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Mundo
Domingo, 11 de março de 2018, 06h37

Vodca encara concorrência e mantém seu espaço no país na Copa


 

Vários tipos de vodca em exposição no museu - Bernardo Mello

O Globo

SOCHI - Numa casa noturna quase vazia em Sochi, no sul da Rússia, o ambiente ganha cor quando uma copo de conteúdo transparente pousa no balcão. O primeiro gole de vodca é suficiente para quebrar a inibição - não só de quem bebe, e sim das pessoas ao redor, que se aproximam e encorajam o consumo do tradicional destilado russo. A cena, que poderia ser parte de qualquer comercial de bebida, faz parte da vida real no país da Copa.

- Em noitadas, a maioria das pessoas bebe uísque com Coca-Cola. E vodca, é claro - explica Vlad Ishkhanov, dono da casa noturna Black Yankyhan, em Sochi, palco da passagem acima.

Os russos, no geral, tentam se esquivar do estereótipo de povo bom de copo. Mas os números mostram que o rótulo ainda se aplica na Rússia: dados coletados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram um consumo acima de 10L por pessoa por ano - a média mundial é de 6,4L. Destilados correspondem a 45% do índice russo. E o mais famoso deles é a vodca.

A popularidade da vodca acompanha personagens e momentos famosos na história da Rússia. Nos tempos do tsarismo, um químico chamado Dmitry Mendeleyev - mais conhecido como idealizador da tabela periódica - desenvolveu o padrão atual da bebida, com 40% de teor alcoólico. Na II Guerra Mundial, soldados tinham direito a uma cota de vodca no front. Hoje, mesmo com outras opções e preferências, os russos ainda reservam um lugar para a vodca.

A trajetória do destilado até os dias atuais é contada no Museu da Vodca, em Moscou, cuja visita guiada termina com a seguinte reflexão: "Vodca é motivo de orgulho nacional. Conhecimento e respeito pela cultura da bebida garantem bom humor e saúde para você". O tour termina de frete para uma faixa no teto com a frase "Apenas a vodca da Rússia é uma genuína vodca russa". O gosto russo, contudo, não tem nada de protecionista. No museu estão expostas dezenas de garrafas de vodca produzida em diversos países - o Brasil não está representado no acervo.

Na casa noturna de Sochi, o cardápio apresentava quatro opções de vodca, menos que vinhos, cervejas e outros destilados. Curiosamente, a parceira de Vlad, Mariana Yankovskaya, recomendava a vodca "Finlandia" - produzida, como o nome dá a entender, na Finlândia - a quem pedia dicas sobre qual marca consumir.

- Mas temos uma vodca da Sibéria que é mais tolerável, e também a mais pedida - emendou Vlad.

Não seria difícil, por sinal, adaptar na Rússia a famosa marchinha de carnaval sobre aguardente - "Você pensa que cachaça é água?/Cachaça não é água, não". O termo vodca deriva justamente da palavra russa para "água" ("voda"). Há quem tente evitar, é claro, que os russos bebam vodca como se fosse água.

- Trocar a vodca por outra bebida pode ser útil para a saúde pública. O que importa é diminuir o nível do consumo - opinou o vice-ministro da Saúde, Dmitry Kostennikov.


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