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Agronegócio
Sexta, 09 de fevereiro de 2018, 08h31

Técnicos conhecem potencialidades de sistemas agrossilvipastoris para desenvolvimento rural


As potencialidades de sistemas agrossilvipastoris para o desenvolvimento rural foram abordadas no intercâmbio que reuniu Embrapa e técnicos da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará (SDA), Ematerce e Instituto Agropolos nos dias 6 e 7 de fevereiro. Após um primeiro dia de palestras sobre o tema em Fortaleza (CE), os técnicos, envolvidos no projeto Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável São José III, do Governo do Estado do Ceará, visitaram comunidades rurais e o campo experimental da Fazenda Crioula, da Embrapa Caprinos e Ovinos em Sobral (CE), nesta quarta-feira (7), para conhecer experiências de sistemas de produção locais.

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Na passagem por Sobral, os participantes do intercâmbio estiveram, pela manhã, na comunidade Sítio Areias, onde observaram como os agricultores locais implantaram um sistema de produção agroflorestal, que preserva a vegetação nativa e possibilita a produção de milho, feijão, abóbora e melancia em regime de agricultura familiar. À tarde, visitaram o Sistema Agrossilvipastoril na Embrapa, para verificar como técnicas de manejo da caatinga, como o raleamento [retirada de árvores de menor potencial forrageiro para favorecer entrada de luz e rebrota de sementes], são úteis para favorecer a produção agrícola, a preservação do solo e aproveitar melhor recursos naturais.

Para os participantes, a experiência de sistemas de produção que integrem produção agrícola, pecuária e exploração sustentável da mata nativa consiste em alternativa viável para o meio rural no semiárido. “Precisamos trabalhar mais com esses sistemas, para minimizar a degradação ambiental, conduzir a recuperação do solo, evitar o uso de agrotóxicos. Divulgar e replicar esses sistemas é importante para o futuro de nossa geração”, afirmou Renato Carvalho, técnico da Ematerce que atua em Tauá (CE).

Wander Soares, técnico da SDA, destacou que um dos aspectos positivos vistos nos sistemas agrossilvipastoris é a possibilidade de preservação da caatinga a partir de recursos locais. “Existe uma preocupação com a recuperação da caatinga e muitos trabalham de outras formas, implantando espécies vegetais exóticas, por exemplo. Essas experiências mostram que é possível recuperá-la com nossos recursos naturais e ainda ter boa produção”, avaliou ele.

Já o técnico Luiz Araújo Gonzaga, que atua na Ematerce em Pacajus (CE), destacou que as políticas públicas devem dar mais atenção a sistemas integrados de produção. “Esses sistemas são muito interessantes para fins como o combate à desertificação. Mas trazem resultados a longo prazo e, por isso, é preciso que órgãos públicos apoiem essas iniciativas, evitando o imediatismo”, ponderou ele.

Na visita a Sobral, os técnicos foram acompanhados pelo zootecnista Éden Fernandes, analista da Área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Caprinos e Ovinos, que considerou o intercâmbio válido, como forma de aproximar os técnicos de extensão rural dos resultados de pesquisas agropecuárias com foco em desenvolvimento sustentável. “Estes técnicos conduzem ações de um projeto relevante de desenvolvimento. Temos uma troca de informações que só favorece as políticas públicas”, considerou Éden, que também ministrou palestra sobre os sistemas agrossilvipastoris no primeiro dia do intercâmbio, em Fortaleza.

Sistemas integrados de produção

Os sistemas de produção agrossilvipastoris representam uma das modalidades possíveis de integração de lavoura, pecuária e exploração sustentável de florestas. Estes sistemas buscam benefícios como: uso mais eficiente da terra, mão de obra e recursos naturais; boas práticas de produção, como a redução de agrotóxicos, de queimadas e desmatamentos; impactos ambientais, favorecendo melhor conservação do solo e da água; impactos econômicos, como a diversificação de atividades produtivas e melhoria de renda dos produtores rurais e suas famílias.

Nas visitas do dia 7, os técnicos conheceram dois tipos distintos de sistema. No Sítio Areias, há o Sistema Agroflorestal para Pequenas Propriedades Rurais no Semiárido, indicado para propriedades com dimensões menores que 3 hectares e regime de agricultura familiar. Na Embrapa, o Sistema Agrossilvipastoril é dividido em três áreas, uma de 20% para agricultura, outra de 60% para pecuária e a última de 20% como reserva legal. A produção agrícola e a parcela de pecuária, com caprinos e ovinos, convivem com preservação de mata ciliar e áreas para produção de plantas forrageiras, voltadas para alimentação dos rebanhos.

Interação com políticas públicas

Além dos técnicos, a visita teve presença de gestores da SDA, como o coordenador de Apoio às Cadeias Produtivas da Pecuária, Márcio Peixoto, que se reuniu com o chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos, Marco Bomfim, para discutir uma agenda de trabalho que possibilite a integração de ações de projetos de âmbito estadual, como o São José III e o Paulo Freire, com programas de desenvolvimento em nível federal, caso do InovaSocial [programa de desenvolvimento executado pela Embrapa, com recursos do BNDES].

Segundo Marco Bomfim, algumas iniciativas conjuntas já estão no horizonte da Embrapa e Governo do Ceará, como a capacitação de técnicos, o uso de tecnologias para favorecer a qualidade do leite caprino junto a produtores do Sertão Central e a convergência de ações para desenvolvimento territorial na região dos Inhamuns/Crateús, onde o InovaSocial tem atuação. “A aproximação com políticas públicas e programas sociais é uma forma viável para entregarmos soluções tecnológicas que possam ajudar na inclusão produtiva e na redução da pobreza”, destacou Bomfim.


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