oferecido pela Fapesp é o SPRINT [São Paulo Researchers in International Collaboration], criado para organizar oportunidades de colaboração internacional, que são lançadas ao mesmo tempo pela Fapesp e por instituições parceiras no exterior”, disse na mesa-redonda Marie-Anne Van Sluys, professora titular do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo e membro da Coordenação Adjunta - Ciências da Vida da Fapesp.

Além de promover o engajamento de pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa no Estado de São Paulo com pesquisadores parceiros no exterior, o SPRINT tem por objetivo contribuir para o planejamento mais conveniente para as submissões de propostas de mobilidade (seed funding).

Por meio do SPRINT a Fapesp lançou 18 chamadas de propostas desde 2014, com dezenas de instituições no exterior. A chamada atual, que recebe propostas até 29 de outubro, envolve 13 instituições na Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Irã e Reino Unido e o Fundo Nacional para Pesquisa Científica (F.R.S.-FNRS), da Bélgica.

Florence Quist, que representou o F.R.S.-FNRS na mesa-redonda, explicou algumas das oportunidades oferecidas pelo fundo belga para apoiar a colaboração internacional em pesquisa.

“O Fundo Nacional para Pesquisa Científica apoia, por exemplo, projetos colaborativos transnacionais, que são projetos de vários anos em que participam grupos de diferentes países”, disse. Cada grupo é financiado por uma agência de seu país ou região e juntos implementam um projeto de pesquisa de objetivos comuns com uma abordagem colaborativa.

Quist contou que o F.R.S.-FNRS também apoia a cooperação internacional por meio de mecanismos europeus, como as redes ERA-NET, coordenadas por programas de pesquisa de países da União Europeia para permitir que pesquisadores de diferentes países implementem projetos conjuntos.

Entre as várias cooperações com organizações europeias, a Fapesp tem acordos com a M-ERA.Net, rede financiada pela União Europeia para incrementar a coordenação dos programas de financiamento à pesquisa da Europa em Ciências e Engenharia de Materiais, e com o EU-CELAC IG (antigo ERA.Net-LAC), que apoia a cooperação em ciência, tecnologia e inovação de países europeus com países da América Latina e do Caribe.

Solenne Visart, chefe do Departamento para a América do Norte e América Latina da Wallonie-Brussels International (WBI), destacou o Horizonte 2020, maior programa europeu de apoio à pesquisa e à inovação. Com cerca de € 80 bilhões de financiamento entre 2014 e 2020, o programa visa assegurar a competitividade global da Europa por meio da produção de ciência de classe mundial, da remoção de barreiras para a inovação e pela aproximação dos setores público e privado no desenvolvimento de pesquisas.

A Fapesp mantém acordo de colaboração com a União Europeia no âmbito do programa Horizonte 2020, para estimular que pesquisadores sediados no Estado de São Paulo e pesquisadores europeus possam desenvolver projetos de pesquisa colaborativos aproveitando as oportunidades oferecidas na Europa e em São Paulo para acesso ao conhecimento em nível de excelência mundial, acesso aos dados de pesquisas e conexão com redes científicas mundiais.

Van Sluys também falou sobre a importância das colaborações por meio do Horizonte 2020 e destacou o esforço feito pela Fapesp em internacionalizar a pesquisa feita no Brasil por meio da assinatura de acordos de cooperação com instituições de outros países.

Em 2017, estavam vigentes na Fapesp 173 acordos com organizações de 28 países. Vinte e seis novos acordos foram assinados no ano. Com a Bélgica, a Fapesp mantém acordos com o F.R.S.-FNRS, a Fundação de Pesquisa – Flanders (FWO) e a Direction Générale Opérationnelle Economie, Emploi & Recherche du Service Public de Wallonie (DGO6).

Mesquita destacou ainda a importância das Fapesp Week para internacionalizar a pesquisa feita no Brasil. O evento na Bélgica foi a 16ª edição dessa estratégia da Fapesp de criar ambiente para colaborações científicas, a partir da identificação de interesses comuns entre os participantes.

Mais informações sobre a Fapesp Week Belgium, incluindo notícias e as apresentações feitas no simpósio, estão em www.fapesp.br/week2018/belgium.

Ciência, tecnologia e inovação na Bélgica

A Bélgica, oficialmente Reino da Bélgica, é um país situado na Europa ocidental com uma área de 30.528 quilômetros quadrados (menos do que o Rio de Janeiro) e uma população de cerca de 10,7 milhões de habitantes (menos que a cidade de São Paulo).

As duas maiores regiões da Bélgica são Flandres, ao norte, com quase 60% da população (que fala principalmente holandês), e a Valônia, ao sul, habitada por cerca de 30% dos belgas, onde se fala principalmente francês. Há uma pequena comunidade de língua alemã no leste da Valônia. O restante da população está na Região de Bruxelas, oficialmente bilíngue e um enclave de maioria francófona na região flamenga.

A Bélgica é um dos membros fundadores da União Europeia (UE), cujas principais instituições ficam em Bruxelas, e de outras importantes organizações como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O PIB da Bélgica foi de US$ 492 bilhões em 2017, com um crescimento de 5,3% em relação ao ano anterior – para efeito de comparação, o PIB do Brasil em 2017 foi quatro vezes maior, mas com um crescimento de apenas 1% em relação a 2016. A renda per capita na Bélgica é de US$ 41 mil (entre as 25 maiores do mundo), quase cinco vezes maior do que a do Brasil.

A Bélgica tem sete universidades nas quais se fala francês e seis em holandês. As principais no país são: as universidades de Liège e Ghent, as católicas de Leuven e Louvain, as universidades livres de Bruxelas (ULB e VLB, a primeira de língua francesa e a segunda, holandesa) e a Universidade de Antuérpia, todas com financiamento estatal.

A formação profissional e técnica em nível superior ocorre em 21 universidades de ciências aplicadas (hogescholen) em Flandres e em 22 escolas de altos estudos (haute écoles) na Valônia. A pesquisa científica básica é feita nas universidades, enquanto as hogescholen e haute écoles são responsáveis pela pesquisa aplicada, geralmente em estreita colaboração com as universidades. O financiamento deriva do governo, da indústria, de fundos das universidades e de outras fontes.

Os principais centros de pesquisa considerados estratégicos em Flandres são o Centro Interuniversitário de Microeletrônica (Imec), o Instituto de Biotecnologia de Flandres (VIB), o Interdisciplinary Institute for Broadband Technology (iMinds) e o Instituto Flamengo de Pesquisa Tecnológica (Vito). Na Valônia, uma rede de parques científicos e tecnológicos hospeda empresas de alta tecnologia e apoia a colaboração dessas com universidades.

F.R.S.-FNRS

O Fundo para Pesquisa Científica (F.R.S.-FNRS) deriva do Fundo Nacional para Pesquisa Científica (FNRS), criado em 1928 pelo rei Alberto I. Atua no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação na Federação Valônia-Bruxelas (região que reúne a Valônia mais a capital belga) por meio de uma política de estímulo à excelência científica e apoio a pesquisadores. Mais de 90% do financiamento oferecido pelo F.R.S.-FNRS deriva de verbas públicas. O fundo tem uma gama ampla de instrumentos de financiamento para apoiar projetos submetidos por pesquisadores e analisados por pares. Tal qual a Fapesp, o F.R.S.-FNRS não faz ou tem instalações para pesquisa, mas sim apoia pesquisadores, redes, programas e centros, que operam em universidades e institutos de pesquisas. O principal plano de ação do F.R.S.-FNRS é o Phare (Plan d'Harmonisation et d'Action pour la Recherche), renovado a cada quatro anos. O atual, de 2015 a 2019, propõe um conjunto de 20 medidas e eixos prioritários que permitam responder às necessidades dos pesquisadores e enfrentar os desafios que envolvem a pesquisa básica na Federação Valônia-Bruxelas. Entre as medidas estão melhorar a infraestrutura de pesquisa, promover condições para atrair talentos científicos, apoiar a participação de pesquisadores em programas internacionais e ampliar as atividades em áreas estratégicas. O F.R.S.-FNRS encoraja a internacionalização da pesquisa na Federação Valônia-Bruxelas por meio de instrumentos próprios, de acordos de cooperação e de sua missão como um ponto de contato para as universidades e faculdades da região no Horizonte 2020.

Fapesp e F.R.S.-FNRS mantêm desde 2015 acordo para implementar cooperação científica e tecnológica entre pesquisadores do Estado de São Paulo e o fundo belga, mediante o financiamento de projetos conjuntos de pesquisa. As instituições lançaram até o momento três chamadas de propostas, com quatro projetos de pesquisa selecionados nas duas primeiras. A chamada atual recebe até 29 de outubro propostas nas áreas de: Ciências Naturais e da Vida; Ciências Sociais; Engenharias; e Ciências Humanas. Os projetos financiados poderão ter duração de até 24 meses.

FWO

A Fundação de Pesquisa – Flanders (FWO), estabelecida em 2006, também deriva do Fundo Nacional para Pesquisa Científica (FNRS), criado em 1928. Com sede em Bruxelas, o FWO apoia a pesquisa fundamental e estratégica de alto nível conduzida em universidades e institutos na comunidade flamenga, que inclui instituições como as universidades Ghent, de Leuven e Livre de Bruxelas. A FWO mantém, por exemplo, o Centro de Supercomputação Flamengo (VSC, na sigla em holandês), um centro virtual de computação de alto desempenho utilizado pela comunidade acadêmica e pela indústria. O VSC é administrado pela FWO em parceria com universidades em Flandres. A FWO é membro do European Research Council (ERC) e está envolvida em diversas iniciativas de pesquisa no continente. Fapesp e FWO assinaram este ano acordo de cooperação e lançaram uma chamada de propostas para apoiar projetos colaborativos entre pesquisadores do Estado de São Paulo e pesquisadores de Flandres, em qualquer área do conhecimento, desde que cubram o desenvolvimento de pesquisa científica básica. Os projetos aprovados terão início em janeiro de 2019, com duração máxima de três anos.

EWI

O Departamento de Economia, Ciência e Inovação (EWI) de Flandres foi estabelecido em 2006 e tem como objetivo desenvolver a região como uma das mais avançadas e prósperas no mundo. O EWI tem quatro divisões: Empreendedorismo e Inovação; Pesquisa; Estratégia e Coordenação; Assuntos Gerais e Apoio.

WBI

A Wallonie-Bruxelles International (WBI) é a agência responsável pelas relações internacionais das regiões da Valônia e Bruxelas. Mantendo acordos com mais de 70 países e regiões, a WBI atua nas áreas de: cooperação e desenvolvimento; direitos humanos; cultura; saúde e questões sociais; meio ambiente; intercâmbio; educação e capacitação; ensino superior; e pesquisa científica. 

Agência Fapesp


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