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Mundo
Quarta, 07 de fevereiro de 2018, 17h23

Especialistas que ajudaram a criar Google e Facebook combatem danos causados pelas redes sociais


Profissionais de tecnologia do Vale do Silício que ajudaram a construir o que hoje são Facebook e Google uniram-se para enfrentar o que consideram ser efeitos perversos das redes sociais e smartphones. Os especialistas, relatou a Folha de S.Paulo, formaram uma organização chamada Centro para Uma Tecnologia Humana. "Nós estivemos do lado de dentro", disse Tristan Harris, antigo encarregado de questões éticas do Google e presidente da nova entidade. "Sabemos o que essas empresas medem. Sabemos como elas falam, e sabemos como a engenharia funciona".

Em parceria com a Common Sense Media, uma organização sem fins lucrativos que fiscaliza a mídia, o grupo planeja um esforço de lobby contra o vício em tecnologia e uma campanha de propaganda nas 55 mil escolas públicas dos Estados Unidos. A campanha, intitulada "A Verdade Sobre a Tecnologia", terá verba de US$ 7 milhões, vinda da Common Sense e de capital arrecadado pelo Centro para Uma Tecnologia Humana. A Common Sense também obteve US$ 50 milhões em tempo e espaço na mídia, de parceiros como a Comcast e a DirecTV. A iniciativa, informa o jornal paulista em reprodução de texto do The New York Times, terá por objetivo educar estudantes, pais e professores quanto aos perigos da tecnologia, entre os quais a depressão que pode ser causada pelo uso pesado de mídia social.

O jornal britânico The Guardian informou que, segundo pesquisa do Common Sense, os adolescentes consomem em média nove horas por dia navegando em mídias sociais e em serviços digitais, enquanto as pré-adolescentes gastam seis horas. Outro estudo, do psicólogo Jean Twenge descobriu, que os usuários viciados em no digital são 56% mais propensos a dizer que são infelizes e 27% mais inclinados a estarem deprimidos.

Aliança sem precedentes

O novo Centro para Uma Tecnologia Humana, conta a Folha de S.Paulo, representa uma aliança sem precedentes entre antigos empregados de algumas das maiores empresas atuais de tecnologia. Além de Harris, ele envolve também Sandy Parakilas, antiga gerente de operações do Facebook; Lynn Fox, antiga executiva de comunicações da Apple e do Google; Dave Morin, antigo executivo do Facebook; Justin Rosenstein, que criou o botão Like do Facebook e é cofundador da Asana; Roger McNamee, um dos primeiros investidores no Facebook; e Renée DiResta, tecnóloga que estuda bots.

Os danos reais do vício em serviços virtuais têm sido verificados dentro das próprias empresas de tecnologia. Os efeitos sobre a atenção dos funcionários causados pelo dilúvio de mensagens de e-mail, notificações em redes sociais e outras distrações da internet, informa o jornal O Globo, está levando executivos das grandes companhias tecnológicas a buscar estratégias para evitar os “vícios” em serviços que eles mesmos criaram.

No Google, diz reportagem do The Washington Post publicada pelo jornal fluminense, alguns funcionários já aderiram a ferramentas que restringem o tempo gasto respondendo e-mails. Entre as novidades, um software tem se popularizado ao permitir que as pessoas agendem “bloqueios” no e-mail para impedi-las de acessar mensagens em determinados momentos. Ele pode esconder notificações de novos e-mails por períodos específicos.

Estudo divulgado recentemente pela Microsoft, a maior fabricante de software para ambientes de trabalho, reconheceu que as novas tecnologias digitais podem tornar as empresas menos produtivas. Outro relatório realizado pelos pesquisadores do Facebook no ano passado constatou que pessoas que acompanham as postagens de amigos sentem-se piores depois.

A busca no Google pelo termo “vício de smartphones” atingiu seu nível recorde em janeiro. “Há uma crescente conscientização” explica Thomas Meyerhoffer, ex-designer industrial da Apple. “Todo mundo está falando sobre isso”.

Para Jonas Kron, vice-presidente sênior da Trillium Asset Management, empresa investidora do Facebook, a própria indústria de tecnologia deve oferecer soluções para eliminar desconfortos que provoca “O setor de tecnologia está chegando ao ponto em que precisará colocar mais recursos para enfrentar as externalidades negativas de seus serviços”.

ANJ


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