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Pesquisa/Tecnologia
Sábado, 23 de fevereiro de 2019, 07h34

Fapesp e Equinor lançam Centro de Pesquisa em Engenharia de Petróleo


Buscar soluções inovadoras para otimizar a produção e a eficiência de poços de petróleo e recuperar reservatórios serão alguns dos objetivos do centro sediado na Unicamp (ilustração do sistema de exploração de petróleo e gás da Equinor em águas profundas no campo de Peregrino, na bacia de Campos/RJ / imagem: Equinor).

A Fapesp e a Equinor (antiga Statoil), empresa norueguesa do setor de energia, com atuação no Brasil nas áreas de óleo e gás e energia solar, lançaram nesta terça-feira (19/02), em um evento na Fapesp, o Centro de Pesquisa em Engenharia em Gerenciamento de Reservatórios e de Produção de Petróleo e Gás (ERC-RPM, na sigla em inglês).

O novo centro será sediado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e terá o objetivo de buscar soluções inovadoras para otimizar a produção e a eficiência de poços de petróleo, recuperar reservatórios e melhorar o gerenciamento da água extraída junto com o petróleo nas atividades de perfuração e extração.

Para constituí-lo, a Fapesp e a Equinor lançaram em setembro de 2016 uma chamada de propostas no âmbito do programa Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE). O projeto selecionado foi de autoria de pesquisadores vinculados à Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp.

“O acordo da Fapesp com a Equinor para a criação desse novo centro de pesquisa contempla um dos objetivos da Fundação, que é o de promover o empreendedorismo tecnológico e áreas de pesquisa relacionadas à inovação, facilitando a relação entre universidades e empresas”, disse Marco Antonio Zago, presidente da Fapesp, durante o evento.

O centro terá três linhas de pesquisa: otimização de produção, recuperação avançada de óleo e gerenciamento de água (water handling). Os projetos serão realizados por pesquisadores e estudantes de pós-graduação da Unicamp em colaboração com colegas da Equinor e de outras universidades e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, de áreas como Matemática, Ciência da Computação, Engenharia Mecânica e Geologia, entre outras.

“A Equinor tem uma relação de longo prazo com as principais universidades da Noruega e outros países, como o Brasil, com quem estabelecemos algumas parcerias nos últimos 10 anos a fim de encontrar as melhores soluções para os desafios energéticos e industriais”, disse Margareth Øvrum, presidente da empresa no Brasil.

“Estou confiante de que esses 10 anos de trabalho integrado, em estreita colaboração com universidades, deixarão marcas positivas em termos de novos desenvolvimentos e soluções inovadoras para a indústria de petróleo”, disse Øvrum.

O acordo terá duração de 10 anos, sendo que a Fapesp e a Equinor liberarão, meio a meio, recursos da ordem de R$ 25 milhões nos primeiros cinco anos e o mesmo valor no quinquênio seguinte. Outra parcela virá da Unicamp como contrapartida econômica, na forma de salários de pesquisadores e de pessoal de apoio, infraestrutura e instalações.

“A Unicamp está comprometida em promover a cooperação em pesquisa com o setor industrial em muitos segmentos estratégicos, e tem criado os meios institucionais para transformar a pesquisa feita na universidade em tecnologia e consolidar a inovação”, disse Marcelo Knobel, reitor da Unicamp.

“A criação desse novo centro é um passo fundamental para consolidar a cooperação de alto nível entre a indústria e as universidades no Estado de São Paulo”, avaliou.

Programa bem-sucedido

O ERC-RPM vai operar nos mesmos moldes de outros sete Centros de Pesquisa em Engenharia em operação apoiados pela Fapesp e pelas empresas GlaxoSmithKline, Peugeot-Citroën, Shell, Natura e Embrapa.

Um dos objetivos desse programa de apoio à pesquisa da Fapesp, lançado em 2014, é fomentar e facilitar a interação em pesquisa entre universidades e indústrias situadas não só em São Paulo, mas também em outras regiões do país e do mundo.

“O programa Centros de Pesquisa em Engenharia da Fapesp tem atraído muito interesse das empresas e universidades. É um dos maiores programas de fomento à colaboração em pesquisa entre universidades e indústrias no país hoje”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

Presente no Brasil desde 2001, com foco na exploração de petróleo e gás natural offshore, um dos objetivos da Equinor com o novo centro é desenvolver tecnologias para extrair óleo pesado de campos como o de Peregrino, da bacia de Campos, no Rio Janeiro, onde iniciou sua operação em 2011.

Um dos desafios para a exploração desse campo de óleo pesado, que representa a maior operação internacional offshore da empresa, é estabelecer como serão perfurados os poços para injetar fluidos, como água e CO2, de modo a manter um nível de pressão suficiente no reservatório para extrair o petróleo.

Outro desafio é desenvolver sistemas de produção, compostos por máquinas e bombas, instaladas nos poços e no fundo do mar, para injetar fluidos e manter a pressão necessária para transportar o petróleo para a superfície.

“O óleo pesado desse campo precisa dessa energia adicional para passar por válvulas e tubulações e chegar à superfície, onde será separado e tratado”, explicou Antonio Carlos Bannwart, professor da Unicamp e diretor do centro, à Agência Fapesp.

Outro interesse da empresa com o novo centro é desenvolver tecnologias para exploração do pré-sal do campo de Carcará, na bacia de Santos, descoberto em 2012 e que a Equinor adquiriu a licença para exploração em 2016.

A empresa pretende iniciar a produção de óleo desse campo entre 2023 e 2024. “Estamos nos movendo para áreas em que não temos muita experiência. Essa é umas das razões dessa parceria para a criação desse novo centro. Precisamos de novas tecnologias para resolver alguns desafios tecnológicos”, disse Ruben Schulkes, gerente de pesquisa e tecnologia da Equinor.

Ao contrário de reservatórios de óleo pesado, como o de Peregrino, os do pré-sal não necessitam de bombas para chegar à superfície, uma vez que já têm alta pressão e o óleo não é tão viscoso.

O desafio tecnológico, nesse caso, é controlar a pressão para extração do óleo e estabelecer estratégias de aproveitamento da enorme quantidade de gás que vem junto com ele, explicou Bannwart.

“É preciso que se defina como o país irá explorar e aproveitar a enorme quantidade de gás que há no pré-sal, que é suficiente para abastecer o Estado de São Paulo”, disse o pesquisador.

Também participaram da cerimônia de lançamento do novo centro de pesquisa Eduardo Moacyr Krieger e Fernando Menezes de Almeida, respectivamente, vice-presidente e diretor administrativo da Fapesp, e Patricia Ellen da Silva, secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.

“Esse projeto do novo centro de pesquisa representa muito a nova filosofia que gostaríamos de implementar em São Paulo, que é a de fomentar o desenvolvimento econômico, a produtividade e a competitividade do estado, por meio de investimentos em ciência, tecnologia e inovação”, disse Silva.

Agência Fapesp
 


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