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Mundo
Quinta, 18 de maio de 2017, 15h41

Número de crianças migrantes viajando sozinhas aumenta 500%, diz Unicef


Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), alerta que houve um aumento de cerca de 500% no número de crianças migrantes e refugiadas viajando sozinhas ou separadas de suas famílias. As informações são da ONU News.

O relatório Criança é Criança: Protegendo as Crianças em Movimento da Violência, Abuso e Exploração foi lançado esta quinta-feira (18) e apresenta uma amostra global da situação desses menores, as motivações por trás de suas viagens e os riscos que eles correm durante a jornada.

Segundo o Unicef, pelo menos 300 mil crianças viajaram desacompanhadas ou separadas de suas famílias para cerca de 80 países em 2015 e 2016. Em comparação, no biênio 2010-2011, foram registradas 66 mil nesta mesma situação.

De acordo com o órgão, 200 mil crianças entraram com processo de solicitação de asilo em 80 países, entre 2015 e 2016. Durante esse mesmo período, 100 mil menores foram apreendidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México e 170 mil crianças desacompanhadas pediram asilo na Europa.

Rotas perigosas

Os especialistas disseram que um número cada vez maior desses menores usa rotas altamente perigosas. E geralmente estão à mercê de contrabandistas e traficantes para chegar ao destino final, o que justifica um sistema global para mantê-las protegidas de exploração, abusos e morte.

O relatório do Unicef cita como exemplo o caso de Mary, uma menor de 17 anos da Nigéria, que estava viajando desacompanhada da Líbia até a Itália. Ela disse que todas as promessas de que seria bem tratada foram mentira. Ela foi mantida na Líbia por mais de três meses, onde foi estuprada pelo traficante que disse que não a levaria à Itália se ela não dormisse com ele.

A agência da ONU afirmou que crianças separadas de suas famílias correspondem a 92% dos menores que chegaram à Itália em 2016 e no início deste ano. Além disso, as crianças nesta situação representam 28% das vítimas de tráfico humano global. A África Subsaariana, a América Central e o Caribe têm os índices mais altos de vítimas.

Rede de proteção

Para combater o problema, o Unicef quer que os países protejam os refugiados e migrantes, principalmente os menores desacompanhados e acabem com as detenções de crianças que buscam refúgio. A agência da ONU diz que a manter as famílias unidas é a melhor forma de proteger os menores. As autoridades devem também fornecer aos mesmos acesso à educação, saúde e outros serviços básicos.

O Fundo para a Infância quer ainda a promoção de medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização de refugiados e migrantes nos países de trânsito e de destino. 

ABr


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