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Mundo
Domingo, 21 de outubro de 2018, 20h37

Mundo terá 2,2 bilhões de pessoas a mais até 2050, indica ONU


A população mundial deve crescer em mais de 2,2 bilhões de pessoas até 2050, informou a ONU na quarta-feira (17), e mais da metade deste crescimento (1,3 bilhão) deve acontecer na África subsaariana, onde direitos das mulheres são frequentemente violados por acesso limitado à saúde e à educação, além de uma discriminação de gênero estrutural.

A diretora do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Monica Ferro, disse em Genebra que a tendência global é a formação de famílias menores, indicando que mais pessoas estão fazendo escolhas sobre o número exato de crianças que querem ou que podem ter.

Apesar da transição gradual para taxas de fertilidade mais baixas, que começaram na Europa no final do século 19, nenhum país pode reivindicar que todos seus cidadãos usufruem de direitos reprodutivos em todos os momentos, disse Ferro.

“Não importa se é um país com alto índice de fertilidade ou um país com baixo índice de fertilidade, em ambos você irá encontrar indivíduos e casais que dizem não ter o número de filhos que desejam. Eles têm muitos ou poucos.”

Em 43 países, mulheres têm mais de quatro filhos
De acordo com o relatório “Estado da População Mundial 2018” , do UNFPA, há 43 países onde mulheres têm quatro ou mais filhos. Destes, 38 estão na África.

Exceto por cinco países do leste da África, menos da metade de todas as mulheres entrevistadas disseram preferir não ter mais filhos.

Se as previsões do UNFPA estiverem corretas, a fatia da África na população mundial irá crescer de 17%, em 2017, para 26%, em 2050.

No continente africano, taxas de fertilidade são “significativamente mais baixas” nas cidades do que em áreas rurais. Na Etiópia, por exemplo, mulheres têm em média 2,1 filhos em cidades, enquanto têm média cinco no restante do país.

Famílias maiores em zonas de conflito
Destacando a ligação entre conflito e insegurança com famílias maiores, dados do UNFPA também mostram que Afeganistão, Iraque, Palestina, Timor-Leste e Iêmen possuem taxas de fertilidade mais altas que a média geral de 2,5 crianças por mulher.

A diretora do UNFPA pediu para todos os países implementarem uma série de políticas e programas para aumentar as escolhas reprodutivas de suas populações.

“Em países em desenvolvimento, 671 milhões de mulheres escolheram usar contraceptivos modernos”, disse Ferro. “Mas, ao mesmo tempo, sabemos que 250 milhões no mundo em desenvolvimento querem controlar fertilidade e não possuem acesso a métodos contraceptivos modernos”.

Priorizar qualidade de cuidados de saúde materna é essencial, de acordo com o relatório da ONU, que destaca a necessidade de acesso a contraceptivos modernos, melhor educação sexual e uma mudança nas visões estereotipadas que homens têm das mulheres.

Casais que querem ter mais filhos também deveriam receber ajuda para isto, disse Ferro, explicando que barreiras econômicas que impedem que isto aconteça também deveriam ser respondidas, através de medidas como cuidados infantis a preços acessíveis.

A França e a Noruega tiveram aumento em índices de natalidade após adotarem tais medidas nas últimas décadas, disse Ferro.

Apesar disso, muitos países em desenvolvimento não possuem recursos ou segurança política necessários para melhorar saúde reprodutiva e garantir o direitos de todos.

Eles “estão em dificuldade para cumprir a demanda por educação, a demanda por empregos, a demanda até mesmo por serviços de saúde acessíveis para todos”, disse a diretora. “O que o relatório tenta mostrar é que nestes países a necessidade não cumprida de planejamento familiar é tipicamente muito alta”.

Direitos reprodutivos melhoraram significativamente
Em quase 25 anos desde que a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento foi endossada por 179 governos, os direitos reprodutivos “melhoraram significativamente no mundo todo”, disse Ferro.

Ela destacou que países concordaram na época acerca da importância de casais e indivíduos decidirem o número, espaçamento e hora de seus filhos, e que tais decisões fossem feitas livres de discriminação, coerção ou violência.

Um comprometimento similar é refletido na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, aceita pela comunidade internacional em 2015.

Apesar disso, centenas de milhares de mulheres continuam sofrendo com o fracasso da implementação deste programa de ação, insistiu a diretora do UNFPA.

“A cada ano, 300 mil mulheres morrem durante gravidez ou parto porque não tiveram escolhas em assistência maternal; cada dia, milhares de jovens são forçadas a engravidar e se casar precocemente e são vítimas de mutilação genital feminina. Elas não têm escolha.”


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