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Mundo
Terça, 05 de junho de 2018, 12h04

Milhares de pessoas estão presas nas frentes de batalha em províncias do Sudão do Sul


Desde o fim de abril, as províncias de Leer e Mayendit, no norte do Sudão do Sul, devastadas pelo conflito no país, foram mais uma vez destruídas pela violência. Milhares de pessoas estão presas entre as frentes de batalha e instalações de saúde foram atacadas. O alto nível de violência impede que muitas pessoas tenham acesso a serviços básicos, incluindo assistência médica, afirma a organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF).

Mulheres, homens e crianças nas províncias de Leer e Mayendit estão sofrendo com níveis extremos de violência, incluindo estupros coletivos e assassinatos em massa. Vilarejos foram saqueados e incendiados e reservas de alimentos e outros pertences foram destruídos.

“Eles entraram no vilarejo às seis da manhã, quando ainda estávamos dormindo. Nós acordamos e corremos. Não tivemos tempo de levar nada conosco”, explica uma mãe sul-sudanesa de nove filhos. “Eu os vi atirando nas pessoas. Meu filho foi atingido no peito por uma bala. Eles começaram a queimar as casas, com as pessoas ainda dentro delas. A pior coisa sobre esses ataques é o modo como eles destroem tudo.”

Os confrontos em curso já forçaram milhares de civis a procurar refúgio onde quer que possam - na mata, nos pântanos e nas ilhas - com algumas pessoas tendo sido forçadas a se mudar várias vezes devido aos repetidos ataques.

“O vilarejo para onde fugimos em busca de atendimento médico também foi atacado. Foi atacado pelas mesmas pessoas”, continua a mãe. “Desta vez, não tivemos a chance de escapar, então nos escondemos, deitados no chão. Eles não conseguiram nos encontrar. Quando a calma voltou, fugimos para a mata.”

As pessoas já estão há mais de quatro semanas sem acesso a abrigo, água potável e comida, e com pouco ou nenhum acesso a cuidados médicos. As condições de vida daqueles que fugiram colocam as pessoas mais vulneráveis, como crianças e mulheres grávidas, em maior risco de contrair doenças.

"Por enquanto, a maioria dos casos que estamos atendendo são de diarreia aquosa aguda, infecções respiratórias e de pele, bem como distúrbios musculoesqueléticos em pacientes com dor muscular ou articular", diz Georgina Brown, coordenadora médica de MSF no Sudão do Sul. “Todos esses problemas médicos estão diretamente relacionados às más condições de vida. Com a chegada da estação de chuvas, mais pessoas podem adoecer.”

As equipes de MSF forneceram assistência médica básica às comunidades que conseguiram alcançar, inclusive a um número significativo de pessoas que sofreram violência sexual.

“Em um dos vilarejos onde chegamos, tratamos 21 sobreviventes de violência sexual em 48 horas. Alguns dias depois, em uma área diferente, tratamos outros 20 sobreviventes. Esses números que estamos vendo são muito preocupantes”, diz Brown. “No entanto, sabemos que muitos sobreviventes não recebem nenhum tratamento. As pessoas ainda estão escondidas nas áreas de mata e pântano porque têm medo da violência em curso e, assim, ficam sem acesso a serviços básicos, incluindo cuidados de saúde. Até que a violência diminua, não podemos chegar até essas pessoas para lhes dar o tratamento de que precisam.”

Além disso, os ataques contra instalações de saúde estão impedindo o contato entre as comunidades locais e a assistência médica tão necessária. Em dois locais onde trabalhamos, nossos suprimentos médicos foram saqueados e as propriedades de MSF foram destruídas.

O atual combate nas províncias de Leer e Mayendit é o mais recente episódio da violência e da crueldade que assolam a região há anos. A população civil tem sido visada por todas as partes do conflito e forçada a uma vida em fuga caracterizada pelo acesso limitado a abrigo, comida, água e assistência médica vital.

Médicos Sem Fronteiras pede que todos os atores armados ponham fim imediato à violência contra a população local nas províncias de Leer e Mayendit.
 


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