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Mundo
Domingo, 15 de abril de 2018, 16h32

OMC: comércio global deve crescer este ano, mas permanece ameaçado por tensões


O crescimento do comércio global deve permanecer forte este ano e em 2019, após registrar em 2017 seu maior avanço em seis anos, afirmaram nesta quinta-feira (12) economistas da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo os quais a continuidade dessa expansão dependerá de um crescimento global robusto e de os governos buscarem políticas monetárias, fiscais e de comércio apropriadas.

A OMC prevê que o volume do comércio global subirá 4,4% em 2018, medido pela média de exportações e importações, ficando perto do aumento de 4,7% registrado em 2017. O crescimento deve ficar em 4% em 2019, abaixo da taxa média de 4,8% de avanço desde 1990, mas ainda acima da média de 3% do pós-crise de 2008.

No entanto, há sinais de que a escalada das tensões comerciais já estejam afetando a confiança das empresas e as decisões de investimento, o que pode comprometer as atuais projeções, ressalvou o organismo internacional.

“O forte crescimento do comércio que prevemos hoje será vital para a continuidade do crescimento econômico, para a recuperação e para apoiar a criação de empregos. No entanto, esse importante progresso pode ser rapidamente minado se governos recorrerem a políticas de comércio restritivas, especialmente um processo de ‘olho por olho’ que poderia levar a uma escalada não administrável”, disse o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo.

“Um ciclo de retaliação é a última coisa que a economia global precisa. Os problemas comerciais prementes que confrontam os membros da OMC são mais bem resolvidos através da ação coletiva. Peço aos governos que mostrem moderação e resolvam suas diferenças por meio do diálogo e do engajamento sério”, completou.

O crescimento em volume no ano passado, o maior desde 2011, foi impulsionado principalmente por fatores cíclicos, particularmente o maior investimento e os gastos com consumo.

Em valores, as taxas de avanço em dólares norte-americanos em 2017 (10,7% para exportações de mercadorias, 7,4% para exportações de serviços) foram ainda mais fortes, refletindo tanto o aumento dos volumes como de preços. A alta do volume no ano passado também pode ter sido inflada diante da fraca base de comparação dos dois anos anteriores.

Até recentemente, os riscos às projeções pareciam estar mais controlados do que em qualquer época desde a crise econômica global. No entanto, em linha com os recentes desenvolvimentos de políticas comerciais, podem agora indicar uma queda, de acordo com a OMC.

O crescente uso de medidas restritivas e a incerteza que elas trazem às empresas e aos consumidores podem produzir ciclos de retaliação que pesariam negativamente no comércio e produção global, de acordo com a organização.

Além disso, apertos monetários mais rápidos por parte dos bancos centrais poderiam levar a flutuações nas taxas de câmbio e nos fluxos de capitais que podem ser igualmente disruptivas para os fluxos comerciais.

Finalmente, a escalada das tensões geopolíticas podem reduzir os fluxos comerciais, apesar de a magnitude de seu impacto ser imprevisível. As mudanças tecnológicas significam que os conflitos podem te cada vez mais a forma de ataques cibernéticos, que afetam o comércio de serviços de maneira igual ou maior que o comércio de mercadorias, disse a OMC.


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