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Política MT
Terça, 16 de maio de 2017, 10h25

Comando instaura inquérito para apurar conduta de policiais em suspeita de grampos ilegais


Redação

O comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Jorge Luiz de Magalhães, determinou nesta segunda-feira (15.05) a instauração de um Inquérito Policial Militar para apurar as denúncias de desvio de conduta atribuídos a militares na utilização do sistema 'Guardião'. A decisão ocorre depois que se tornou público um esquema de espionagem que envolver o setor de inteligência da Polícia Militar de Mato Grosso com suspeita de envolvimento de altas patantes e do governador Pedro Taques (PSDB).

O caso foi denunciado pelo ex-secretário de Segurança do Estado, o promotor Público Mauro Zaque, que saiu do governo no final de 2015 alegando que Pedro Taques não acatou sua denúncia que suspeitava do mando das escutas por parte do então comandanted da PM, Coronel Zaqueu - que também deixou o cargo em 12 de janeiro de 2016. As escutas tiveram como vítimas políticos, advogados, médicos, servidores públicos e até de um jornalista. Até mesmo o gabinte do vice-governador Carlos Favoro foi alvo do crime. Mauro Zaque representou na Procuradoria Geral da República contra o governo de Mato Grosso. 

Os documentos pedindo à Justiça autorização para interceptar os telefones foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior. No entanto, além dos números dos supostos integrantes da quadrilha de tráfico de drogas, foram juntados por “tabela” outros telefones.
 

Coronel Jorge Luiz de Magalhães em ato de posse diante do governador Pedro Taques.

O comandante geral da PM esclarece que desconhece o uso indevido do Guardião desde o início da sua utilização. Ele explica também que o emprego do sistema Guardião é legal, ocorrendo somente mediante autorização judicial, e que todos os dados que constam no sistema são plenamente auditáveis, o que facilita as investigações, inclusive.

De acordo com Jorge Luiz, “é preciso esclarecer de antemão que a Polícia Militar usa o ramal do Guardião exclusivamente para instruir Inquéritos Militares, e que o encarregado de IPM’s não tem o poder de interceptar ninguém, mas apenas de representar judicialmente junto a Vara Especializada da Justiça Militar pelos números telefônicos, cabendo ao magistrado autorizar a concessão ou não das interceptações nas apurações das infrações militares, depois de ouvido o Ministério Público”, frisou.

“A Polícia Militar é uma Instituição legalista, e por isso mesmo procederá com uma apuração rigorosa dada à gravidade das denúncias, que só chegaram ao nosso conhecimento agora, para que não haja dúvidas sobre a sua seriedade e idoneidade neste caso. Porém, não podemos ser precipitados na condenação de quem quer que seja. Se houver conduta imprópria de policial militar, ele arcará com suas responsabilidades na medida exata do que determina a lei. Ocorre que não podemos jamais condenar toda uma instituição pelo eventual equívoco de alguns de seus milhares de integrantes”, frisou Jorge Luiz.

O IPM terá prazo de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20 dias.

GUARDIÃO

O ‘Guardião’ é um sistema de software e hardware de interceptação telefônica de alta tecnologia. No caso em discussão, a PM tem acesso a um ramal do sistema que pertence ao Ministério Público Estadual, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A utilização pela PM se dá por meio de um termo de cooperação técnica firmado entre a Polícia Militar, por meio da SESP e o MPE por meio do GAECO.

De acordo com o comandante geral, a interceptação não é feita de forma indiscriminada e é necessário que as operadoras de telefonia – mediante autorização judicial – enviem ao Guardião os dados e a voz dos telefones monitorados por um período de tempo determinado em decisão judicial. Não existindo a possibilidade de uso “avulso” do equipamento.

Jorge Luiz explica, ainda, que o Guardião é uma ferramenta utilizada, mediante autorização judicial, nas atividades de polícia judiciária militar e não de inteligência. E que dado o envolvimento genérico do nome da Instituição, foram solicitadas informações mais precisas junto ao Ministério Público Federal, Rede Globo de Televisão e ao Promotor de Justiça Mauro Zaque, até para poder se manifestar com maior propriedade a esse respeito.

O comandante geral reitera que “a Polícia Militar do Estado de Mato Grosso não concorda com práticas que firam os direitos e garantias constitucionais, dentre eles o do sigilo e inviolabilidade das comunicações. Exatamente por isso deseja que os fatos sejam apurados à luz da lei. O presente posicionamento institucional ocorre após as coletas de informações junto à nossa corregedoria geral e matérias divulgadas na mídia, sendo que ainda dependemos do recebimento do inteiro teor das denúncias a serem fornecidas pelas autoridades e órgãos citados acima”.

Jorge Luiz enfatizou ainda que a “Polícia Militar deseja manter as parcerias estabelecidas com o Poder Judiciário e o Ministério Público, reiterando nosso profundo respeito e confiança às instituições em evidência”. 


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