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Mundo
Quarta, 11 de abril de 2018, 16h26

Vacinando 10 mil crianças ao longo de mais de 60 mil km de estrada


Foto: Ibrahim Diallo
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A vasta região desértica de Kidal, no norte do Mali, abriga populações nômades que vivem longe de instalações de saúde. Em 2018, Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançou no Mali sua primeira campanha de múltiplos antígenos, com o objetivo de vacinar 10 mil crianças contra diversas doenças comuns.

Ser vacinado contra doenças como difteria, sarampo, coqueluche, meningite, pneumonia, febre amarela e outras doenças potencialmente fatais pode ser comum para muitas crianças. Mas, no norte do Mali, onde a combinação de insegurança, isolamento e infraestrutura limitada de saúde significa que muitas comunidades não podem ter acesso aos centros de saúde, a proteção dos pequenos contra essas doenças é difícil.

Através de seus projetos existentes na região desde 2015, as equipes de MSF percebiam que muitas crianças não foram imunizadas contra doenças comuns havia vários anos. Com isso, MSF lançou, em parceria com o Ministério da Saúde e as autoridades locais, uma campanha para proteger os mais vulneráveis contra essas doenças fatais e debilitantes. Em janeiro de 2018, MSF iniciou sua primeira campanha com múltiplos antígenos para vacinar 10 mil crianças entre 0 e 5 anos de idade.

Mas, é complicado implementar uma campanha que envolve a cobertura de um total de 60 mil km de estradas em áreas desérticas para alcançar o número esperado de crianças.

“Fazer essa campanha acontecer requer muitos recursos. Antes de mais nada, você tem que disponibilizar as vacinas e depois conseguir o apoio logístico para movimentar as equipes em uma vasta região onde o acesso a populações isoladas é complicado”, diz Patrick Irenge, coordenador médico de MSF no Mali. “As vacinas devem ser mantidas a uma temperatura entre 2 e 8 graus em uma região onde a temperatura pode chegar a 50 graus. Além disso, mobilizar tantas pessoas - de profissionais médicos a motoristas que conhecem perfeitamente a região - não é tarefa fácil.”

A campanha será realizada em três etapas para seguir o calendário de vacinação estabelecido no país. As vacinas contra sarampo, febre amarela e meningite só precisam ser administradas em uma dose para já fazerem efeito. As outras devem ser oferecidas em três doses. O processo pode ser ainda mais difícil, dada a natureza das comunidades nômades que nem sempre permanecem em um local durante algumas semanas.

“Isso é um problema para as atividades de vacinação”, continua Patrick. "Mas, a vacinação é uma medida preventiva eficaz que protege os mais vulneráveis."


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