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Mundo
Sábado, 16 de junho de 2018, 14h47

'Durante a Copa do Mundo, a repressão continua': A campanha da RSF sobre a Rússia


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Às vésperas da abertura da Copa do Mundo de futebol na Rússia, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) lança uma campanha para denunciar o controle cada vez mais forte do Kremlin sobre o jornalismo russo e saudar o combate daqueles que resistem.

Ao instalar em Paris um falso campo de futebol, sobre o qual foram colocadas fotos em tamanho real de sete jornalistas russos presos, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) lançou uma campanha de comunicação às vésperas da Copa do Mundo de futebol 2018 na Rússia. Para denunciar a situação e mobilizar o público, a RSF distribuiu figurinhas de coleção com as imagens dos jornalistas detidos, entre os quais, Alexandre Sokolov e Igor Roudnikov. Nunca houve tantos jornalistas, assalariados ou blogueiros, presos no país desde a queda da União Soviética em 1991. A campanha continuará com outros materiais visuais nas próximas semanas, para evitar que o maior evento midiático do ano sirva de propaganda do sistema de Putin, camuflando a redução cada vez mais drástica do pluralismo nesse país.

 

O Kremlin controla os principais grandes meios de comunicação russos, dos quais se utiliza para derramar sobre a população uma enxurrada de propaganda. Apesar de toda a sua determinação, o jornalismo independente perde espaço. Assim que um meio de comunicação independente consegue alcançar o grande público, ele é brutalmente enviado de volta ao banco de reservas. Aqueles que aplicam um carrinho por trás dos repórteres, por sua vez, só raramente recebem cartão vermelho: das violências cometidas por policiais a assassinatos, a impunidade é a regra. Pelo menos 34 jornalistas foram mortos devido a suas atividades desde a ascensão de Vladimir Putin ao poder em 1999. Na grande maioria dos casos, as investigações não dão em nada e os mandantes nunca são identificados. Na Chechênia ou na Crimeia, anexada em 2014, as regras simplesmente não têm mais valor: com a benção do Kremlin, as autoridades jogam "a portas fechadas".

 

"O fervor popular que a Copa do Mundo de futebol suscita não deve fazer com que seja esquecido o outro jogo, desequilibrado, que opõe o governo aos meios de comunicação independentes da Rússia, declarou Christophe Deloire, secretário geral da RSF, durante a coletiva de imprensa. A liberdade de imprensa nunca foi tão pisoteada desde a queda da União Soviética. Para evitar que o maior evento midiático do ano seja reduzido a um enganoso cenário propagandista, colocamos em evidência o rosto desses jornalistas que encarnam a resistência ao controle do Kremlin sobre os meios de comunicação."

 

Seguindo com a metáfora, o secretário geral da RSF explicou como o Kremlin "manipulava os jogos mudando arbitrariamente as regras do jogo": da criminalização da difamação à ofensa aos sentimentos dos crentes, as leis repressivas não param de se multiplicar. Seu caráter vago a amplo permite sua aplicação seletiva e arbitrária. As organizações de defesa da liberdade de imprensa não escapam à criminalização, que hoje ameaça também os meios de comunicação estrangeiros. Até pouco tempo livre, o controle da Internet é agora brutalmente retomado.

A Rússia ocupa o 148o lugar de 180 no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa publicado pela RSF em 2018.


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