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Esporte
Segunda, 09 de julho de 2018, 14h02

O atraso que transformou a Seleção em saco de pancadas para os europeus na Copa


 

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O título mundial de 2002 marcou milhões de brasileiros, que viravam as madrugadas ligados no que acontecia em gramados de Coreia do Sul e Japão. Um triunfo pavimentado por muita segurança defensiva, fôlego dos laterais e o talento de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho no ataque.

Marcado também pela superioridade absoluta da Seleção em relação aos adversários europeus a partir do mata-mata. Bélgica, Inglaterra e Turquia foram eliminadas antes do triunfo sobre os alemães. No entanto, desde então o Brasil passou de caçador ao papel de caçado pelas equipes do Velho Continente.

A eliminação para a Bélgica, após derrota por 2 a 1 nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, foi apenas mais um episódio que demonstra a dificuldade do Brasil contra europeus a partir das oitavas de final. Alemanha, Holanda e França foram os carrascos respectivamente em 2014, 2010 e 2006.

E isso levanta o questionamento mais básico da humanidade: por quê?

Antes de tudo, é importante avaliar o contexto em que se encontravam os adversários antes de cada eliminação brasileira desde então. Afinal de contas, a infelicidade de um é fruto da capacidade do outro no esporte.

França, quartas de final, 2006: os algozes do Brasil formavam uma equipe cuja base ainda era dos jogadores campeões em 1998, como Zidane - craque em seus últimos e inspirados momentos. Thierry Henry estava no seu auge e um jovem Ribéry aparecia com destaque mundial pela primeira vez.

Do outro lado, a Seleção estava recheada de grandes craques. Entretanto a preparação foi marcada pela falta de comprometimento das maiores estrelas e a equipe treinada por Carlos Alberto Parreira não convenceu em nenhuma partida até a eliminação.

Holanda, quartas de final, 2010: a Seleção Brasileira comandada por Dunga não demonstrava um bom futebol, não animava o torcedor e ainda havia o péssimo clima com os jornalistas. A Holanda chegava para aquele Mundial com um time pragmático, mas com o brilho decisivo de um craque como Arjen Robben e, acima de tudo, Wesley Sneijder – que meses antes ajudara a Inter de Milão a conquistar tudo na Europa.

Alemanha, semifinal, 2014: enquanto a preparação do Brasil encontrava críticas desde os primeiros jogos, especialmente pela dependência nada saudável em cima de Neymar, a geração espetacular de alemães, encabeçada por Lahm e Schweinsteiger, buscava a última chance de conquistar um título e já demonstrava um futebol organizado havia tempos. O histórico 7 a 1 na semifinal marcou o triunfo da organização de um projeto sobre a desorganização de uma equipe desequilibrada emocionalmente e sem grandes alternativas.

Bélgica, quartas de final, 2018: o auge esportivo da melhor geração de jogadores belgas, dispostos a responderem à desconfiança fruto da grande expectativa que eles mesmos geraram.

Lukaku, Hazard, De Bruyne são protagonistas nos maiores clubes do mundo e mostraram o porquê disso contra uma equipe bem armada por Tite. Ainda que a Seleção tenha feito a sua pior exibição na Rússia, a derrota por 2 a 1 foi marcada por detalhes: a bola na trave, um pênalti não dado, uma finalização errada, uma defesaça do goleiro adversário.

Em comum a todos os algozes até 2014, o fato de terem chegado na final – embora só a Alemanha tenha conquistado o título. O péssimo desempenho contra os europeus pode ser explicado, portanto, pela força dos adversários. Mas não só por isso. A arrogância de se achar maior do que todos esnobou a necessidade de um projeto sério, e a longo prazo. Este é o cerne da questão.

O histórico de erros na preparação do time entre 2006 e 2014 foi o culpado mais óbvio pelas eliminações. E tamanho foi o atraso no qual o futebol brasileiro mergulhou após o título de 2002, que também respingou em 2018: unanimidade antes da CBF anunciar Dunga no início do ciclo visando o Mundial da Rússia, Tite assumiu o cargo apenas em 2016, quando a situação era caótica. Os elogios, mesmo após a eliminação para os belgas, são fruto do excelente trabalho feito em um curto espaço de tempo.

Evidente que o fator imponderável também se faz presente, ainda mais em 2018 pelo número de tentativas a gol do Brasil. Mas o insucesso contra os europeus no mata-mata das Copas ainda é devido ao atraso nascido pela arrogância. A boa notícia é que se antes não havia esperança de melhora, hoje é possível olhar para frente com otimismo de reencontrar dias melhores.


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