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Agronegócio
Terça, 13 de março de 2018, 07h51

Um pouco de ciência, de história e de humanidade


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Diariamente os telejornais, sites, rádios e mídias sociais nos “alcançam” as piores notícias sobre conflitos armados, fome e perdas irreparáveis de vidas e da história dos povos envolvidos, em situações que envergonham a humanidade em retratos cotidianos dos noticiários internacionais.

Uma das pautas que têm mexido com a emoção das pessoas em várias partes do mundo é a guerra civil na Síria. Em cinco anos esse conflito registra o trágico número de 400 mil sírios mortos na luta armada e, pelo menos, outros 70 mil morreram em consequência, devido à falta de água e cuidados médicos (de acordo com dados do jornal britânico The Guardian divulgados conforme informação do Centro Sírio para Pesquisa Política).

Estes dados sinalizam um desastre humano para o qual as nações ainda não acharam solução. Mas, no meio desta erupção de violência e destruição, há uma ínfima faísca que pode ajudar a Síria a um dia voltar a produzir seus cereais e grãos, em campos minados de produção e produtividade, em vez dos atuais campos de guerra. E esta informação que circulou pouco nas mídias foi narrada ao Hoje pelo pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Arthur Mariante, representante do Brasil no Banco Global de Sementes de Svalbard, localizado na cidade de Longyearbyen, Noruega.

Mariante, que participou das comemorações dos 10 anos do Banco enquanto membro do Conselho Consultivo da organização, no final de fevereiro e começo de março deste ano, em seu discurso sobre a importância do Banco de Germoplasma da Embrapa e desse trabalho em nível mundial, mesmo considerando as devidas proporções, traçou um paralelo entre a recuperação das “sementes perdidas” do povo Krahô (que habita a região nordeste do Tocantins), em 1994, e a chance de os sírios recuperarem suas sementes “levadas” pela guerra, graças aos bancos de conservação.

A fala de Mariante no evento de Svalbard reuniu elementos técnicos e especialmente humanos, pois tratava de incentivar os pesquisadores sírios do ICARDA (sigla em Inglês para Institute Centre for Agricultural Research in Dry Areas) que, em meio a guerra, precisaram mudar para o Marrocos e o Líbano e lá reconstruírem o acervo genético que mantinham em Aleppo.

“A boa notícia no meio de todo o horror da guerra é que deste material resgatado, parte foi devolvido ao Banco de Global de Sementes de Svalbard”, comenta Mariante. Em ato simbólico, todos os membros do Banco depositaram sementes de seus países, no evento comemorativo aos 10 anos da instituição. "Foi uma cerimônia muito interessante. Cada um dos convidados dirigia-se ao cilindro, que estava junto ao pódio do auditório da Universidade de Svalbard, comentava sobre as sementes que levava e explicava a importância. Tive o cuidado de levar dois gêneros que o Brasil já depositou no Banco: arroz e feijão. E ao despejar estas sementes no cilindro eu falei que as havia escolhido por serem os dois principais alimentos da população do Brasil", relatou o pesquisador.

A Embrapa já depositou no Banco Global 514 acessos de feijão (2014), 264 acessos de milho e 541 acessos de arroz (2012). De acordo com Arthur Mariante a seleção dessas culturas agrícolas segue a uma das recomendações do Banco no que diz respeito à relevância para a segurança alimentar e agricultura sustentável.

O Banco da Noruega, tido como um imenso Cofre Global de Sementes ou Cofre do Planeta, tem mais de 1 milhão de depósitos de material genético na ilha norueguesa de Spitsbergen, arquipélago de Svalbard. Naquela terra onde a temperatura no verão não passa de 7ºC estão armazenados um total de 967.216 envelopes lacrados cheios de sementes, que só podem ser abertos pelos depositantes, como ocorreu com as amostras provenientes de Aleppo, que agora reconstroem o acervo do ICADA no Líbano e Marrocos, longe da guerra civil.


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