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Agronegócio
Sexta, 21 de setembro de 2018, 08h34

Rede de pesquisa conhece pecuária de precisão em São Carlos


Nesta quarta-feira (19), pesquisadores de várias regiões do Brasil estiveram na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, para conhecer tecnologias voltadas à pecuária de precisão. Os cientistas fazem parte da Rede de Agricultura de Precisão da Embrapa e participaram, nesta semana, da quarta convenção do grupo. Ao todo, são 16 centros de pesquisa das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Essa rede de pesquisa é coordenada pela Embrapa Instrumentação (São Carlos-SP).

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A programação da convenção teve cinco workshops. Um deles, sobre tecnologias que habilitam a pecuária de precisão, foi realizado na fazenda Canchim, onde funciona a Embrapa Pecuária Sudeste. O pesquisador Alberto Bernardi, um dos organizadores deste workshop, disse que há vários grupos de pesquisa na Embrapa estudando tecnologias que levem à pecuária de precisão e que, pela primeira vez, eles conseguiram se reunir presencialmente. Contatos via videoconferência já haviam sido feitos.

“Esse workshop servirá para a gente afinar as pesquisas, é o ajuste fino. Grupos fortes da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), Embrapa Pecuária Sul (Bagé-RS), Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora-MG) e Embrapa Pecuária Sudeste já trabalham para melhorar o manejo e a pecuária brasileira. Aqui estamos conhecendo resultados de todas essas pesquisas”, afirmou Alberto.

Ele destacou ainda que foram convidados para o debate representantes de empresas privadas, como Oráculo, Beef Trade e Scot Consultoria. “São participantes ligados à pecuária que vão nos ajudar a dar o direcionamento para a pecuária de precisão”, afirmou.

A pesquisadora Thaís Amaral Basso, da Embrapa Gado de Corte, teve oportunidade de apresentar à rede informações sobre o manejo automatizado de bovinos. Ela mostrou como funciona o mangueiro digital e aproveitou para detalhar como aquele centro de pesquisa está transferindo essas tecnologias ao setor produtivo. Uma das formas é por meio de cursos, como o de mapeamento aéreo com drones para o agronegócio, realizado em julho e que deve ser repetido agora em outubro. Os pesquisadores Naylor Pérez, da Pecuária Sul, e Alberto Bernardi, da Pecuária Sudeste, também fizeram palestras no auditório da Embrapa pela manhã.

No período da tarde, todos os participantes puderam conhecer, no campo, tecnologias que estão sendo desenvolvidas pela Embrapa. Eles visitaram os sistemas automatizados de alimentação de bovinos e de manejo racional dos animais, conheceram equipamentos que medem a emissão de gases de efeito estufa pelos bovinos e puderam verificar de perto as técnicas utilizadas para pesquisa no sistema integrado de produção ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta).

VISITANTES

Entre os participantes estavam o pesquisador Geraldo Stachetti, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna-SP), que no dia anterior coordenou discussão sobre indicadores de sustentabilidade e avaliação de impactos ambientais voltados para a Agricultura de Precisão. Esse debate aconteceu em outro workshop da convenção.

Stachetti disse que o workshop foi uma oportunidade excepcional de receber dos participantes, de forma presencial, uma análise crítica da abordagem proposta para análise econômica e ambiental. “A área ambiental é mais complexa porque são muitas diferenças de tecnologias nas mais diferentes escalas de aplicação. Felizmente eles nos apontaram que estamos num bom caminho. Temos feito estudos nessa parte de análise ambiental e social em diferentes níveis de complexidade que atendem bem às necessidades da rede, aparentemente”, avaliou.

O pesquisador falou sobre duas metodologias que têm sido aplicadas pela Rede AP: a Ambitec, como método de entrada, para um diagnóstico inicial das condições de impacto de iniciativas tecnológicas mais pontuais; e a Apoia Novo Rural, um método voltado para análises mais integradas e que permite registrar alterações na propriedade de maneira mais objetiva e quantitativa.

A rede tem ainda uma equipe dedicada às chamadas “tecnologias portadoras de futuro”, que envolvem Fruticultura 3D, Fotônica, Irrigação de Precisão, Pulverização de Precisão e Internet das Coisas (e das máquinas). Faz parte desse grupo o pesquisador Itamar Antonio Bognola, da Embrapa Florestas (Colombo-PR). Ele conta que na área de silvicultura, por exemplo, a área de colheita possui uma eletrônica muito avançada já embarcada, o que ainda não acontece na fase de produção.

“Com relação aos solos, dificilmente uma empresa de grande porte não tem seu mapeamento detalhado do meio físico. Elas têm as informações, mas ainda não conseguem aplicar porque falta automatizar essa etapa para que a produção se transforme em uma silvicultura de máxima precisão”, afirmou Itamar. Ele explicou que, às vezes, a empresa tem toda a identificação de clima, relevo, material genético, solo, mas ainda aplica uma fórmula básica média de adubação para todo o ambiente porque operacionalmente ainda não é possível automatizar essa aplicação. “Teremos que, um dia, chegar nisso”, afirmou.

Líder do projeto sobre conhecimento, comunicação, capacitação e transferência de tecnologia em automação e agricultura de precisão, o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Luís Bassoi, já planeja para daqui a dois anos um livro com recomendações para o produtor rural.


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