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Mundo
Sábado, 14 de julho de 2018, 17h43

Entidades condenam violência sistemática a jornalistas e veículos de imprensa na Nicarágua


Na medida em que se aprofunda a repressão do governo de Daniel Ortega, na Nicarágua, aumenta a violência contra veículos de comunicação e jornalistas. Nesta semana, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e entidades de defesa à livre expressão, como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), condenaram os ataques sistemáticos à imprensa.

A CIDH, em informe publicado na quarta-feira (11), denunciou novas práticas de repressão à população do país – como as chamadas “operações de limpeza”, com o objetivo de desmantelar barricadas –, afetando até mesmo crianças e adolescentes. No documento, a comissão registra, a partir de abril, 264 mortes e quase 2 mil durante o período de protestos contra Ortega, que comanda o país desde 2007.

Também na quarta-feira (11), a SIP elevou o tom em relação à situação dos jornalistas na Nicarágua. Gustavo Mohme, presidente da entidade, condenou de forma enfática a violência contra a liberdade de imprensa na Nicarágua que “escalou perigosos níveis de gravidade”, restringindo o trabalho da imprensa e colocando em risco a segurança física dos jornalistas.

Na segunda-feira (9), jornalistas e bispos da igreja católica foram atacados por centenas de partidários do presidente Ortega e forças paramilitares que invadiram a Basílica de San Sebastian, em Diriamba. Além de agredidos e ameaçados, muitos dos profissionais de comunicação também foram roubados em seus documentos pessoais, celulares e equipamentos de trabalho. Câmeras de vídeo foram destruídas.

No último dia 28 de junho, um grupo de jornalistas independentes da Nicarágua rejeitou as agressões recentes contra jornalistas e exigiu que o Estado institua uma política de tolerância zero diante dessas agressões. Eles apontaram diversos ataques contra jornalistas, incluindo o assassinato do jornalista Miguel Ángel Gahona, em abril, enquanto filmava um enfrentamento entre manifestantes e policiais na localidade costeira de Bluefields, e o incêndio na Rádio Darío, no mesmo mês, bem como ameaças contínuas de morte recebidas pelo proprietário do veículo, Aníbal Toruño, sua família e colegas de trabalho.

Em comunicado no começa da semana, a CIDH adotou medidas cautelares para a viúva de Gahona, Migueliuth Sandova Cruz, e para integrantes da Rádio Darío. Na nota, a comissão diz que os familiares do jornalista assassinado e os profissionais da emissora têm sido ameaçados e intimidados para que permaneçam em silêncio.

Relato do CPJ demonstra que os trabalhadores da Radio Darío estão atemorizados. Depois de escaparem do incêndio, em abril, que destruiu as instalações da emissora, repórteres e editores estão improvisando para se protegerem. Na sede temporária da emissora, em León, os jornalistas prepararam saídas de emergência: um alçapão que se abre para a sala de jantar da casa vizinha e uma escada que leva ao telhado.

O medo está em todas as redações. No La Prensa, chapas de metal protegem portas e janelas do prédio onde fica a sede do jornal, numa tentativa de impedir os ataques das turbas que defendem o governo. Os horários dos funcionários também foram alterados para evitar transtornos. Jornalistas do turno da noite dormem em colchões na redação para não correrem riscos em deslocamentos noturnos. Quando os repórteres vão às ruas a trabalho, com frequência são vítimas da ira de agentes policiais e pessoas mascaradas. "Temos que ser muito cuidadosos porque estão nos atacando", disse Ivette Munguía, repórter do La Prensa.

Na emissora de televisão 100 % Noticias, a diretora de notícias, Lucía Pineda, contou que agentes policiais roubaram câmeras de vídeo, e que agora os repórteres cobrem os protestos em equipes ou viajam a zonas de perigo ao lado de organizações humanitárias. A emissora passou ainda a fazer mais uso de imagens feitas pelas pessoas por meio de seus celulares. Wilfredo Miranda, do site independente Confidencial, revelou que teve de se mudar após receber ameaças e notar mascarados próximos de sua antiga residência.

Os correspondentes estrangeiros não escapam da violência. Tim Rogers, editor do site norte-americano Fusion para a América Latina, disse que sites pró-governo divulgaram fotos suas com textos alegando que ele era agente da CIA. O jornalista foi obrigado a voltar para os Estados Unidos. "Provavelmente não regresse a Nicarágua ante de uma toca de governo".

ANJ


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