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Saúde
Sexta, 05 de maio de 2017, 19h33

Gestores hospitalares apontam que evolução digital é o caminho para a eficiência financeira


O 2º Simpósio de Gestão Hospitalar de Mato Grosso, realizado nesta quinta e sexta-feira (4 e 5 de maio), em Cuiabá, abordou a gestão econômico-financeira com foco nos processos e resultados da gestão de custos e produtividade. A explanação foi mediada pelo médico José Henrique Germann, diretor de Consultoria e Gestão do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

A implantação de procedimentos modernos e tecnológicos foi citada como fonte de redução de custos no gerenciamento da dispensa de medicamentos do Hospital Santa Rosa, conforme relatou o gerente de suplementos Cristiano Cardoso. "Em 2011 fizemos um mapeamento dos processos e percebemos que alguns procedimentos aumentavam as despesas, por serem realizados de forma analógica, entre os quais a dispensa de medicamentos", disse.

Cristiano Cardoso ponderou que a gestão dos procedimentos internos da unidade hospitalar com o uso de novas ferramentas tecnológicas é capaz de mitigar os efeitos contraproducentes do deficit logístico, que por sua vez reflete no cumprimento adequado das demandas.

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL – Para o CEO da Bionexo, empresa que atua na área de gestão de saúde, Maurício de Lázaro Barbosa, existe uma mudança mental na sociedade contemporânea. "A forma de pensar e agir está sendo completamente transformada pelas inovações digitais. Na gestão hospitalar não é diferente. Precisamos abandonar o modelo de gestão do século passado e passar a olhar para os desafios do hoje com as possibilidades e vantagens que as mudanças digitais proporcionam", comenta.

Barbosa pondera que mesmo os profissionais que fazem parte da geração que ainda não tinha a tecnologia como parte do cotidiano estão sendo "empurrados" de alguma forma para o mundo da tecnologia.

"Todas as entidades que não nasceram digitais vão buscar o caminho da transformação digital. A geração contemporânea já é nativa digital. Os hospitais não nasceram digitais, mas vão ter que se transformar", ressalta Barbosa.

Já o diretor geral do Sistema de Saúde Mãe de Deus, do Paraná, Alceu Alves da Silva, destacou que a eficiência financeira da gestão hospitalar precisa eliminar o abismo entre a gestão assistencial e a gestão econômica dos hospitais.

"As duas áreas precisam tomar consciência da reciprocidade e interdependência que possuem para o bom funcionamento do hospital. Quando isso fica claro na realização dos procedimentos cotidianos, a eficiência acontece", pontua Silva.

FOCO NO PACIENTE – Se na área da saúde prudência é requisito básico, hoje as acreditações e certificações passam a partilhar esta base. Foi o que evidenciou o eixo "Gestão Assistencial: Processos e Resultados da Gestão do Cuidado do Paciente".

Para o professor Miguel Cendoroglo Neto, diretor superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, esta busca por metodologias de excelência fazem parte de um processo que objetiva a prestação de uma assistência adequada aos pacientes.

"Elas são o piso da qualidade que o paciente merece. E ainda podem ir além: formando pessoas que possam vir a disseminar essa cultura e conhecimento em novos projetos", destaca Cendoroglo Neto.

Segundo a gerente de práticas assistenciais do Hospital Santa Rosa, Amanda Greipel, essas acreditações e certificações simbolizam mudanças essenciais para a evolução da assistência. Ela cita os programas instituídos dentro da instituição que seguem neste sentido como, por exemplo, o programa "Cuidado Centrado no Paciente".

"Nós ampliamos a visão do 'cuidar' por meio de uma nova ótica. Além de ser para o paciente, ele passou a ser feito com o paciente – envolvendo-o no processo. Instigamos e incentivamos ele a aderir ao conceito e questionar mais. Fazendo perguntas como 'esse é o meu diagnóstico?', 'quais exames devo fazer e por qual motivo?', 'você lavou a mão hoje?', entre outras", explica Greipel.

Para o moderador Ary Costa Ribeiro, o superintendente comercial e de serviços ambulatoriais do Hospital do Coração (HCor), tudo isso também faz parte de uma mudança no foco de poder nas instituições.

"Hoje e daqui para frente, os modelos não estão voltados para quem faz a gestão. Eles são feitos por meio da transferência, dos atores desde lá da ponta chegando ao paciente. Essa é a barreira que devemos incorporar", pondera Ribeiro.

COMPLIANCE – A crescente preocupação em relação à ética e transparência na área da saúde, que deve levar em conta as diversas formas de relacionamentos entre os agentes envolvidos e os prestadores de serviços do setor, guiou a palestra magna "A Contribuição dos Programas de Compliance para a Sustentabilidade das Organizações".

De acordo com a diretora de riscos, auditoria e compliance do Hospital Israelita Albert Einstein, Viviane de Souza Miranda, o compliance pode contribuir para melhorar os sistemas já impostos. Para tal, é preciso levar em conta o cenário atual que demonstrar que o dinheiro do setor de saúde está acabando e as operadoras de saúde, por exemplo, estão sofrendo seus reflexos.

"Apesar disso, na crise, existe oportunidade. Ela desencadeia ações que demorariam muito para serem implementadas. Conseguimos melhorias de ambientes e processos por conta delas. Sem contar que as crises vão aparecer e precisamos tirar proveito desses momentos. O primeiro passo em relação ao compliance já foi dado, que é o setor. Agora, é a vez dos executivos acharem importante e destinarem recursos e ações para que as coisas continuem a caminhar e acontecer", reflete Miranda.  


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