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Polícia
Segunda, 06 de novembro de 2017, 10h02

Escrivão da Polícia Civil diz ter satisfação em resolver problema da vítima


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Há 15 anos, quando entrou na Polícia Judiciária Civil o escrivão de polícia, Assis Ribeiro dos Santos, 45 anos, deixou a família em Cuiabá para ir exercer a função na Delegacia de Jauru (425 km a Oeste da capital). Sua esposa estava grávida de quatro meses de seu primeiro filho. Único escrivão e sem ninguém para dividir o trabalho na delegacia, conheceu a filha quando ela estava com 15 dias de vida.

O policial (sim, o escrivão também é policial e usa arma de fogo) foi o escolhido para homenagear todos os 706 escrivães da Polícia Judiciária Civil, mulheres e homens, neste domingo, 5 de novembro, data intitulada como o Dia do Escrivão.

"São profissionais valorosos e importantes na condução dos procedimentos cartorários. Tudo relacionado ao inquérito policial passa pelas mãos do escrivão. Este é um servidor policial com papel imprescindível na delegacia, não somente na parte administrativa, mas também no investigativo", avaliou o delegado geral da Polícia Civil, Fernando Vasco Spinelli Pigozzi.

A Carreira

Passados 15 anos e 7 meses de carreira policial, o escrivão lotado hoje na 3ª Delegacia de Polícia do Coxipó, como chefe de cartório, não se arrepende de ter largado o emprego, em uma construtora, para buscar a estabilidade do cargo público.

As atribuições do cargo de escrivão não são poucas, ainda mais quando você é o único em uma delegacia e acaba trabalhando de segunda a domingo. Essa realidade ainda é frequente nas unidades do interior do Estado, mas para o mato-grossense nascido em Dom Aquino, pai de um casal de filhos, isso já não o assusta mais, pois apreendeu a gostar do cargo, apesar de todas as dificuldades.

"O escrivão trabalha muito mesmo. É uma profissão que exige muita dedicação. Minha maior satisfação é saber que resolvi o problema da vítima, do cidadão de bem que atendemos, que ele saiu satisfeito com o meu atendimento", disse.

No interior permaneceu por quase seis anos, na mesma delegacia, em Jauru. Quando estava na cidade se recorda de um episódio, que lhe rendeu aprendizado. Novatos na Polícia, ele e um colega investigador foram atender um local de homicídio na zona rural do município.

Naquela época, em Jauru, os policiais faziam também o serviço de perito. No local encontraram o corpo da vítima em estado avançado de decomposição. Fizeram todos os procedimentos de praxe, fotos, vistoria pormenorizada pelo local (...). "Até aí tudo bem, apesar do mau cheiro", lembra.

Porém, ao final, uma pergunta: como recolher e transportar aquele corpo? "Fomos salvos pelo proprietário de uma funerária local que nos mostrou como recolher o corpo em segurança. Em seguida, o transportou até o hospital e necrotério da cidade. Depois disso, aprendemos como proceder em casos semelhantes, mesmo sem a presença da funerária", contou.

Em 2007, com a lotação de novos escrivães do concurso de 2005, veio para a capital e foi para a 2ª Delegacia de Polícia no bairro Carumbé, onde ficou por quatro anos e depois passou a trabalhar na recém reativada Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá. Em março de 2017 pediu para ser lotado na 3ª DP, por estar mais próximo de casa.

Dedicação

Como elementos para um bom profissional, seja em qualquer cargo, destaca o respeito as pessoas, atendimento cordial e dedicação. "O escrivão precisa de muita dedicação. Acho que tenho perfil para esse trabalho, mesmo gostando do operacional. Meu irmão é investigador aposentado e quando disse que ia fazer concurso para escrivão, ele falou: logo escrivão. Escrivão trabalha muito", conta.

"A vida de escrivão é essa. Termina um procedimento e vem 10. Sempre vai ter trabalho. O que a gente precisa saber é que não podemos deixar de fazer nosso trabalho, não podemos desanimar, caso contrário a criminalidade vencerá a batalha. O que deixo de mensagem aos colegas: Não desanimem, não se sintam frustrados por não darem conta de todos os procedimentos de seu cartório, faça o seu melhor, durma em paz consigo mesmo, e, saibam todos que somos verdadeiros heróis, mesmo que atuando, na maioria das vezes, nos bastidores".

Os afazeres do escrivão são muitos. Mas, para Assis, o trabalho evoluiu, principalmente, para aqueles que começaram ainda na máquina de datilografia como ele. "Fui para uma delegacia que não tinha ar condicionado, internet e a cadeia era um extensão da Delegacia", lembra.

Hoje, apesar de reconhecer que ainda tem muito a melhorar, Assis enxerga a atividade com mais facilidades e destaca o Sistema Geia de gerenciamento de rotinas cartorárias e outros módulos do sistema como um grande avanço no trabalho do Escrivão e da polícia judiciária como um todo. "Antes não tínhamos controle cartorário informatizado, cada um se virava como podia para gerir seus procedimentos", salienta.

O Sistema Geia da Polícia Civil foi desenvolvido pelo também escrivão de polícia, Ricardo Rodrigues Barcelar, lotado na Fábrica de Software da Academia de Polícia.

Dia do Escrivão

A data 5 de novembro foi instituída como o Dia do Escrivão de Polícia, por ser também o dia que nasceu Ruy Barbosa, renomado escritor, poeta, professor, jurista e senador da República do Brasil.

O Escrivão de Polícia é o responsável pela guarda, preparo e encaminhamento do Inquérito Policial a Justiça. É peça fundamental e imprescindível ao bom trabalho de atividade de polícia judiciária. Também é um dos responsáveis pela formalização da investigação criminal, atuando de forma direta na produção e materialização de provas nos autos do inquérito policial.

 


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