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Mundo
Quarta, 18 de abril de 2018, 11h34

SIP condena cenário de ameaça à liberdade de imprensa e assassinatos de jornalistas nas Américas


A reunião de meio ano da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada entre a sexta-feira (13) e o domingo (15) foi marcada pela enérgica reação à violência contra profissionais e veículos de imprensa nas Américas, bem como às ameaças à livre expressão. Sob o impacto da confirmação, no fim da semana passada, do assassinato de três profissionais do jornal equatoriano El Comercio, na fronteira da Colômbia com o Equador, as conclusões do encontro da SIP condenaram os diferentes tipos de ataques à imprensa, como censura, perseguição digital, legislações reguladoras, ausência de poder judiciário imparcial, ameaças e, em especial, o assassinato de 14 profissionais na mídia do hemisfério americanos desde a última reunião da entidade, em outubro de 2017.

No caso da morte dos profissionais do jornal do Equador, que haviam sido sequestrados em 26 de março, a SIP exigiu das autoridades o esclarecimento dos “covardes” homicídios e a punição dos responsáveis. Além disso, durante o encontro, jornalistas e veículos de comunicação colombianos e equatorianos firmaram um documento no qual pedem transparência e acesso às informações da investigação do ocorrido. O manifesto solicita aos governos dos dois países a garantia de segurança para o exercício do jornalismo na região.

A degradação da liberdade de imprensa na Venezuela é um dos principais destaques negativos no documento que reúne as conclusões da reunião. No país comandado pelo chavista Nicolás Maduro, durante os últimos seis meses, nove jornais deixaram de circular por falta de papel e outros insumos, enquanto 46 rádios e três emissoras de televisão encerraram operações. A justiça venezuelana, por sua vez, chegou a não reconhecer o direito ao exercício do jornalismo e mantém na impunidade os responsáveis pela violência contra a imprensa. Ao mesmo tempo, tribunais militares são utilizados para prender jornalistas.

Em Cuba, segundo a SIP, a repressão estatal aumentou. Há registro de invasão das casas de comunicadores, que muitas vezes são impedidos de sair de suas cidades ou do país. O governo bloqueia sites nacionais e internacionais e mensagens por e-mail. As redes sociais são espionadas e hackeadas por agentes estatais. Em Honduras e na Nicarágua iniciativas legislativas buscam regular as redes sociais e a internet sob a alegação de combate à violência e às notícias falsas. Na Bolívia, o governo obriga a mídia a difundir gratuitamente campanhas de governo. O país também tem uma lei que proíbe os veículos de divulgar conteúdo que, a juízo do governo, seja racista, o que tem motivado autocensura.

Os governos da Jamaica, Haiti e Honduras aprovaram leis de proteção a dados que violam a liberdade de expressão e o acesso à informação de interesse público. Há denúncias de tentativa de censura em países como Costa Rica, Peru e Brasil, criticado pela impunidade em relação aos assassinatos de Jefferson Pureza Lopes, radialista de Goiás, e Ueliton Bayer Brizon, editor de um jornal de Rondônia. Nos Estados Unidos, alertou a SIP, persiste a grave situação da retórica do presidente Donald Trump contra a imprensa independente. A entidade também advertiu para a continuidade da intenção de vários países na implementação do direito ao esquecimento.

ANJ


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