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Mundo
Domingo, 21 de outubro de 2018, 10h48

ONU lança campanha de combate à xenofobia contra venezuelanos no Peru


A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lançaram uma campanha denominada “Sua causa é a minha causa”, que tem como objetivo fortalecer a solidariedade, promover a integração e mitigar a xenofobia contra os venezuelanos no Peru.

A campanha foi lançada em 13 de outubro em Lima, cidade que mais recebeu venezuelanos no Peru. Em outros municípios fronteiriços como Tumbes e Tacna foram organizados eventos paralelos.

Quase 500 mil venezuelanos chegaram ao Peru desde 2016 e, desses, mais de 150 mil pediram status de refugiado, enquanto 108 mil foram regularizados entre 2017 e 2018 por meio da Permissão Temporária de Permanência (PTP).

Apesar da generosidade do governo e da população peruana, a luta contra a xenofobia continua sendo uma prioridade, enquanto cerca de 1,2 mil pessoas continuam chegando ao país diariamente e a discriminação segue aumentando.

Uma pesquisa recente realizada pela consultoria Ipsos e apoiada pelo ACNUR — com 810 pessoas entrevistadas — mostrou que um em cada dois peruanos que residem em Lima, Tumbes e Tacna foram testemunhas de algum ato de discriminação contra os venezuelanos. O mesmo estudo, no entanto, revelou também que mais de 75% considerava os peruanos solidários com os estrangeiros durante seu processo de adaptação e integração.

De acordo com a Matriz de Acompanhamento de Deslocados da OIM (DTM, na sigla em inglês), implementada em Lima este ano, 24,4% dos venezuelanos entrevistados declararam ter sido discriminados. Desses, 88,6% indicaram que a discriminação ocorreu devido à sua nacionalidade. Os lugares nos quais se sentiram discriminados foram na maioria locais públicos (58%), locais de trabalho (36,1%), e em uma menor proporção seus bairros (3,5%), entre outros.

Nesse contexto, as agências da ONU desenharam a campanha com o propósito de ampliar a tradição de solidariedade do país por meio de ferramentas e atividades que permitam aos peruanos e venezuelanos trocarem ideias, conhecimentos e práticas para poder construir um futuro juntos.

“A campanha procura promover a cultura da integração, alimentando a diversidade e os benefícios que a migração traz”, disse o chefe de missão da OIM no Peru, José Iván Dávalos.

“A solidariedade dos países na região e de seus cidadãos com os venezuelanos proporcionou uma rede de segurança que é crucial para os mais vulneráveis. Essa rede se apoia na reconhecida prática na América Latina do asseguramento da proteção e da promoção de soluções para o deslocamento forçado e se dá em consonância com o imperativo vinculado de compartilhar responsabilidades, consagrado pela Declaração de Nova Iorque para Refugiados e Migrantes.”

“Não deveríamos permitir que o ódio e a violência iniciados por uma minoria prejudiquem essa tradição e esses esforços concretos. Por conseguinte, iniciativas como a campanha ‘Sua causa é minha causa’ são cruciais para poder dar apoio ao trabalho feito no nível local para fortalecer a inclusão”, disse a representante interina do ACNUR no Peru, Sabine Wähning.

Posto que a solidariedade continua sendo um ponto-chave, as agências do Sistema ONU estão dando passos adicionais para promover a coexistência pacífica entre as comunidades locais, os refugiados e os solicitantes de refúgio, de modo que o bom trabalho realizado até a data não seja afetado, o que pode ser conseguido por meio da criação de campanhas solidárias.

A representante regional do ACNUR para a América do Sul, Michele Manca Di Nissa, enfatizou que a campanha também procura apresentar ao mundo a experiência vivida no Peru como um exemplo de generosidade e solidariedade.

“As Nações Unidas fazem um chamado para que não sejam interrompidos os esforços de integração local de modo que os refugiados e os migrantes possam viver em condições dignas e seguras. No Peru e em toda a região, o Sistema ONU continuará comprometido com a assistência aos governos em todos os níveis, a fim de assegurar que esse contexto se converta em uma oportunidade para o desenvolvimento e o fortalecimento dos direitos humanos das comunidades de acolhida, os refugiados e os migrantes”, disse a coordenadora-residente das Nações Unidas no Peru, Maria del Carmen Sacasa.

Além das agências da ONU, diversas ONGs e organizações da sociedade civil também se uniram a esses esforços para reduzir os riscos de marginalização e radicalização por meio da campanha, que continuará sendo implementada por meio de diversas atividades em todo o país.


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