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Mundo
Sexta, 05 de outubro de 2018, 10h33

Software destinado à polícia foi usado para espionar jornalistas via celular em 45 países


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O Citizen Lab, da Universidade de Toronto, no Canadá, detectou o uso indiscriminado de um conhecido programa malicioso de espionagem (spyware) em 45 países, inclusive no Brasil. O mais recente relatório do laboratório – especializado em tecnologia da informação, comunicação, direitos humanos e segurança global – atualiza investigações sobre atividades envolvendo o Pegasus, um software comercial de espionagem desenvolvido pela NSO Group e oferecido a autoridades policiais para investigações. O documento registra que o programa pode ter infectado celulares de jornalistas. Anteriormente, os pesquisadores identificaram uma série de grandes campanhas do Pegasus, incluindo uma contra jornalistas investigativos no México, e outra contra defensores dos direitos humanos na Arábia Saudita.

O spyware, conforme relata o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), permite que o invasor monitore, registre e colete dados existentes e futuros do telefone. Isso inclui chamadas e informações de aplicativos de mensagens e dados de localização em tempo real. O programa, capaz de ativar remotamente a câmera e o microfone para vigiar o alvo e o ambiente ao redor, foi projetado para ser instalado em telefones que executem o Android, o BlackBerry OS e o iOS sem alertar o alvo de sua presença. Os jornalistas provavelmente só saberão que o telefone foi infectado se o dispositivo for inspecionado por um especialista em tecnologia. O CPJ alerta que spyware pode ser instalado de várias maneiras e, por isso, os comunicadores devem estar cientes desses métodos e tomar as medidas apropriadas para protegê-los e a suas fontes.

Os invasores criam mensagens personalizadas que são enviadas para um jornalista específico. Essas mensagens transmitem um senso de urgência e contêm um link ou um documento no qual o jornalista é incentivado a clicar. As mensagens vêm em uma variedade de formas, incluindo SMS, e-mail, através de aplicativos de mensagens como o WhatsApp ou através de mensagens em plataformas de mídia social. Assim que o jornalista clica no link, o spyware é instalado no telefone.

Brasil

Embora o relatório aponte o uso do programa no Brasil, informa o G1, não se sabe quem realizou a tentativa de espionagem e nem qual foi o motivo. Foram distinguidos apenas 36 operadores – o que significa que, se os números estiverem certos, algumas entidades teriam usado o programa fora de seu país de origem. O operador com alvos no Brasil tem um grande foco na Ásia, segundo o relatório.

O Citizen Lab vem rastreando a atividade do Pegasus por suspeitar que o programa é usado por regimes totalitários para perseguir ativistas políticos e jornalistas desde que o programa foi identificado em 2016 em uma tentativa de ataque a um ativista nos Emirados Árabes Unidos. A organização de defesa de direitos humanos Anistia Internacional também denunciou que um de seus colaboradores foi vítima de uma tentativa de espionagem com o Pegasus.

A NSO Group, que desenvolve o software, criticou o relatório do Citizen Lab e a recusa do grupo de pesquisadores em marcar uma reunião com a companhia para que ela explicasse sua posição. A empresa disse que o software é de uso exclusivo das autoridades para investigar criminosos e terroristas e que seus produtos já salvaram "milhares de pessoas" prevenindo ataques suicidas, apreendendo traficantes e "devolvendo crianças sequestradas aos pais". Também segundo a empresa, o software não funciona fora da área de atuação programada, o que exclui, por exemplo, os Estados Unidos.

O Citizen Lab, porém, alega que o software funcionou corretamente em um dispositivo norte-americano. O laboratório avaliou também que, por se tratar de um assunto de interesse público, a NSO Group deveria tratar do assunto com transparência, não em uma reunião fechada.

ANJ


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