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Saúde
Quinta, 05 de julho de 2018, 09h24

Estado custeou 735 cirurgias e procedimentos cardíacos de alta complexidade em 12 meses


O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT), retomou o custeio de dois procedimentos cirúrgicos de alta complexidade em pacientes cardíacos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que são a toracotomia, também conhecida como “cirurgia de peito aberto”, e as angioplastias. De abril de 2017 a abril de 2018 foram 468 cirurgias com toracotomia e 267 angioplastias com stent farmacológico, totalizando 735 procedimentos.

As cirurgias vêm sendo realizados em hospitais contratados pelo SUS como a Amecor (90), Hospital Geral Universitário – HGU (409), Santa Casa de Rondonópolis (200), Hospital Santa Helena (22) e Santa Casa de Cuiabá (14).

Estes procedimentos custaram à Secretaria de Estado de Saúde R$ 3,4 milhões. Na iniciativa privada uma “cirurgia de peito aberto” fica entre R$ 50 mil e R$ 150 mil e cada stent em torno de R$ 9 mil enquanto pelo SUS o custo para o paciente é zero. Isso significa que apenas a realização das cirurgias de peito aberto, se baseando no menor valor, se fossem realizadas em unidades particulares, teriam um custo de R$ 23,4 milhões.

Queixando-se de muito cansaço, falta de ar, dores no peito e tendo febre constantemente, Wilma de Fátima Rodrigues da Cruz, 54 anos, descobriu ser cardiopata há cerca de cinco meses. Durante esse período, passou por diversos exames, incluindo um cateterismo. Porém, para poder retornar a sua rotina normal, precisou ser submetida a uma cirurgia e recebeu três pontes de safena.

Wilma, com quase 30 dias de pós-operatório, diz que se sente muito bem. “Agora é só aguardar a recuperação, que está sendo 100%, cumprir a dieta certinho, seguir tomando as medicações, voltar a trabalhar e retomar a rotina normal. Estou igual a um motorzinho”, comemora.

A filha Telma Franciele vibra com a recuperação da mãe. “O atendimento que ela recebeu foi nota dez e o resultado está ótimo, porque a gente via que antes da cirurgia ela sofria muito, e agora não, até a fisionomia dela mudou. Ganhou um coração novo”, comentou.

Tratamento de urgência

O cirurgião cardiovascular Gibran Roder Feguri atende especificamente cirurgias cardiovasculares e implantes de marca-passos no Hospital Geral Universitário (HGU), onde ocorre a maioria das cirurgias pelo Sistema Único de Saúde de Mato Grosso com essas demandas.

Ele explica que o HGU realiza cirurgias de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida por pontes de mamária ou ponte de safena. “Mas também fazemos muito as trocas de válvulas e também operamos as cardiopatias congênitas nos adultos”, comenta.

 

O médico afirma que o hospital é referência para o tratamento das doenças da aorta, considerada uma condição de urgência, pois geralmente precisa ser realizada o quanto antes para poder salvar a vida do paciente. “Todos esses procedimentos são de alta complexidade e feitos através da esternotomia mediana, também chamada de toracotomia, ou cirurgias de peito aberto”.

Segundo o cirurgião, esses pacientes geralmente são acima de 60 anos, sendo dois terços deles homens um pouco mais obesos, com taxa elevada de colesterol e triglicerídeos. Os diabéticos também estão nesse perfil, mas principalmente o diabético do tipo II, são sedentários e tabagistas. “Estes são os grandes candidatos a ter problemas de aterosclerose”, ressalta Gibran.

Os stents farmacológicos ou não farmacológicos de coronária também já estão sendo feitos rotineiramente por meio da Secretaria de Estado de Saúde. O procedimento trata parte dos tipos de aneurismas e dissecções da aorta que não se fazem necessário abrir o paciente com anestesia geral e torocotomia.

“Trata-se de um procedimento urgencial, pois quando o paciente chega no Pronto Atendimento com um quadro de infarto agudo, ele tem de ir rapidamente para a Hemodinâmica, onde é feito o diagnóstico e, se uma artéria está com um entupimento, um trombo agudo, uma placa aterosclerótica se romper e promover esse infarto, essa artéria tem que ser aberta com o stent, para que o fluxo de sangue volte a passar, e isso tem que ser realizado em poucas horas”, complementou.

Como a sala de Hemodinâmica do HGU está passando por uma reforma, os pacientes estão sendo encaminhados para a Santa Casa. A previsão é para que no próximo mês a sala seja reaberta.

Mais vidas salvas

 

O médico intensivista Fábio Liberali, diretor da UTI do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, destaca a importância das cirurgias cardíacas e da angioplastia para salvar a vida do paciente, cujo pós-operatório depende necessariamente de um leito de UTI por conta da complexidade dos procedimentos.

“Então eu, como intensivista, percebo que os pacientes estão fazendo a cirurgia com um tempo de antecedência menor entre o início da doença e a intervenção. Isso é muito bom porque o pós-operatório é mais tranquilo, ele está menos grave e com isso se recupera mais rápido”, frisa o médico.

Fábio Liberali credita parte disto ao aumento do número de cirurgias cardíacas que estão sendo oferecidas pelo SUS e também ao diagnóstico das doenças cardiovasculares. “O que significa que cada vez menos pacientes correm o risco de morrer em decorrência das cirurgias”, frisa, reconhecendo que ainda há necessidade de ampliação, mas otimista com a tendência de que o serviço melhore cada vez mais. 


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