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Mundo
Domingo, 28 de janeiro de 2018, 14h46

Missões da ONU devem usar força para combater violência, aponta relatório


Foto: ONU/Sylvain Liecht
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Um relatório das Nações Unidas, coordenado pelo general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, recomenda mudanças de mentalidade dos oficiais de missões de paz, que devem abandonar postura excessivamente defensiva e responder com uso da força, quando necessário. Publicação foi divulgada após ano de recordes de violência contra a ONU — 2017 viu 56 capacetes-azuis morrerem em serviço, o número mais alto já registrado para um ano.

Desde 1948, mais de 3,5 mil funcionários de missões de paz perderam suas vidas no trabalho. Desses óbitos, 943 foram causados por atos violentos. Desde 2013, houve um recrudescimento de ataques fatais contra militares, com 195 mortes — outro recorde, pois nunca antes num período de cinco anos havia sido contabilizado um número tão grande de falecimentos por violência.

Divulgado nesta semana (22), o levantamento elaborado por Santos Cruz identifica quatro áreas que precisam de intervenções. A primeira delas é o comportamento dos oficiais, que precisam “estar conscientes dos riscos e devem ser habilitados para tomar a iniciativa de deter, prevenir e responder a ataques”.

"Infelizmente, grupos hostis
não entendem outra língua que
não seja a da força."

Ajustar a postura dos contingentes é uma resposta às mudanças das táticas dos próprios grupos armados com os quais as missões de paz têm de lidar — uma das principais causas do aumento no número de vítimas, segundo o oficial brasileiro. O relatório aponta que a bandeira e os símbolos da ONU não são mais uma garantia de proteção para quem serve ao organismo internacional.

“Infelizmente, grupos hostis não entendem outra língua que não seja a da força”, afirma o relatório, elaborado a partir de uma visita de 45 dias de Santos Cruz e outros dois oficiais de alto-escalão às operações da ONU na República Democrática do Congo, na República Centro-Africana, no Mali e no Sudão do Sul. Equipe, escolhida pelo secretário-geral da ONU, conduziu 160 entrevistas com oficiais no terreno.

Segundo a análise, militares ainda agem seguindo um protocolo que prevê poucas ou quase nenhuma ameaça hostil às equipes. Isso leva à condução de manobras militares que não consideram adequadamente os riscos. Quando se veem em situações de confronto, as tropas acabam adotando uma postura defensiva que, ao menor ataque de inimigos, fragiliza a iniciativa e a liberdade de movimento.

O relatório defende uma postura mais proativa das missões, com o fim de combater riscos, por meio, por exemplo, de ações para controlar e desmantelar estruturas de forças hostis ou para prender, com rapidez, os responsáveis por ataques.

“Ter treinamento intenso, equipamento e formações e, principalmente a iniciativa do pessoal. As Nações Unidas, os militares e os civis e os policiais atuando na Organização não podem dar chance para que criminosos utilizem a violência contra as instalações e o pessoal da ONU. É esse o ponto que eu gostaria de destacar”, disse Santos Cruz.

A segunda área que precisa ser aprimorada é a capacitação das missões, de modo a garantir que as operações tenham equipamentos e os oficiais sejam treinados para atuar em ambientes de alto risco. Santos Cruz chamou atenção também para a necessidade de formações especializadas, além do treinamento básico padronizado que já é oferecido pelos países contribuintes.

“Esse treinamento precisa, muitas vezes, ser reforçado no terreno para uma adaptação específica àquelas situações. Por exemplo, a tropa que vai para o Mali precisa se especializar muito bem na parte de proteção de comboios e de explosivos improvisados e minas. Já outras tropas, como na República Centro-Africana e (na República Democrática do) Congo, é necessário um combate especializado em área de selva”, explicou.

As outras questões críticas para reduzir o impacto da violência contra missões de paz são o estabelecimento de áreas sensíveis a riscos, que funcionem como marcos para a atuação das tropas em acordo com limites de exposição a ameaçadas; e o fortalecimento das medidas de responsabilização dos criminosos.

Carlos Santos Cruz chefiou a Missão da ONU no Haiti (MINUSTAH) de 2007 a 2009 e a Missão da ONU na República Democrática do Congo (MONUSCO) de 2013 a 2015.

Após a divulgação do relatório, o chefe de operações de paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix, reconheceu a necessidade de adaptações. “Estamos sendo atacados por grupos armados que estão saqueando, matando e estuprando e que não têm qualquer interesse em uma solução pacífica”, afirmou. Dirigente também apontou para a necessidade de implementação de regras operacionais nem sempre observadas pelas missões.


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