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Polícias
Quarta, 18 de agosto de 2010, 06h00
Dia da caça

Ibama conta detalhes sobre quadrilha que fazia safári em Mato Grosso


Brasília  - O tiro que matou uma onça com coleira de monitoramento, no pantanal, levou o Ibama e a Polícia Federal a desmontar uma quadrilha organizadora de safári de caça ilegal de fauna silvestre brasileira, na Operação Jaguar. A prisão de quatro argentinos, um paraguaio e três brasileiros, em plena atividade de caça em Sinop-MT, foi notícia em todo o país. Mas, poucos conheceram o bastidor.

A investigação começou um ano e dois meses atrás. De Cascavel, no Paraná, Eliseu Augusto Sicoli, identificado pela Polícia Federal como o chefe da quadrilha, passou a ter suas conversas telefônicas monitorados com autorização da Justiça. Nas transcrições, há relatos de abate de 28 onças no Brasil, de caçadas de tigre, zebra e elefante, na África, e de 800 patos, na Argentina.

Dois fiscais do Ibama e dois agentes da PF de Corumbá, que trabalharam em sintonia, com troca diária de informações e planejamentos, foram os responsáveis pela montagem do quebra-cabeça que resultou na prisão de 11 pessoas, entre elas os caçadores, um taxidermista e um cabo da Polícia Militar de Rondonópolis.

O chefe do escritório do Ibama de Corumbá (MS), Gilberto Alves da Costa, um dos “quatro cavaleiros” da Operação Jaguar, ao lado do fiscal Ademir Ribeiro e dos agentes da PF Mercês Dias Junior e André Magalhães, conta que Eliseu não mencionava abertamente a caça de onças nos telefonemas. Falava de forma cifrada.

Numa das conversas gravadas, Eliseu perguntava ao interlocutor se estava saindo “boi” daquela fazenda ou se tinha visto algum “carneiro grande, pintado”. E também apareceu avisando que, em determinado fim de semana, iriam chegar os guarda-chuvas (armas).

Em outro conversa, o organizador do “safári” referia-se à localização de um “corixo” e de uma “salina”, que Gilberto, um conhecedor do pantanal e do linguajar da região, traduziu como córrego intermitente e uma baía com alta porcentagem de cloreto de sódio cercada de babaçu, áreas procuradas pelos animais, incluindo as onças.

O esquema da caça ramificava-se por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Gilberto e o fiscal Ademir passaram 34 dias mapeando uma área de 160 mil hectares de maciço florestal entre Sinop, Itaúba e Santa Helena, na bacia hidrográfica de Teles Pires no Mato Grosso, depois de interceptadas conversas sobre possível caçada na região.

Uma das fazendas, cujos acessos e coordenadas haviam sido levantados pelos fiscais do Ibama, foi onde ocorreu a prisão dos caçadores, a apreensão de armas e de oito cães de caça Fox Hound Americano. O chefe do escritório do Ibama de Corumbá conta que entre os presos estavam dois cúmplices de Eliseu: Marcos Antonio Moraes, filho do homem conhecido em todo o Brasil como o maior caçador de onças, “Tonho da Onça”, e um oficial da Polícia Militar, que nas escutas aparecia com a alcunha de Cabo Lopes.
Prisão

O “safári” em Sinop chegou a ser marcado duas vezes antes, mas houve cancelamentos. Quando enfim a data foi definida, em julho, agentes da PF e fiscais do Ibama dividiram-se entre vigílias no aeroporto, local de desembarque dos estrangeiros e na rodovia, por onde chegaria Eliseu de caminhonete com os cães e as armas. Uma das passagens obrigatórias era uma pista em obras, que forçava o motorista a trafegar mais devagar.

O fiscal Gilberto estava no local com um agente da PF, quando avistou uma Ranger preta passar. Ele havia visto a foto de Eliseu na Revista Magnum, especializada em armas, o que foi suficiente para identificá-lo na passagem rumo a um hotel em Sinop. Os estrangeiros chegaram em vôo noturno.

Somente no dia seguinte, o grupo foi para o local da caçada. Os agentes da PF e os fiscais do Ibama permaneceram cinco dias em vigília próximo à sede da fazenda, observando e fotografando o grupo até o momento da prisão. O chefe do escritório do Ibama em Corumbá se diz indignado com os caçadores pelo “prazer por matar onças”, animais que aguçam o apetite do infrator devido à ferocidade.


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