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Saúde
Sexta, 24 de maio de 2019, 20h27

Evento destaca ações de controle de infecção hospitalar



Atividade abordou a importância da estruturação de medidas no campo da assistência à saúde para reduzir o risco de infecções e combater a resistência microbiana no país.

 

Imagen meramente ilustrtiva (internet)


O controle de infecções hospitalares e o combate à resistência antimicrobiana, duas importantes prioridades da área da saúde no mundo, foram os temas centrais de um evento realizado pela Anvisa nesta quinta-feira (23/5), em Brasília. O primeiro problema é relacionado à falta de higienização adequada em ambientes hospitalares, fator determinante para a ocorrência de contaminações de pacientes e profissionais de saúde. O descuido pode até levar ao óbito. Já o segundo afeta diretamente o controle de infecções e foi eleito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das 10 ameaças globais em 2019.

A atividade fez parte das comemorações de duas décadas de existência da Anvisa e marcou os 20 anos de criação da Coordenação Nacional de Prevenção e de Controle de Infecções da Agência. Para o diretor Fernando Mendes, que abriu o evento, o Brasil está incluído no cenário de enfrentamento mundial das infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras). O trabalho é realizado pela Anvisa em parceria com as Vigilâncias Sanitárias locais, estados e municípios, além das comissões hospitalares, entre outros. “Hoje posso dizer, com tranquilidade, que coordenamos com presteza o controle e a prevenção de infecções no Brasil”, disse o diretor.

De acordo com o secretário de saúde do DF, Osnei Okumoto, que também participou da mesa de abertura, há necessidade de ter cuidado em relação à utilização de antimicrobianos. “O controle da infecção é extremamente importante. O trabalho da Anvisa é fundamental para que o paciente tenha garantia de que realmente está recebendo um tratamento adequado”, disse Okumoto. Ele destacou também os esforços dos hospitais públicos do DF para o controle de infecções e prevenção de danos à população e aos profissionais de saúde.

Já o titular da Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES) da Agência, Guilherme Buss, afirmou que o controle de infecções e o combate à resistência antimicrobiana devem receber mais atenção. “Silenciosamente, as infecções estão acontecendo e os microrganismos estão se tornando cada vez mais resistentes”, disse ele.

Ao todo, aproximadamente 250 servidores da Anvisa e profissionais de saúde de hospitais do Distrito Federal (DF) participaram do evento em Brasília.

Contando a história
Após a abertura, houve três palestras. A primeira trouxe o “Histórico do controle de infecções no Brasil”, com Glória Maria Viana de Andrade, a primeira titular da Gerência de Controle de Infecções da Anvisa. Como uma das principais responsáveis pelo início da estruturação da área e testemunha dos desafios no controle de infecções, em um país com as dimensões e diferenças encontradas no Brasil, ela relatou como foi árduo difundir e implantar um programa nacional de controle.

Segundo a especialista, os desafios são muitos até hoje e o trabalho exige coragem e conhecimento de saúde in loco. Ela defende que medidas simples e básicas sejam alvo de campanhas de divulgação sobre o tema. “Depois de 20 anos de história, eu contemplo, sem medo de errar, que nós precisamos fazer várias campanhas sobre a higienização das mãos”, disse Glória Maria, que reforçou que o controle de infecção no mundo começou no século 19, justamente com essa medida.

Para ela, o segundo grande problema relacionado ao controle das infecções hospitalares é a resistência antimicrobiana. De modo geral, a resistência microbiana é criada quando bactérias são expostas, repetidas vezes, ao uso de um ou mais produtos, como antibióticos e antivirais, entre outros. Com o tempo, os agentes etiológicos (causadores de doenças) ficam mais fortes e os medicamentos passam a ter ação limitada.

Precursores
A segunda palestra – “20 anos do controle de infecções na Anvisa, lutas e conquistas” – foi de Magda Machado de Miranda, titular da Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS) da Agência. Ela falou sobre a criação da legislação brasileira, estratégias nacionais para o controle de infecções, avaliação de ações e monitoramento, além de práticas de segurança do paciente, entre outros tópicos.

Também destacou a história do controle de infecção desde seus primórdios, citando o médico húngaro Ignaz Semmelweis (1818-1865), que observou que poderia reduzir infecções com a higienização das mãos, prática implementada por ele em um hospital de Viena, em 1860. Também citou os ingleses Florence Nightingale (1820-1910) e Alexander Fleming (1881-1955) como nomes importantes para o controle de infecções.

Comunicação
O ciclo de palestras foi encerrado com o tema “Comunicação efetiva: importância crucial para a saúde”, com a assessora-chefe da Assessoria de Comunicação (Ascom) da Anvisa, Isabel Cristina Raupp Pimentel. Durante a sua participação, ela abordou diversos aspectos, como as dificuldades para estabelecer uma comunicação clara sobre questões de saúde e para diferentes públicos (cidadãos, pacientes, gestores, profissionais de saúde e imprensa).

Para Isabel, a ação de comunicação deve ser direcionada, primordialmente, ao cidadão, sem o uso excessivo de informações técnicas e de difícil compreensão. “A informação precisa ser clara, compreensível, fácil de lembrar, ter crédito e ser adaptada à cultura local”, afirmou.

Ela estimulou os profissionais de saúde presentes ao evento a procurar estabelecer laços com a área de comunicação em suas instituições. “É preciso pensar com simplicidade. Melhorar a comunicação ajuda a promover a ética e a responsabilidade na área da saúde”, finalizou.

Homenagens a hospitais do DF

O evento abarcou também o VII Encontro Distrital de Segurança do Paciente e Controle de Infecção. Isso incluiu o lançamento de publicações da Gerência de Riscos em Serviços de Saúde do Distrito Federal (GRSS/Divisa) e a entrega de premiações a três hospitais locais com os melhores índices de conformidade nas inspeções e melhor adesão ao sistema de notificação de eventos adversos (Notivisa).

Os contemplados foram o Hospital Sarah Kubitschek (1º lugar), o Hospital do Coração do Brasil (2º lugar) e o Hospital São Francisco (3º lugar). Os prêmios foram entregues por Fabiana Mendes, titular da GRSS.

Concurso #euprevinoinfecção
A programação contou, ainda, com a premiação do melhor vídeo do concurso #euprevinoinfecção, voltado para profissionais que trabalham com prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde em serviços de saúde. Ao todo, foram inscritos 67 vídeos, dos quais 10 foram classificados. O vídeo vencedor foi o da equipe do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, de São Paulo.

Para a equipe, a premiação representou um estímulo ao trabalho realizado. “Levando isso para o hospital, mostrando que o trabalho do hospital está sendo reconhecido nacionalmente, seguramente nós vamos ter um incremento nas nossas políticas de prevenção e controle de infecção hospitalar”, afirmou o médico infectologista Marcos Antônio Cyrilo, que atuou no vídeo.

As atividades do dia foram encerradas com uma apresentação cultural dos Servidores do Hospital das Forças Armadas de Brasília (HFA) sobre o controle de infecções.  


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