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Agronegócio
Quinta, 12 de outubro de 2017, 11h46

WRI e Embrapa discutem restauração florestal em larga escala


No dia 13/09, a Embrapa Florestas recebeu a visita do WRI – World Resources Institute, organização global que trabalha com foco em pesquisa e aplicação de metodologias, estratégias e ferramentas voltadas a seis grandes áreas: clima, florestas, cidades, água, energia e alimentos. O trabalho do WRI se estende por mais de 50 países, com escritórios no Brasil, China, Estados Unidos, México, Índia, Indonésia, Europa e África. No Brasil, a WRI trabalha com os temas clima, florestas e cidades.

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Em pauta, a troca de informações e experiências para alinhamento de trabalhos conjuntos para restauração florestal em larga escala, com viés econômico. Segundo Miguel Calmon, Diretor de Florestas da WRI Brasil, “queremos desenvolver um grande trabalho com espécies florestais nativas, mas incluindo a geração de renda ao produtor rural”. Um dos projetos coordenados pela ONG é o Verena – Viabilidade Econômica de Reflorestamentos com Espécies Nativas, que foi apresentado ao grupo de pesquisadores da Embrapa Florestas que participou do dia de atividades. “Não há nova economia sem pesquisa e desenvolvimento, por isso estamos trabalhando junto com a Embrapa”, afirma Calmon. Além de Calmon, Claudio Pontes, especialista de restauração florestal da WRI Brasil também participou da visita.

Na parte da manhã, foram realizadas visitas a áreas experimentais na base física da Embrapa Florestas, como as áreas de conversão de capoeira em plantios de araucária, arboreto, pomar de pinhão precoce e bracatinga. Já o período da tarde foi destinado a uma conversa com pesquisadores da área de nativas, que contaram a respeito das pesquisas que desenvolvem e que poderiam ser utilizadas em parceria. “A Embrapa tem uma estrutura muito boa para pesquisa, com equipe muito capaz e multidisciplinar, laboratórios bons e presença nacional”, explica o pesquisador Erich Schaitza, da Embrapa Florestas, e coordenador técnico da cooperação Embrapa/WRI. “No entanto, independente disso, sabemos que não conseguiremos vencer grandes desafios nacionais se não nos aliarmos a instituições como o WRI. Nossa ação é complementar à deles e há vantagens claras em trabalharmos juntos. Primeiro, representam uma diversidade de opinião. Segundo, trabalham em escala global, com políticas globais, especialmente as ligadas a mudanças climáticas, além de conhecerem realidades onde nem sempre conseguimos chegar”, avalia.

Uma das questões ressaltadas por Calmon foi a necessidade de desenvolvimento de pesquisas voltadas à Agenda do Clima. “É uma janela de oportunidades para quem trabalha com conservação, mitigação, adaptação, aliados ao combate à pobreza e segurança alimentar”, orientou Calmon.

Contexto

As Nações Unidas consideram as mudanças climáticas como um dos maiores desafios correntes da humanidade, uma vez que mudanças em padrões climáticos e o aquecimento da temperatura global ameaçam a produção de alimentos, geram aumento do nível de oceanos, aumentam o risco de eventos catastróficos de enchentes e secas, com consequências sobre pobreza, desenvolvimento e gestão de recursos naturais.

Na raiz das mudanças climáticas está o aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. Uma série de estudos apontam uma clara correlação entre o crescimento de sua concentração e o aumento da temperatura da terra. Mostram também a forte pegada antrópica no aumento da emissão de GEE, especialmente desde os tempos da Revolução Industrial.

Com isso, há um esforço concentrado de nações em todo o globo para responder ao processo de mudanças climáticas, especialmente pela redução de emissões e pela adaptação a possíveis impactos presentes e futuros. Em 1992, firmou-se o tratado internacional que que estabeleceu a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Desde a promulgação dessa Convenção, o Brasil tem sido ativo e assumido um papel relevante no processo. Em 2015, 195 membros das Nações Unidas, dentre eles o Brasil, assinaram o Acordo de Paris sob a UNFCCC no qual se comprometiam a adotar medidas nacionais para mitigar emissões de GEE. Em julho de 2016, o Congresso Nacional Brasileiro aprovou e deu força de lei à participação nacional no Acordo através Decreto Legislativo 140/2016.

Conforme previsto no Acordo de Paris, o Brasil apresentou seu compromisso de redução de emissões de GEE em 37% abaixo dos níveis de emissão de 2005 em 2025 e a 43% dessa referência em 2030, em um documento intitulado Contribuição Determinada Nacional (NDC, sigla do inglês National Determined Contribution) e apresentou uma série de ações a serem tomadas no país para atingir tais metas.

Uma dessas ações é promover o reflorestamento de 12 milhões de hectares nas próximas décadas, com florestas de uso múltiplo. Essa meta de área foi determinada a partir da necessidade de se cumprir o Código Florestal Brasileiro com a recomposição de áreas de reserva legal e de preservação permanente e também do crescimento potencial de reflorestamentos industriais, dando sustentação a um crescimento industrial do setor de base florestal. Basicamente, é um compromisso de mudança do uso da terra, convertendo áreas de agricultura, pecuária e degradadas em área florestal.

Para que a meta seja cumprida, o governo deverá estabelecer uma série de políticas públicas que levem produtores rurais a plantar florestas, incluindo a exigência do cumprimento do Código Florestal, já iniciado com a exigência de Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Recomposição Ambiental (PRA) subsequente, crédito e assistência técnica.

Segundo Schaitza, "a Embrapa e demais instituições de pesquisa nacionais têm um papel importante nesse processo. Devem gerar e disponibilizar conhecimentos que em grande parte determinarão o sucesso desses reflorestamentos. Plantios comerciais sem tecnologia provavelmente não serão rentáveis. Plantios conservacionistas sem tecnologia também não proverão os serviços ambientais a que se propõem".  


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